Canas OnLine

A Vila de Canas de Senhorim é uma terra tipicamente beirã. Situada entre a Serra da Estrela e a Serra do Caramulo é ladeada pelos rios Mondego e Dão. A sua história remonta a tempos milenares, conforme documentam os diversos vestígios pré-históricos e romanos existentes. Foi-lhe concedida carta de foral em 1196 e em 30 de Março de 1514 o rei D. Manuel I confirma o privilégio através de novo foral, o qual confere à vila o estatuto de concelho. Em 1866 é extinto o concelho, circunstância nunca aceite pela população que ao longo do tempo tem lutado pela sua restauração.

Data e HoraQuarta-feira, 08 de Fevereiro de 2012

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400 anos
a rivalizar por aí

1 de Julho de 2010, retrospectiva da luta

 

Faz hoje 7 anos, 1 de Julho de 2003-1 de Julho de 2010, que a Assembleia da República votou favoravelmente a criação do Município de Canas de Senhorim, em seguida votava também a alteração à Lei-Quadro de criação de Municípios na qual tinha enquadramento Canas de Senhorim.
Era o culminar de uma luta demorada, pela autonomia e pelo desenvolvimento.
Canas de Senhorim tinha reunidas as condições de progresso, negadas constantemente pela sede do concelho de Nelas. Com toda a euforia, Canas, ainda em festejos, assiste incrédula ao veto da Lei-Quadro de Criação de Municípios, efectuada pelo então senhor Presidente da república Dr Jorge Sampaio no último dia do prazo- 31 de Julho de 2003, após pressão de alguns opinon markers como: Marcelo Rebelo de Sousa, Sousa Tavares, etc… com argumentos económico-financeiros, de mais despesa pública, mais cargos políticos, mais dificuldade para o País. O Presidente da República não resistiu, esqueceu-se mesmo, dos procedimentos que teve com Vizela e Trofa e entendeu ele, que os deputados estavam errados, tinha sido uma tarde menos boa (digo eu), contudo, ironia das ironias NENHUM concelho voltou a ser criado, o famigerado livro branco, deve estar a encadernar e o País entrou em recessão sem que tivesse sido, o factor criação de concelho, a causa da crise.
Certo certo, é que decepou as expectativas de um povo que se queria governar, que queria nortear o seu destino.
Hoje, continua-se à procura de teses, de justificações, de demonstrações, de que há outras soluções para Canas, sem passar pela Restauração do Concelho; hoje, é dia de prestar homenagem à luta de restauração e àqueles que deram gratuita e sincera participação nesse objectivo, alguns já não estão entre nós.

in Canas o Concelho

2 de Agosto 07

Homenagem
A Todos os Que Lutaram
E Lutam Pela Emancipação
Desta Terra
2 de Agosto de 2007

25 anos

caso de política

Canas de Senhorim aplaude Justiça
Ministério Público arquiva processos contra apoiantes do movimento autonomista
O líder do Movimento de Restauração do Concelho de Canas de Senhorim (MRCCS), Luís Pinheiro, considerou ontem que o Ministério Público "fez justiça" ao mandar arquivar processos contra 32 seus apoiantes, relativos a manifestações ocorridas em 2004. A pedido do Ministério Público, a GNR tinha identificado pessoas que, em Novembro e Dezembro de 2004, participaram em manifestações para tentar impedir a saída das instalações da Empresa Nacional de Urânio (ENU), naquela freguesia, de camiões carregados daquele minério com destino à Alemanha.Os manifestantes sentaram-se na estrada junto à ENU e cortaram a linha ferroviária da Beira Alta, em Canas de Senhorim. Na base das acções de protesto estava a exigência de que o urânio fosse uma "moeda de troca" para a criação do concelho de Canas de Senhorim, que quer separar-se de Nelas, uma reivindicação com várias décadas. Segundo a edição de ontem do Jornal de Notícias, o Ministério Público "mandou arquivar todos os processos que se encontravam pendentes no Tribunal Judicial de Nelas" contra os 32 "suspeitos de terem agredido, ameaçado, desobedecido, coagido e injuriado vários militares da GNR", a 23 de Novembro e 14 de Dezembro de 2004.Na base da decisão "terá estado o facto de as autoridades não terem conseguido identificar convenientemente os suspeitos dos crimes, agravado pela circunstância de os arguidos se terem recusado a prestar declarações ou simplesmente negado os factos que lhes eram imputados", acrescenta o jornal. "O Ministério Público fez justiça. Veio comprovar que o caso de Canas de Senhorim é meramente político e não um caso de polícia", frisou Luís Pinheiro, em declarações à agência Lusa.O líder do MRCCS, que faz parte do grupo de 32 manifestantes, lamentou que "tenham tentado amedrontar o povo de Canas de Senhorim com os tribunais", congratulando-se por "se poder confiar na justiça portuguesa". Na altura, também o advogado António Marinho defendeu que levar assuntos como este para os tribunais "é instrumentalizá-los ao serviço possivelmente de conveniências políticas que visam provavelmente intimidar as pessoas e dissuadi-las de prosseguir a luta por aquilo que acham justo e necessário para a sua terra".
in PUBLICO .PT

Carta Aberta do Povo de Canas de Senhorim ao E.xº Sr. Pres. da República

Será que, a propósito ainda da sua visita a Ne­las, e nesse enorme e divergente contexto de notícias, comentários e blogues subsequentes - na imprensa, na televisão, do chefe da Casa Civil da PR, do Prof. Marcelo, até ao director de Informação, Luís Marinho -, ainda valerá a pena dizer essa coisa que é a verdade?
Será que, nesta efabulação toda, nesta ceno­grafia imensa de coisas aparatosas, próprias de um Estado policial desde o absoluto secre­tismo a propósito de uma visita a um pacato concelho do país, até à patética fuga da sua comitiva presidencial por caminhos fazendei­ros, passando pela montagem de um autêntico cenário de guerra na região, cercando-a de ar­mas, polícias, cães e canhões de água -, ainda será justo, será útil, será oportuno, adiantar essas coisas circunstanciais e menores, que são os factos? Julgamos que sim.

 

 

Daí, esta carta aberta do povo de Canas de Senhorim e a V. Exa. endereçada.
E que verdade? E que factos? Vamos, primeiro, aos factos.

1- No dia da deslocação de V. Exa. a Nelas, na quinta-feira, dia 9 de Fevereiro de 2006, a população de Canas de Senhorim, em lugar de dar demasiado realce a mais uma visita sem qualquer utilidade social, económica e política, antes preferiu fazer o que sempre fez, trabalhar;
2 - Para lá disso, ficou apenas o registo de um minuto de silêncio e o exercício do direito à crítica levado a efeito pelos Canenses, junto da comunicação social;
3 -E, no entanto, V. Exa., aqui e ali, continua a associar às peripécias que rodearam essa sua visita à iminência de manifestações violentas, verbais e mesmo físicas, por parte do povo de Canas de Senhorim.
Na verdade, esta manipulação dos factos define bem os poderes do Presidente da Re­pública na sua dimensão mais autêntica.
Porquanto, de facto o PR possui o poder de vitimar-se, nem que, para isso, se sonhem ma­nifestações violentas das Canenses, quando estes, pelo menos desde há 810 anos, sempre se caracterizaram como um povo digno, tra­balhador e pacifico.
De facto, o PR possui o poder de visitar os concelhos deste país no modo que entender, seja de forma solene ou no desprezo dos mu­nícipes, seja com protocolo de Estado ou em passeio geográfico.
De facto, o PR possui o poder de comprometer-se, primeiro, com a criação do Concelho de Canas de Senhorim e dar, depois, o dito por não dito aos seus habitantes.
De facto, o PR possui o poder, até, de promul­gar ou vetar os concelhos, entretanto aprova­dos pela Assembleia da República, consoante critérios, ainda hoje, incompreensíveis.
Acontece é que, por muitos poderes que um Presidente da República tenha, não há poder que consiga sobrepor-se, ainda, ao poder da vontade de um povo. Ou seja, à nossa determi­nação em lutar pela restauração do Concelho de Canas de Senhorim.
LUÍS MANUEL ABRANTES PINHEIRO PRESIDENTE DA JUNTA DE FREGUESIA DE CANAS DE SENHORIM E LÍDER DO MOVIMENTO DE RESTAURAÇÃO DO CONCELHO DE CANAS DE SENHORIM

 

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