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A Vila de Canas de Senhorim é uma terra tipicamente beirã. Situada entre a Serra da Estrela e a Serra do Caramulo é ladeada pelos rios Mondego e Dão. A sua história remonta a tempos milenares, conforme documentam os diversos vestígios pré-históricos e romanos existentes. Foi-lhe concedida carta de foral em 1196 e em 30 de Março de 1514 o rei D. Manuel I confirma o privilégio através de novo foral, o qual confere à vila o estatuto de concelho. Em 1866 é extinto o concelho, circunstância nunca aceite pela população que ao longo do tempo tem lutado pela sua restauração.

Data e HoraQuarta-feira, 08 de Fevereiro de 2012

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400 anos
a rivalizar por aí

Maria Natália Miranda

MNMA poetisa Maria Natália Miranda expressou o seu desejo em legar a sua biblioteca pessoal a Canas de Senhorim, a sua terra natal.
Maria Natália Miranda, irmã do saudoso António João Pais Miranda, nasceu em Canas de Senhorim. Licenciada em Filologia Românica e com os cursos de Ciências Pedagógicas e do Magistério Primário, foi assistente pedagógica e autora de textos para a RTP, com trabalhos para a Rádio Renascença, Rádio Estação Orbital e outras. Foi fundadora e directora, por vários anos, do Jornal Vento Novo - Sacavém, e conta com 60 obras em vários campos: poesia, Infanto-juvenis e pedagógicos.
Com colaborações em vários jornais, revistas, livros escolares, antologias, etc., promove o Livro e a leitura junto de crianças e jovens através de escolas e bibliotecas a convite dos Municípios. Tem cerca de 400 prémios literários no pais e estrangeiro, poemas para canções gravadas em disco, vários prémios das Marchas de Lisboa e Porto, etc., e o título de "Trovador da Língua Portuguesa" a nível de todos os países de expressão portuguesa.

 

Operário

Trago na pele a cor do meu cansaço
nos cavados de suor no peito
Sobre as espáduas trago a curva ajeito
da luta em que me gasto e em que me enlaço

Meus nervos são relógio a compasso
do trabalho violento a que me ajeito
O esforço é duro o horizonte é estreito
a carne macerada os pulsos de aço

Sou operário fabril da cianamida
Se à boca da fornalha arrisco a vida
à boca da fornalha lavro milhos

E as labaredas ganham forma de astro
no sorriso no rosto de alabastro
nos olhos deslumbrados dos meus filhos

in "Terra Agreste" Maria Natália Miranda,
Ed. Palavra em Mutação e Autor, 2003)

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