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Data e HoraQuinta-feira, 11 de Março de 2010

Impressões autárquicas

Impressões das Eleições Autárquicas
 

(Publicado na Edição nº 131 do Jornal de Canas de Senhorim)
 

Os Resultados

No passado dia 11 de Outubro os eleitores canenses manifestaram claramente a sua vontade de reconduzir o Professor Luís Pinheiro (para a junta) e a coligação “Todos Juntos pelo Concelho de Nelas” da Dr.ª Isaura Pedro (para a Câmara) para mais um mandato de 4 anos. Os números foram expressivos. Ficou patente a vontade do eleitorado em premiar algum investimento feito na freguesia, sobretudo nos meses anteriores às eleições. Transparece da votação que os canenses quiseram reconduzir a câmara e junta incumbentes, por lhe reconhecerem mérito, sobretudo quando comparado com gestões autárquicas anteriores. Os temas trazidos pelas oposições para o debate foram menos valorados pelo eleitorado, justa ou injustamente, o que se reflectiu na votação.
Ao nível da Junta de Freguesia a minha preferência era diferente da que teve mais votos. Participei activamente, como candidato, na Lista dos Cidadãos Independentes pela Mudança por me ter parecido o melhor projecto. Contudo, desde 12 de Outubro isso é irrelevante. Desejo à nova Junta de Freguesia a melhor sorte – e empenho – pois o mandato vai ser cheio de desafios que irão colocar à prova o poder eleito. Acessos, Centro Escolar, Zona Industrial, Casa da Cultura, etc., são temas, e promessas, que os canenses esperarão ver evoluir nestes 4 anos.
Uma palavra para as oposições (CIM, PS e CDU). Estas três forças tiveram cerca de 45% dos votos, um número que em qualquer lado fala por si. Juntas, foram maioria em 2 das 5 mesas de voto da Freguesia. Merecem por isso respeito e também a cobrança dos eleitores. Cabe-lhes fiscalizar a legalidade e oportunidade das acções e decisões da Junta. Mas também propor soluções se as tiverem.

A corrigir

Sem ter estado em causa a vitória do MRCCS, houve alguma incerteza em saber se haveria ou não maioria. Esta situação gerou em algumas pessoas uma ansiedade que, infelizmente, foi canalizada para comportamentos menos próprios junto das mesas de votos. Situações simples e evidentes como não se fazer apelo ao voto no dia das eleições ou no dia de reflexão, são “normalidades” que parecem esquecidas entre nós. O que justifica a presença, no dia das eleições, todo o dia, de candidatos junto às mesas de voto quando já exerceram o seu direito de votar e não pertencem às mesas? Esta atitude, teremos de dizê-lo com clareza, transmite “pressão” sobre os eleitores e é claramente violadora da letra e espírito das leis eleitorais portuguesas. Mais do que qualquer outro, o cidadão candidato deve mostrar probidade e decoro nos seus comportamentos. Acredito que alguns claudiquem por ingenuidade ou até ignorância dos deveres a que estão obrigados. Penso que caberá às lideranças “educar” os seus apaniguados para posturas diferentes e condizentes com o regime democrático em que vivemos.
Pior ainda, por mais agressivo para os visados, foi a “ tradicional” vaia a quem, pertencendo às listas derrotadas, deu o seu contributo cívico nas mesas de voto. Cidadãos canenses que legitimamente se submeteram ao veredicto popular deveriam ser poupados destes actos intoleráveis mas que entre nós fazem escola. Também aqui acho que são as lideranças que devem chamar as pessoas à razão. Não me satisfaz que alguns digam que “há 4 anos foi pior”. Há 4 anos foi mau e desta vez também o foi.

Via O Beirão Recalcitrante, Manuel Rodrigues

As candidaturas à Junta

Como era de esperar, com a iminência das autárquicas agitou-se a blogosfera canense. Alguns bloguistas resistiram à tentação do entusiasmo circunstancial que o processo político das autárquicas canenses gera, outros, (re)nasceram, convictos de que esta plataforma virtual poderia catapultar as suas convicções para o terreno. Tudo legítimo, se exceptuarmos 90% das intervenções dos comentadores, que de política pouco ou nada falaram, limitando-se a denegrir candidatos e candidaturas. Mas isso era espectável, se atendermos ao prenúncio embrionário de alguns temas de campanha, aparentemente inocentes, mas estrategicamente concebidos como arma de combate político.
Falemos então de política, isto é das eleições para a Junta de Freguesia:
O Bloco de Esquerda absteve-se de participar, podendo deduzir-se dessa ausência um sinal de solidariedade com o Movimento - o mesmo não aconteceu com as outras forças políticas –, a CDU apresentou-se timidamente, à revelia de compromissos assumidos com o Movimento noutros tempos, e o PS, de forma envergonhada, veio palpar o pulso aos canenses, atirando para a frente uma candidata testa de ferro sem fôlego para estas andanças.
A surpresa apareceu pela voz de Ana Mafalda, cabeça de lista da candidatura CIM (Cidadãos Independentes pela Mudança). Num crescendo de entusiasmo, nascido porventura nestas páginas virtuais, a candidatura CIM apresentou-se ao eleitorado com gente jovem, uma campanha dinâmica e um discurso de mudança. Parecia assim a candidatura mais bem colocada para disputar a junta a um MRCCS travestido de azul-laranja.
Se excluirmos a génese municipalista que o Movimento mantém no fundo na gaveta, pouco ou nada distinguia as ideias destas duas candidaturas. Aliás, a “mudança” que Ana Mafalda propunha pareceu esgotar-se na faixa etária dos elementos da sua equipa, ainda assim, uma aposta promissora, esta de trazer gente nova para os meandros da política local. Arredado confortavelmente da agenda política o estigma da criação do concelho, os dois projectos em nada ou quase nada diferiam, fosse na essência ou nas prioridades, isto é, comungavam a mesma intenção, a de pressionar a câmara de Asnelas em termos de investimento e desenvolvimento da freguesia de Canas. Como o desafio dos canenses não é “o que fazer” mas sim “como fazer”, Luís Pinheiro, com provas dadas, saiu, nesta relação, em vantagem e estrategicamente melhor posicionado. A haver diferenças seria quanto ao método, designadamente o compromisso que Ana Mafalda assumiu em marcar presença na Assembleia Municipal, por oposição a Luís Pinheiro que desconsidera a participação nesse fórum, alegando que tal disponibilidade não tem qualquer resultado prático. Por outro lado, a relação privilegiada e “colorida” de Luís Pinheiro e Isaura Pedro, ainda que desconfortável para certos sectores da sociedade canense, constitui uma vantagem para Canas, assim se cumpram os compromissos formais ou de bastidores que todos desconfiamos existirem. E isto, o povo soube avaliar, escolheu para a Junta quem lhe pareceu mais capaz de influenciar Isaura Pedro e escolheu para a Câmara Isaura Pedro para que se deixasse influenciar.
Mas os canenses não isentaram a lista CIM de responsabilidades políticas. Os votos obtidos conferem-lhe a obrigação de desempenhar o papel de oposição no seio da Junta, circunstância que por certo Ana Mafalda não abdicará, até porque não deixará de cobrar as promessas que Luís Pinheiro fez e que todos gostaríamos de ver cumpridas (Casa da Cultura, Parque Industrial, etc.). Luís Pinheiro e o Movimento têm mais quatro anos para demonstrar do que são capazes e que poder de influência têm perante o consulado social-democrata residente em Asnelas.

Legislativas em Canas de Senhorim 2009

 Freguesia: Canas de Senhorim

 

 


Partidos    Votantes % Votos
PPD/PSD 711 37,23%
PS 500 26,18%
CDS-PP 276 14,45%
B.E. 222 11,62%
PCP-PEV 85 4,45%
PCTP/MRPP 11 0,58%
MEP 9 0,47%
P.N.R. 5 0,26%
PPV 3 0,16%
PND 2 0,10%
MPT-P.H. 0 0,00%
MMS 0 0,00%
Nulos   53 2,77%
Brancos 33 1,73%
Abstenção  1.389 42.10%

Cenários

Cenário Político do Concelho de Nelas

por Daniel Rodrigues*

Desconheço na realidade a maioria das conjunturas políticas existentes nos municípios portugueses, no entanto, ouso afirmar que a existente no concelho de Nelas será, sem dúvida, das que mais dores de cabeça dá aos políticos e aos eleitores. Com a questão da criação do município canense arredada de cena, e seguramente pontapeada para dias distantes, a gestão autárquica de dois povos tradicionalmente competitivos e adversários antevê-se cada vez mais complicada.
Após a significativa desilusão dos canenses com o volte face encetado por Luís Pinheiro, que sob a sigla do desenvolvimento de Canas de Senhorim tenta uma aproximação à CMN da qual os proveitos poderão ser considerados escassos, e respectiva desilusão dos nelenses pela suposta aproximação recíproca encetada por Isaura Pedro à Junta de Freguesia de Canas de Senhorim, comandada pelo MRCCS, que deu mostras de desentendimento ao longo do mandato; afiguraram-se no cenário pré-eleitoral diversas candidaturas à CMN em resultado do descontentamento geral dos eleitores (incluindo canenses e nelenses), e especialmente em Canas de Senhorim, uma candidatura independente à Junta de Freguesia que constitui a maior oposição ao MRCCS (que insiste em usar uma sigla à qual não dá uso).
Assim a diversidade está criada mas os cenários pós-eleitorais estão longe de ser resumidos e previstos.

Esses cenários pós-eleitorais que falo, são os que realmente tornam a gestão da edilidade das mais complicadas a nível nacional, senão vejamos:

1) Qualquer gestão camarária que fomente o descriminação positiva de Canas de Senhorim será alvo dos eleitores nelenses, bem como, qualquer gestão camarária que tenha Nelas por prioridade será alvo da ira do povo canense, um povo bairrista e que muitas feridas abre na autarquia, por fim, uma gestão camarária que aborda as duas vilas com igual prioridade irá concerteza gerar conflitos de ambos os lados, pois a questão central é que ambas as vilas requerem uma descriminação positiva por parte da autarquia, uma sob o cunho do hábito de desenvolvimento desenfreado à custa das restantes freguesias do concelho e a outra à custa de anos de exclusão política e financeira autárquica.

2) Uma gestão da coligação PSD/CDS antevê um cenário pós-eleitoral de boas relações com Canas de Senhorim caso Luís Pinheiro renove a sua posição nas próximas eleições, no entanto longe estará o consenso entre o povo de Canas de Senhorim, portanto não será esta a alternativa que apaziguará as terras, antevendo-se mais uma gestão vazia mas aflorada com toques de maquilhagem.

3) Uma gestão da coligação PSD/CDS com o CIM no poder de Canas de Senhorim, corre o risco de uma relação pouco frutífera, não tenha sido o CIM a verdadeira machadada no afilhado LP, o que tornará a gestão da freguesia complicada e a ameaça de cortes financeiros iminente.

4) Uma gestão do PS na autarquia continua manchada, para os lados de Canas, à custa dos seus antepassados, pelo que também será uma imprevisão a sua condução à frente da câmara, e se em Nelas poderia estar melhor lançada, esta candidatura tem pela frente o seu ex-comandante, o tão afamado José Correia! No entanto esta candidatura, ao lançar em segundo lugar um Canense, pode ter uma segunda oportunidade declarada até por canenses.

5) Se José Correia ganhasse, lá caía o carmo e a trindade, apesar da versão angelical e justiceira replicada actualmente pelo dinossauro, este cenário seria sem dúvida de animar as hostes. Vejo um lado positivo nesta possibilidade, o desencadear do processo de restauração do Concelho de Canas de Senhorim seria acelerado ainda que, tema, sob o cunho de um novo MRCCS.

6) Sexta e, não menos importante, (im)previsão. A candidatura de Vaz, um canense, se para nós canenses a vontade de ter os nossos homens na gestão da autarquia, com uma presença forte e declarada, seria imprescindível; para o povo de Nelas essa presença concerteza irá afigurar-se como uma gestão favorável a Canas e poderá obter poucos créditos. Esta talvez seja a opção que mais créditos pode dar a Canas de Senhorim, na eventualidade do CIM conquistar a Junta, a relação entre Vaz e CIM antevê-se produtiva.

Poderia discutir ainda mais situações que são passíveis de acontecer após as eleições autárquicas, todas elas baseadas no carácter das populações do concelho que teimam em ser irrepreensíveis e lutadoras. Qualquer gestão da autarquia será criticada e qualquer uma delas terá muitas dores de cabeça ao longo do mandato e difícil será aquela que consiga a recondução num futuro mandato. Tudo isto torna o Concelho de Nelas instável e incapaz de um desenvolvimento sustentado estando constantemente em rodopio e controvérsia política.

Na base de tudo isto estão questões que dificilmente serão resolvidas por qualquer uma das possibilidades de gestão:

1) A vontade do povo canense de ser concelho;
2) A vontade de Nelas de se assumir como a vila mais desenvolvida do concelho e atrair para si todo o investimento e mediatismo do “Coração do Dão”;
3) A vontade do povo canense de sofrer uma descriminação positiva ao nível do investimento camarário que é uma pedra no sapato de qualquer edil;
4) A pressão do povo de Nelas para a não-descriminação positiva para Canas de Senhorim;
5) O bairrismo dos Santarenses que não se excluem da luta pelo seu direito ao desenvolvimento no seio do município, alcançando um lugar de relevo;

Tudo isto para dizer de uma forma muito superficial que me preocupa o panorama político do Concelho de Nelas e que não se antevê estabilidade num futuro próximo. Quem perde?
Perdem todos os residentes no concelho, perdem todos os seus trabalhadores, perdem todas as suas famílias. Porquê?
Porque o desenvolvimento sustentado e equitativo do concelho que deveria acontecer em 4 anos, acontece na realidade em 12 anos ou mais e carregado de desigualdades e descriminação das suas populações.

O concelho de Nelas podia ombrear com o concelho de Tondela não fosse a gestão autárquica dos últimos anos escabrosa e baseada em pressupostos eleitoralistas, Nelas não pode olhar só a si própria como Canas na eventualidade de convivência futura no município terá que contribuir para uma relação produtiva e justa no desenvolvimento do concelho, desde que a gestão do mesmo se torne inclusa, igualitária e justa a todos.

* 26AGO2009, em http://masporque.wordpress.com/eu/

Listas dos candidatos à Junta de Freguesia de Canas de Senhorim

 

José Lopes Soares
Manuel José Fonseca
Ana Cardoso Fonseca
Patrícia Alexandra Pereira
Luís Miguel Ramalho Gomes
Carlos Alberto Pereira
Pedro Jorge Costa Moitas
Susana Paula Costa
Carlos José Jorge
 
Ana Mafalda Lopes
Ana Paula Peres
António José R Mendes
Manuel Alexandre Henriques
Carla Manuela Povoas
Rui Manuel Andrade
Susana Sofia Ribeiro
Maria Beatriz Ribeiro
Fernando Andrade Cunha
 
Luís Manuel Abrantes Pinheiro
Mário Alberto
Carlinda Duarte
António Rebelo
Maria Luísa Pinheiro
Charles Soeiro
Germano Simão
Nuno Miguel Silva
Dores do Carmo Fernandes
 
Cristina Maria R Figueiredo
Jorge Manuel de Sousa Silva
Dirceu Costa da Graça
Iracema das Dores Gonçalves
Luís Filipe Pinto Ambrósio
António Manuel de Matos
Vera Lúcia Pereira Neto
Fernando Rodrigues
Luís Miguel Mendes dos Santos

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