Impressões autárquicas
(Publicado na Edição nº 131 do Jornal de Canas de Senhorim)
Os Resultados
No passado dia 11 de Outubro os eleitores canenses manifestaram claramente a sua vontade de reconduzir o Professor Luís Pinheiro (para a junta) e a coligação “Todos Juntos pelo Concelho de Nelas” da Dr.ª Isaura Pedro (para a Câmara) para mais um mandato de 4 anos. Os números foram expressivos. Ficou patente a vontade do eleitorado em premiar algum investimento feito na freguesia, sobretudo nos meses anteriores às eleições. Transparece da votação que os canenses quiseram reconduzir a câmara e junta incumbentes, por lhe reconhecerem mérito, sobretudo quando comparado com gestões autárquicas anteriores. Os temas trazidos pelas oposições para o debate foram menos valorados pelo eleitorado, justa ou injustamente, o que se reflectiu na votação.
Ao nível da Junta de Freguesia a minha preferência era diferente da que teve mais votos. Participei activamente, como candidato, na Lista dos Cidadãos Independentes pela Mudança por me ter parecido o melhor projecto. Contudo, desde 12 de Outubro isso é irrelevante. Desejo à nova Junta de Freguesia a melhor sorte – e empenho – pois o mandato vai ser cheio de desafios que irão colocar à prova o poder eleito. Acessos, Centro Escolar, Zona Industrial, Casa da Cultura, etc., são temas, e promessas, que os canenses esperarão ver evoluir nestes 4 anos.
Uma palavra para as oposições (CIM, PS e CDU). Estas três forças tiveram cerca de 45% dos votos, um número que em qualquer lado fala por si. Juntas, foram maioria em 2 das 5 mesas de voto da Freguesia. Merecem por isso respeito e também a cobrança dos eleitores. Cabe-lhes fiscalizar a legalidade e oportunidade das acções e decisões da Junta. Mas também propor soluções se as tiverem.
A corrigir
Sem ter estado em causa a vitória do MRCCS, houve alguma incerteza em saber se haveria ou não maioria. Esta situação gerou em algumas pessoas uma ansiedade que, infelizmente, foi canalizada para comportamentos menos próprios junto das mesas de votos. Situações simples e evidentes como não se fazer apelo ao voto no dia das eleições ou no dia de reflexão, são “normalidades” que parecem esquecidas entre nós. O que justifica a presença, no dia das eleições, todo o dia, de candidatos junto às mesas de voto quando já exerceram o seu direito de votar e não pertencem às mesas? Esta atitude, teremos de dizê-lo com clareza, transmite “pressão” sobre os eleitores e é claramente violadora da letra e espírito das leis eleitorais portuguesas. Mais do que qualquer outro, o cidadão candidato deve mostrar probidade e decoro nos seus comportamentos. Acredito que alguns claudiquem por ingenuidade ou até ignorância dos deveres a que estão obrigados. Penso que caberá às lideranças “educar” os seus apaniguados para posturas diferentes e condizentes com o regime democrático em que vivemos.
Pior ainda, por mais agressivo para os visados, foi a “ tradicional” vaia a quem, pertencendo às listas derrotadas, deu o seu contributo cívico nas mesas de voto. Cidadãos canenses que legitimamente se submeteram ao veredicto popular deveriam ser poupados destes actos intoleráveis mas que entre nós fazem escola. Também aqui acho que são as lideranças que devem chamar as pessoas à razão. Não me satisfaz que alguns digam que “há 4 anos foi pior”. Há 4 anos foi mau e desta vez também o foi.

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