01/11/2008
por: PortugaSuave

O comunicado da Junta de Freguesia é um autêntico pesadelo e confirma as preocupações dos canenses. Podemos até extrair dele outro significado do que a simples constatação dos factos nele contidos. O comunicado assume abertamente uma posição oficial de reprovação, e, julgo poder afirmar, mais do que informativo, o documento parece configurar um ultimato à presidente de Asnelas, do género: “Faça alguma coisa Sra. Presidente, senão diga-nos lá como vamos apoiá-la nas próximas eleições”.
Ora, ainda que o comunicado sirva “romanticamente” essa intenção, parece evidente que qualquer apoio a Isaura Pedro está definitivamente comprometido. Por mais obras que se venham a fazer já nenhuma compensará as opções rodoviárias recentemente preteridas e a ausência de intervenções há muito reclamadas. Os canenses já deram para este peditório e daí não obtiveram qualquer benefício, afinal a câmara não é nossa, nem ela (a câmara) se revela preocupada em sê-lo, seja quem for o seu timoneiro, ou candidato a timoneiro. Claro que, perante a acção governativa de Isaura Pedro em relação a Canas, outra coisa não seria de esperar da Junta que não salvar a honra, admitindo publicamente o descalabro. A Junta (e não só, não podemos esquecer que o MRCCS é o suporte político da lista mandatada) perderia a relativa credibilidade política que ainda reúne se calasse a evidência.
Já aqui manifestei a minha completa indiferença relativamente a estes cenários, se a Câmara de Asnelas está virada de costas para nós porque haveremos nós de lhe dar o flanco!? Também não me surpreende a falta de tacto político de Isaura Pedro, talvez confiante na possível reverência partidária da Junta e do Movimento ao PSD. O que me ocorre perante os factos oficialmente confirmados no comunicado é que os canenses não têm qualquer espaço de manobra neste contexto autárquico. Impõe-se portanto retomar com urgência a ideia “sempre viva” de Canas a concelho. E já agora, como diz o Frankie, com elevação e inteligência.
27/12/2007
por: PortugaSuave

O Pólo Colectivo de Resistência (PCR) introduz neste domínio o conceito cívico de exercício de cidadania. Nasceu de forma espontânea e reflecte a voz daqueles que não alinham no adormecimento geral perante a estagnação social e política que se vive em Canas de Senhorim.
O exercício de cidadania, num regime democrático, não se esgota nas garantias formais instituídas pelos órgãos da república. Em democracia, para além da representatividade política como garante do sistema, os cidadãos, mesmo fora de qualquer contexto político-partidário, têm a prerrogativa constitucional de intervir socialmente, quer manifestando activamente as suas aspirações e as suas convicções quer reclamando junto do poder constituído os meios e as práticas que conduzam satisfação dos seus interesses.
Há muito que Canas vem pelejando nestas duas frentes para que as suas pretensões sejam ouvidas e cumpridas: fê-lo reafirmando desde sempre essa vontade através do sentimento latente da população, sentimento esse que a partir dos anos 70, sob a bandeira da então recente democracia, se revelou abertamente, conduzindo criação do Movimento de Restauração do Concelho de Canas de Senhorim (MRCCS), uma estrutura apartidária cujo objectivo era dar voz s ambições municipalistas da população; e fê-lo, mais recentemente, através dos canais institucionais, com o aval dos partidos políticos sensíveis ao nosso problema, tentativa que se revelou gorada pela controversa e inusitada decisão do Presidente da República.
O PCR surge na sequência deste ciclo desfavorável, com o objectivo de recuperar forças e animar vontades; capaz de manter viva a ideia que perseguimos, incutindo motivação, reunindo consensos e juntando esforços. Um colectivo que impulsione a nossa causa e que divulgue e promova o pulsar das forças vivas da comunidade. Uma voz que exprima os sentimentos de um povo que não se verga, de uma terra ancestral que não se entrega. Um movimento cívico de resistência, legitimado pelo princípio inalienável do direito ao exercício de cidadania.
Foi este o espírito que presidiu constituição deste espaço de intervenção cívica. Emana da filosofia subjacente ao blog MCdS, como extensão activa e intervencionista daqueles que se revêem no projecto de restauração do concelho de Canas de Senhorim. Na sua formação atribuímos-lhe simbolicamente as referências que constituem a génese da sua criação e dão cor e forma bandeira do PCR: o centauro que exprime força e inteligência, o vermelho que afirma a vontade, o amarelo que representa a convicção e o preto que apela união e simboliza o apego terra.
Ficam assim, debaixo da égide do PCR, todos os contributos que no âmbito do MCdS evidenciem um manifesto apoio causa que nos move: Canas de Senhorim a concelho.