Canas OnLine

A Vila de Canas de Senhorim é uma terra tipicamente beirã. Situada entre a Serra da Estrela e a Serra do Caramulo é ladeada pelos rios Mondego e Dão. A sua história remonta a tempos milenares, conforme documentam os diversos vestígios pré-históricos e romanos existentes. Foi-lhe concedida carta de foral em 1196 e em 30 de Março de 1514 o rei D. Manuel I confirma o privilégio através de novo foral, o qual confere à vila o estatuto de concelho. Em 1866 é extinto o concelho, circunstância nunca aceite pela população que ao longo do tempo tem lutado pela sua restauração.

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Data e HoraSegunda-feira, 06 de Fevereiro de 2012

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400 anos
a rivalizar por aí

A Voz da Beira

A Voz da Beira, fundado em 01 de Setembro de 1934
Quinzenário regionalista, humorístico e noticioso
Redacção e Administração - CANAS DE SENHORIM

Director e editor, pára choques - JOSÉ GOMES ANTUNES
Pára-raios, chefe de redacção, padrinho e papá - ABÍLIO MONTEIRO
Administradores e furões - JOAQUIM ADELINO MENDES e NELSON BORGES DE FIGUEIREDO
Caixa das ideias - JOÃO ADELINO P. DO AMARAL
Caixinha dos segredos - ANTÓNIO F. PINTO

Doc. Arq.: JMLVBM

Padaria Monteiro, desde 1926

A Padaria Monteiro (1926) está integrada arquitectonicamente num robusto edifício do princípio do século XX. O edifício incorpora também a antiga residência da família Monteiro, a Farmácia Monteiro (1924), a antiga Pensão Arcada e, em tempos, sediou outros estabelecimentos e serviços que constituem referência relevante na memória de várias gerações. A sua edificação está associada a uma figura eminente da sociedade canense, o Dr. Abílio Monteiro, que no seu espírito empreendedor dotou Canas de Senhorim das mais diversas valências comerciais, designadamente a Padaria Monteiro, estabelecimento em destaque neste artigo.
Dr. Abílio Monteiro, mulher e filhoAbílio Monteiro nasceu na freguesia de Cerdeira, concelho do Sabugal em 25 de Outubro de 1900. Muito novo, com cerca de catorze anos veio “à guarda do revisor” de comboio, com destino a Canas de Senhorim. Rapaz expedito e inteligente começou a trabalhar como ajudante técnico na única farmácia existente que era propriedade do Dr. Joaquim Felício Pais do Amaral. Conheceu Maria Pessoa de Campos Borges, professora primária com quem casou. Viveu inicialmente em casa dos pais de sua mulher, com o seu cunhado António Borges Figueiredo Campos, Cônsul de Portugal, e sua mulher Valéria Lorenzini Borges Campos. Aí nasceu o seu filho António José Borges Monteiro. Mais tarde deu início à construção da casa onde passou a maior parte da sua vida que fica por cima da Farmácia e da Padaria, na Rua do Rossio, rua que mais tarde veio a ter o seu nome.
Alguns anos passaram e desenvolvendo as suas capacidades como Ajudante-Técnico de Farmácia decide fazer um exame “ad-hoc” de acesso ao ensino superior. Faz 5º, 6º, 7º e aptidão num ano, e ingressa na Faculdade de Farmácia de Coimbra onde viria a concluir o curso de Químico-Farmacêutico. Durante este período em que trabalha e estuda aluga a Farmácia ao proprietário Dr. Joaquim Felício Pais do Amaral por um período de dez anos. Entretanto, este falece e adquire a farmácia à viúva em 1924. Mais tarde em 1926 dedica-se também à Indústria de Panificação abrindo a maior e mais abrangente padaria do concelho – Padaria Monteiro. Uns anos mais tarde dá início à construção do edifício contíguo à casa abrindo uma pensão – Pensão Arcada–  e instala no muro do pátio a primeira bomba de gasolina de Canas.
Foi uma mega construção na altura porque o edifício é todo em pedra e conta-se que eram dezenas de trabalhadores e dezenas de carros-de-bois a transportar pedras de uma zona chamada Vale de Almeida. Para além de farmacêutico e padeiro (como ele por graça fazia questão de dizer) foi fundador e director de um importante jornal na altura “A Voz da Beira”, jornal onde sempre que podia escrevia contra o regime que vigorava na altura, tendo quase sido preso pela PIDE. Trabalhador incansável, contra tudo e contra todos, sempre manifestou os seus pontos de vista sem medos tendo ainda sido correspondente de vários jornais nacionais (Jornal de Notícias, Comércio do Porto, A Capital, etc). Com um carácter forte e determinado, uma inteligência fora do comum, sempre foi um humanista ajudando o próximo no exercício da sua actividade profissional.Farmácia Monteiro, anos 50
Nesses tempos, na Farmácia fazia-se de tudo – do simples curativo, à colocação de “agrafos” num corte, às injecções com seringas de vidro fervidas, à preparação de medicamentos de todo o tipo para humanos e animais, à venda de produtos de drogaria incluindo vidros, selos de correio, jornais, etc. – daí talvez a expressão “há de tudo como na farmácia”! Foi ainda o primeiro Agente Bancário e o responsável pela instalação do Primeiro Posto Público de Telefone de Canas (PPT nº 1) que funcionava numa cabine de madeira na Farmácia. Com a licenciatura em Farmácia de seu filho António José Borges Monteiro, resolve ir para os Açores porque gostava particularmente do clima, deixando os negócios ao seu filho. Assume a Direcção-Técnica das farmácias da Misericórdia na Praia da Vitória (Ilha Terceira) e posteriormente no Nordeste (Ilha de S. Miguel). A seu pedido, por gostar muito das paisagens maravilhosas do Nordeste, aí ficou sepultado no dia 23 de Fevereiro de 1982.
Do vasto património empresarial mantêm-se em actividade a Farmácia Monteiro e a Padaria Monteiro, esta sob a administração do seu neto José Manuel de Lencastre Valente Borges Monteiro. A Padaria Monteiro é um verdadeiro ex-líbris da vila de Canas de Senhorim, decorada com gosto, harmonizando linhas modernas e tradicionais, é dotada da mais moderna tecnologia da indústria panificadora e mantém a qualidade e sabor ancestrais dos seus produtos.

Texto e fotos: José Manuel de Lencastre Valente Borges Monteiro
Edição e adaptação de texto: Canas Online

Canas de Senhorim no Guia da Cidade

Canas de Senhorim é uma bonita vila do distrito da Beira Alta, numa região rural de grande beleza natural, que encanta quem a visita.
Esta será uma região de antiga ocupação Humana, como atestam a Orca de Pramelas, e os vários vestígios arqueológicos que demonstram a ocupação Romana deste território, bem como os vestígios de ocupação do Calcolítico na Corujeira.
As referências à localidade vêm já desde o século XII, denotando a importância destes terrenos para a ocupação humana, que aqui desde cedo encontrou as características necessárias para a sua subsistência.
De encantadora feição rural, a região de Canas de Senhorim viu no último século um largo desenvolvimento no sector industrial, albergando a já finda Empresa Nacional de Urânio, muito famosa pela região.
As ruas de Canas de Senhorim mantêm o seu aspecto rural e pacato de outros tempos, saudadas pelas típicas casas Beirãs, de dois andares, graníticas, que atestam o passar dos anos incólumes e inconfundíveis.
A vila orgulha-se do seu Património, que tem na bela Igreja Matriz do século XVIII o seu maior enlevo, destacando-se também o frondoso Pelourinho reconstruído em 1935, e as várias casas senhoriais e brasonadas que existem pela região que demonstram a riqueza gerada pelos férteis solos ao longo dos séculos, como são exemplo a Casa e o Solar da Família Abreu Madeira, ou as da Família Visconde de Penalva.
Muito afamadas são as festividades por alturas do Carnaval, numa tradição que conta com mais de 300 anos de festejos, alegria e tipicidade.

http://www.guiadacidade.pt

 

 

 

 

Hotel da Urgeiriça, 80 anos

1930 - 2010

Cada hotel tem vida própria e os seus segredos. A Urgeiriça não escapa à regra.

A história é insólita. Em 1930, Charles Harbord, um oficial superior do exército inglês comprou uma grande propriedade e ali mandou construir uma mensão. Passados cinco anos transforma a casa numa instância de repouso e de férias, a que chamou "English Hotel Urgeiriça". O hotel ganha fama e continua a crescer. Pouco tempo mais tarde , Mrs. Phfillys Graham, uma inglesa residente no Porto e cliente habitual do hotel, torna-se sócia de Charles Harbord.

Alguma figuras ilustres ficaram ali hospedadas, como foi o caso da jornalista e escritora francesa Christine Garnier, autora do livro "Férias com Salazar", o Marechal Craveiro Lopes, o Rei Humberto de Itália, Sá Carneiro, Primeiro Ministro de Portugal, o actor João Villaret e o Primeiro Ministro de Inglaterra, Sir Anthony Eden em lua de mel com sua esposa, Clarisse Eden, sobrinha de Winston Churchil, entre muitos outras.

www.hotelurgeirica.pt

Solar Abreu Madeira - Canas de Senhorim

Solar Abreu Madeira - Canas de Senhorim - Portugal por Portuguese_eyes.

Depois de percorrida uma longa estrada de pinheiros e mimosas, chegamos a uma vila adormecida da Beira Alta, chamada Canas de Senhorim. Eis o majestoso solar, construído no século XVIII. A criação de gado bovino e cavalar era antigamente o suporte financeiro de quem vivia nestas paragens. A decoração é imponente. Na entrada principal poderá ver duas magníficas carruagens. Ao centro, uma escadaria toda em pedra leva-o até às salas.

Há dois tipos de casas: aquelas, tamanho de catálogo, prontas a usar; e as outras, começadas a partir de dentro, isto é, de quem as habita, de quem as sonhou, para quem foram necessidade e fruição. As primeiras caem em desuso, passam de moda. As outras ganham alma, reflectem as vicissitudes de quem nelas vive, adquirem uma memória, uma identidade própria.

No lugar onde hoje existe o Solar Abreu Madeira, havia uma outra, mais pequena - a Casa da Fonte, que possuia uma Capela dedicada à Senhora da Boa Morte. Esta casa pertencia ao irmão da bisavó do actual proprietário, aliás como pertenciam igualmente quatro outras casas agrícolas próximas.

Outrora, por razões patrimoniais, os filhos varões herdavam morgadios e às filhas era atribuido um dote para um casamento futuro. Porém, a morte relativamente prematura do primogénito (solteiro e sem descendentes) permitiu à irmã receber a herança. Mais tarde, a herdeira ao contrair casamento com um fidalgo originou a que se tornasse imprescindível uma casa maior. Deste modo, e em 1838, transferiram da Casa do Cruzeiro (também pertença da família) uma capela setecentista, dedicada à Nossa Senhora da Conceição. Ainda hoje as duas imagens partilham das honras do altar.

Traduzindo o gosto da época, o Solar alia o estilo neo-clássico do frontão, com o neo-barroco do torreão e da Capela. Contudo os traços de grande casa rural estão lá bem patentes.

A agricultura e a pecuária, que têm sido desde sempre as actividades produtivas, mudaram com os tempos: hoje os cavalos já não vêm da Golegã pois foram substituídos pelos tractores, mas as caleches ainda existem no solar Abreu Madeira, como se fossem verdadeiras peças de um museu. O vinho do Dão e o queijo da Serra são os ex-libris deste solar do século XVIII, conservado na sua traça exterior, no seu recheio e nas suas actividades.

 

Solar Abreu Madeira

MEMÓRIAS DAS INVASÕES FRANCESAS

Relacionadas com este magnífico solar estão algumas memórias das invasões francesas. Deste modo, e em 1810, altura da terceira invasão napoleónica, os franceses espalharam o pânico, roubando e destruindo tudo à sua passagem. Ao grito " vêm aí os franceses", as pessoas fugiam levando consigo tudo o que conseguiam transportar, escondendo os objectos mais valiosos. Objectos em prata e uma colcha Indo- Portuguesa (atestando um passado de prováveis viajantes pelo Oriente) foram enterrados na quinta, escapando à sofreguidão dos franceses.

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