Canas OnLine

A Vila de Canas de Senhorim é uma terra tipicamente beirã. Situada entre a Serra da Estrela e a Serra do Caramulo é ladeada pelos rios Mondego e Dão. A sua história remonta a tempos milenares, conforme documentam os diversos vestígios pré-históricos e romanos existentes. Foi-lhe concedida carta de foral em 1196 e em 30 de Março de 1514 o rei D. Manuel I confirma o privilégio através de novo foral, o qual confere à vila o estatuto de concelho. Em 1866 é extinto o concelho, circunstância nunca aceite pela população que ao longo do tempo tem lutado pela sua restauração >>>

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Data e HoraQuarta-feira, 08 de Setembro de 2010

Um abraço para Canas de Senhorim

Não é por acaso que sempre que conhecemos alguém, imediatamente a seguir ao nome perguntamos de onde essa pessoa é, como se essa informação fosse fundamental para acrescentar às razões pelas quais devemos ou não aceitar tal pessoa. E também não é por acaso que às vezes nos respondem que, apesar de terem nascido numa terra, se sentem como sendo realmente de outra, aquela em que cresceram ou onde viveram a parte mais significativa da sua vida.
Esse sentimento de pertença a uma terra constitui uma identidade telúrica, feita de cheiros, de sabores, sons e imagens únicos, sedimentados sorrateiramente na memória colectiva de um povo. É como o murmurar do vento nas árvores do adro da nossa igreja que é único porque serve de fundo às vozes e brincadeiras com que aprendemos a crescer, ou como o cheiro das mimosas em flor em Fevereiro, que é único porque só aquelas mimosas em particular nos fazem sentir em casa.
A importância dessa memória e desse sentimento exprime-se na alegria que sentimos quando estamos fora e encontramos um conterrâneo. Basta sentarmo-nos a comer com um conterrâneo e sentimo-nos logo em casa. Despimo-nos de uma série de camadas incómodas, de tiques e atenções e podemos comer, rir e desatar à conversa sem ter de explicar onde é que o Plácido amarrava o burro Prim para lhe providenciar a dose exigida. Rimo-nos de piadas que não têm de ser contadas, bastando uma simples evocação, “lembras-te do Mário! O Mário Linhas que convenceu a GNR que o avô tinha um leão no quintal…”, numa economia de tempo e de palavras que torna mais fácil a convivência, permite passar mais tempo a rir e, de algum modo nos apazigua. Vejamos a necessidade que as comunidades de emigrantes têm de reproduzir os rituais e as vivências da sua terra e a nostalgia com que alguns se lhe referem, para percebermos que ser de uma terra qualquer é muito mais do que uma coincidência administrativa.
É na ausência que esse sentimento de identificação melhor se exprime. Como resultado desse sentimento podemos encontrar espalhados pelos grandes centros urbanos associações, restaurantes e outros espaços de confraternização onde os conterrâneos podem fazer a catarse da saudade e onde o linguarejar e a gastronomia se unem em torno do elemento comum – a origem.
Cedo percebemos essa necessidade, a da ligação à terra. Ainda que longe das referências, a distância não consegue diluir aquela generosidade tão característica das nossas gentes nem apagar os traços comportamentais culturalmente apreendidos. Continuamos a dizer bom-dia ao vizinho do 1º Esquerdo, mesmo que ele responda contrariado, continuamos a ser canenses em qualquer parte do mundo e orgulhosos disso, como se, além de representar uma mais-valia para a nossa pessoa, afirmasse uma espécie de identidade colectiva, reconhecível num conjunto de traços culturais típicos.
E de tudo isto podemos tomar como exemplo a emoção e a alegria deste nosso conterrâneo que no fragor da recepção da equipa portuguesa em África do Sul, se alheia dos craques, do país e da excitação circunstancial e nos envia um singelo mas sentido “abraço para Canas de Senhorim”.
Um abraço também para ti caro conterrâneo.

O presidente do GDR Adelino Mouraz em entrevista

 

No mês em que se comemora o 75º aniversário do GDR Canas de Senhorim, apresentamos a entrevista ao seu actual presidente. A equipa do MSZone, aqui publicamente, agradece ao Sr. Adelino Mouraz a sua disponibilidade. O nosso muito obrigado.


Ponto 1 - Situação Económica
 
MSZ - Qual o orçamento anual do GDR?
A Mouraz- O orçamento esta época será idêntico ao da época anterior. Apresentámos contas em Assembleia Geral aos nossos associados, tendo essas contas sido aprovadas por unanimidade. Os sócios se realmente estivessem interessados estariam presentes em tal assembleia, e a todos aqueles que por qualquer motivo não estiveram presentes a direcção disponibilizará essas informações.

MSZ - Deste, qual a dependência de dinheiros públicos?
A Mouraz- Tal como todos os clubes do conselho sempre dependemos dos dinheiros públicos. Sem esses subsídios não é viável manter a estrutura de qualquer clube seja ele qual for.

MSZ - Os apoios da C. M. Nelas aos clubes de futebol do concelho deram alguma polémica no verão passado. Quer explicar aos sócios e simpatizantes do GDR quais os critérios para auferir subsídios da C. M. Nelas?
A Mouraz- Os critérios para auferir dos subsídios da Câmara Municipal de Nelas são os mesmos utilizados à muitos anos. No inicio de cada época futebolística a Câmara atribui subsídios às equipas de futebol do concelho, assim como em determinada altura do ano faz o mesmo em relação a outras instituições e colectividades, tais como Associações carnavalescas, Ranchos Folclóricos, etc.
MSZ - Sabemos que os próximos tempos não irão ser fáceis. Como pensa gerir financeiramente o clube?
A Mouraz- Nos tempos em que estamos nada é fácil, e este clube tal, como outros, e outras associações, esperam cada vez tempos mais difíceis. Espero geri-lo financeiramente tal como o fiz sempre que estive á frente dos destinos do clube, com muito rigor financeiro, tendo como lema “não gastar mais do que aquilo que realmente podemos gastar”
MSZ - Qual o peso do futebol sénior no total anual dos gastos do clube?
A Mouraz- No patamar onde nos encontramos no futebol distrital o GDR Canas de Senhorim deve ser dos poucos clubes que menos gasta com o Futebol Sénior. Sem dúvida que o Futebol Sénior dentro do orçamento do clube é o que mais gasta, mas em contrapartida também é o que gere mais receitas aos cofres do clube, e é aquele em que os sócios mais exigem a nível de resultados a todas as direcções que por aqui passam.
 
Ponto 2 – Sócios
 
MSZ - Qual o nº de sócios actual? O nº tem conhecido oscilações?
A Mouraz- O número de sócios é actualmente de 360, não tendo sofrido grandes oscilações. As pequenas oscilações prendem-se apenas com o falecimento de alguns, que serão sempre sócios no pensamento do Desportivo, e outros, porque não se identificam com alguém que está no clube, e para esses o mais fácil é deixarem de o ser. Com mentalidades destas este clube não pode alcançar patamares que alguns sócios exigem.

MSZ - Qual o peso (percentual) das quotizações para o orçamento do clube?
A Mouraz- O peso percentual das quotizações é muito baixa no orçamento do clube, ronda talvez os 10% desse mesmo orçamento, o que não invalida que essa percentagem não seja muito benéfica e importante para quem está a gerir o clube.

MSZ - O que tem sido feito para aumentar o numero de sócios?
A Mouraz- Têm sido feitas algumas iniciativas para aumentar o número de sócios, uma delas na época passada em que apresentámos aos associados a oferta de um livre transito para toda a época futebolística a quem trouxesse três novos sócios para o clube. Não fomos correspondidos em tal iniciativa, e tenho a lamentar que os amigos do clube nem sequer um novo sócio trouxeram. Parte dos sócios exigem o melhor a quem está á frente do clube, mas infelizmente nestas iniciativas eles não estão cá.
 
Ponto 3 -Estabilidade Directiva
 
MSZ - Esta direcção tem tido um inegável sucesso à frente dos destinos do GDR. Qual o segredo para contas sãs e sucesso desportivo?
A Mouraz- Sem dúvida que esta direcção a que presido há cerca de 5 anos, embora com pequenos ajustes a nível directivo, tem tido o seu sucesso. Aproveito aqui para lembrar aos sócios e amigos do clube que para a época de 2004/05 não havia quem pegasse no clube estando por esse motivo a atravessar uma crise directiva até finais de Agosto. Fui eu juntamente com o Sr. José Lima, já em inícios de Setembro, que resolvemos não deixar que o clube fechasse as portas e convidámos um grupo de pessoas que amavelmente não nos disseram que não. Com uma equipa construída há última da hora ainda nos classificámos em 4º lugar no escalão sénior da 2ª Divisão.
A época seguinte, 2005/06, já foi melhor e aí atingimos o 2º lugar, o que nos daria o acesso a disputar um lugar na Divisão de Honra com o 2º classificado da Zona Norte. Fomos os vencedores desse disputa mas infelizmente nesse ano não deu para ascendermos á Divisão de Honra.
Na época de 2006/07, aí sim, apostámos fortemente na subida de Divisão, o que com o esforço de todos fomos bem sucedidos, tendo inclusive sido Campeões Distritais na referida prova e alcançado a final da Taça Sócio de Mérito, o que nos permitiu pela 1ª vez na historia do clube estarmos na Taça de Portugal na época seguinte.
Época de 2007/08, presença na Divisão de Honra, aliás a divisão em que toda a direcção pensa ser o lugar certo para os pergaminhos deste clube. Um honroso 5º Lugar logo no ano de estreia.
2008/09, na época que está a decorrer, a nossa ambição passa por manter a classificação da época anterior (5º lugar), ou se possível fazer um pouco melhor.
Quero reafirmar, com tudo aquilo que disse, que o sucesso do GDR Canas de Senhorim nestas últimas épocas se deve ao bom trabalho desenvolvido pela actual direcção e seus colaboradores. Sobre as contas do clube, da minha parte e da parte dos meus colaboradores, todos somos da opinião de seguir o lema já descrito: “não gastar mais do que aquilo que realmente podemos gastar”.
MSZ – A recente remodelação, com a entrada de novos elementos veio dar mais dinamismo a esta direcção?
A Mouraz- Sem dúvida que com pequenos ajustes e a entrada de novos elementos houve outro dinamismo. Não quero com isto dizer que aqueles que hoje já não se encontram não foram úteis ao clube, pelo contrário, mas devido aos seus afazeres pessoais tiveram que infelizmente abandonar . Com os que estão e com aqueles que partiram eu apostaria novamente em tais pessoas para uma recandidatura. Aproveito para dizer o meu muito obrigado àqueles que comigo trabalharam e para os que actualmente fazem parte da minha equipa.
 
Ponto 4 -Equipas de Futebol
 
MSZ - Como tem decorrido esta época futebolística a nível de seniores?
A Mouraz- A época futebolística a nível sénior tem decorrido dentro daquilo que foi programado no inicio da época. Como atrás foi referido, os nossos objectivos passam por atingirmos uma classificação igual á da época transacta e se possível melhora-la.
MSZ - Está á vista de todos a excelente melhoria das equipas mais jovens. Podemos concluir que esta política de ter camadas jovens é benéfica ou se pelo contrario se torna um “fardo” financeiro para o clube!
A Mouraz- Sem dúvida que tem havido uma excelente melhoria das equipas mais jovens. Essa melhoria deve-se ao trabalho desenvolvido pelos técnicos ao longo destas últimas épocas. Aproveito para agradecer publicamente a esses técnicos o magnifico trabalho que têm desenvolvido em prol do GDR Canas de Senhorim. Sem dúvida que é muito benéfico ter camadas de formação nos clubes. Não é “fardo” nenhum, pelo contrário, é uma semente a colher pelo clube num futuro próximo.
MSZ - O GDR tem estrutura (financeira) para uma 3ª divisão nacional?
A Mouraz- O GDR Canas de Senhorim tem estruturas capazes de enfrentar uma 3ª Divisão Nacional, tal como alguns clubes que hoje lá militam. O GDR Canas de Senhorim, hoje, tem condições de trabalho de fazer inveja a alguns clubes da Divisão de Honra e até a alguns da 3ª Divisão nacional. O que falta realmente neste clube para atingir esses objectivos e esses patamares é mais apoio das “gentes desta terra”. No dia em que os canenses forem unidos em torno do clube da sua terra, sem dúvida que teremos capacidades para enfrentar esse desafio.
 
Ponto 5 - Modalidades
 
MSZ - Vê com bons olhos o GDR ter equipas em modalidades que não o futebol (se um grupo de sócios a isso se disponibilizasse)?
A Mouraz- O GDR Canas de Senhorim tinha o dever de ter outras modalidades que não só o futebol, assim as pessoas se disponibilizassem junto das direcções, dispostas a colaborar. Temos uma pista no nosso estádio que é uma das poucas do nosso distrito sem utilidade. Daqui faço um apelo aos amantes do atletismo, que venham junto da direcção e se disponibilizem a avançar com esta modalidade. Aproveito ainda para colocar esta pista à disposição das nossas escolas para que esta tenha utilidade e que seja útil aos nossos jovens.
MSZ - Já teve propostas nesse sentido?
A Mouraz- Já tivemos uma proposta na época passada, para que fosse possível o ciclismo estar representado no clube. Foi uma óptima ideia, tendo esta direcção levado à Assembleia Geral tal proposta para que esta modalidade fosse criada. Foi criada mas acabou logo á nascença.
 
Ponto 6 - Infra-estruturas
 
MSZ - Para a sua actividade o GDR tem alguma reivindicação quanto a infra-estruturas?
A Mouraz- A reivindicação que o GDR Canas de Senhorim tem feito junto das entidades competentes, além do campo de futebol pelado, tem a ver com a obra a fazer na parte da bancada coberta do Complexo desportivo. Aí esperamos num futuro próximo a construção de uma sede digna para os associados e criar condições de trabalho para as direcções e departamentos de futebol, e outros que possam futuramente fazer parte do clube.
MSZ - Para quando uma sede condigna para o desportivo? Acha possível edificá-la no complexo desportivo?
A Mouraz- A sede terá que ser nesta área a que me acabo de referir na pergunta anterior.
Para quando?
Quando as entidades competentes assim o entendam. Para uma obra desta envergadura, o clube não tem capacidades financeiras, e se não houver ajuda exterior de alguém, esse sonho não é possível de ser concretizado. Como confio nas pessoas, acredito que o sonho se torne realidade dentro de um futuro a médio prazo.
 
Ponto 7 – Outros
 
MSZ - 75 Anos são uma bonita idade. Que sente um Presidente ao olhar para o “seu” clube com esta idade?
A Mouraz- Sinto-me orgulhoso por todas as pessoas que deram o seu esforço e suor ao longo destes 75 anos em prol do GDR Canas de Senhorim. Aproveito para endereçar um convite a todos os amigos do “Desportivo” a estarem presentes no jantar de aniversário deste nosso querido clube que se realiza no próximo dia 30 de Janeiro.
MSZ - Costuma consultar o Município SportZone ou o Canas Online?
A Mouraz- Sempre que posso dou uma “espreitadela” ao Municipio Sport Zone e ao Canas Online.
MSZ - Acha possível estreitar os laços com estas plataformas virtuais com o intuito de divulgar ao público o dia-a-dia do desportivo?
A Mouraz- Enquanto presidente deste clube e sempre que pretenderem estarei disponível a dar a minha colaboração.
Aproveito para desejar a todos os amigos do GDR Canas de Senhorim um bom ano de 2009 e que, na medida do possível, continuem a apoiar este clube que bem merece e precisa da ajuda de todos para se manter dignamente no lugar que merece no desporto português.
Eduardo A Mouraz Alexandre

 

 

Sport Vale de Madeiros e Benfica

 

 


 

http://svmbfutebol.blogspot.com/

Desde Agosto de 2008 o Sport Vale de Madeiros e Benfica conta com dois espaços na Net, o blogue do SVMB em http://svmbfutebol.blogspot.com/ e o site oficial do clube em http://svmbclube.com.sapo.pt. Administrados e desenvolvidos por Daniel Monteiro preenchem uma lacuna que já se fazia sentir no espaço “internáutico”. Os pergaminhos do clube estão certamente bem entregues e a simpática localidade de Vale de Madeiros de parabéns. Felicidades para os projectos.

 

 

Saída do baú (talvez com 34 anos)

(em cima) Pedro Pais Correia, Jorge Couto, João Vieira, António "Malfeito", António Palhinha, Pedro Fernandes Pêga, António Dias, Paulo Dias, Carlos Rosa Pereira e Ângelo Andrade Marques.
(em baixo) ????, Lucília "Cila" Rodrigues, Teresa Cardoso, Otília "Tila" Póvoas, Lurdes Rosa e Soares (atrás)

Houve em tempos um homem que está connosco, mas já não está entre nós, que por pura carolice organizava provas de atletismo, costumavam ser no 25 de Abril e também a 1 de Maio… ou noutros feriados. Como as provas eram de manhã, por vezes coincidiam com a missa e o Sr. P.e Domimgos afinava que nem queiram saber…
Como pertencia ao CAT convidava sobretudo filhos dos trabalhadores da CPFE, mas se algum jovem lhe chamasse a atenção pela sua compleição fisica e prestação atlética não o deixava ficar para trás, tinha olho!!
Aqui fica […] um registo de atletas de Canas de Senhorim que levou para participarem numa prova de Atletismo em Lamego, há …talvez 34 anos!!
Esse homem chamava-se Alberto Moura mais conhecido como " Bé Moura". Aqui fica esta foto em jeito de homenagem.

Torneio quadrangular de basquetebol em 1983

Gostava de apresentar a equipa de Canas, mas não tenho essa foto. Apenas aparecem os árbitros, o Sr. Batista que era um dos treinadores do Canas e o saudoso Abílio Guerra que jogava nos juvenis e também arbitrava jogos. Na última imagem podemos ver outro saudoso amigo de Canas e do Desportivo, Carlos Maria.

Escola Eng. Dionísio Augusto Cunha, Canas de Senhorim_1983

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