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Centauro Romano
Logótipo do Canas Online
O símbolo associado ao logótipo do Canas Online foi inspirado numa peça romana que Horácio Peixoto recolheu na Quinta do Fojo, em Canas de Senhorim. Trata-se de um elemento terminal de um objecto de culto, uma pátera em bronze, taça cerimonial usada em sacrifícios nos tempos antigos. Representa um Centauro e constitui um dos poucos exemplares encontrados em território português.
Curiosidades
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Urgeiriça forever
Cenários
Não estou por dentro dos meandros da política concelhia, portanto tudo o que aqui for escrito não passará de especulação, ainda que as conjecturas possam ter algum grau de razoabilidade.
Certa é a candidatura independente do Dr. Vaz à presidência da Câmara de Asnelas e a recandidatura da actual presidente, Dra. Isaura Pedro. Se o Dr. Vaz avança às apalpadelas, Isaura Pedro parece igualmente jogar à cabra-cega. Assediada no interior do partido, por alguns inconformados que não alcançaram os “tachos” do costume, e confrontada com a possibilidade de Borges da Silva, de quem tudo se espera (mesmo que dali não saia nada), assumir, também ele, uma candidatura à presidência, Isaura Pedro vacila, numa lógica partidária que, como sabemos, não é determinante (Canas pode reequacionar todo o processo). A actual coligação pode mesmo esfrangalhar-se perante o protagonismo de alguns detractores, e consequentemente, vir a perder parte do eleitorado que a confirmou nas últimas eleições.
Quanto à oposição, o PS, na pessoa do seu novo líder, Adelino Amaral, tenta reagrupar as suas tropas, tarefa difícil, pois o velho General, mesmo derrotado, continua a minar, acenando e manobrando nos bastidores à boa maneira dos ditadores da América do Sul. José Correia não se conforma com a reforma política interna do partido (e a dele próprio) e, quem sabe, ainda terá algo a dizer. Esta é a boa notícia para Isaura Pedro, aparentemente não terá que se preocupar muito com a oposição fora do seu próprio partido.
Com quem Isaura Pedro tem que preocupar-se é com o eleitorado canense, e olhem que, ou muito me engano, ou não anda tão distraída quanto parece. É do conhecimento geral que as associações canenses têm sido contempladas com verbas reforçadas e mesmo onde ouve reduções orçamentais estas foram proporcionais, relativamente a outras associações do concelho. Jogando pelo seguro, não vá o povo esquecer-se, gizou para 2009 mais obras “pó de arroz”, como oportunamente Ana Mafalda lhes chamou no seu comentário de 15 de Agosto de 2008: ao que parece a rotunda na estrada nacional vai mesmo concretizar-se e uma boa parte do caderno de encargos apresentado pela Junta de Freguesia irá ter resposta positiva.
Os canenses que não votam cegamente no seu partido, têm uma tarefa difícil: podem alinhar com a posição, por enquanto indefinida, do MRCCS, mas ao que tudo aponta pró-Isaura, assim ela corresponda aos compromissos com a Junta até ao fim do actual mandato, circunstância que a verificar-se aliviará a posição de Luís Pinheiro e do MRCCS – caso contrário não restará outra opção que não o silêncio do líder, confrangedor, de quem, comprometido, sugere sem apontar. Esta ultima hipótese pode mesmo fragilizar definitivamente o MRCCS, Luís Pinheiro sabe disto e, sendo certo que pretende recandidatar-se à Junta, o melhor que tinha a fazer era preservar o Movimento, concorrer a título pessoal, liderando uma lista independente ou apoiado pelo PSD, como quisesse, mas desvinculando o Movimento desta gincana política onde a isenção é difícil e a unidade impossível. Se um Movimento serve para alguma coisa é para se movimentar, livre, sem peias nem ligações perigosas, o Movimento não pode estar constantemente a ser sufragado nas autárquicas, dividindo os canenses e enfraquecendo-se, o MRCCS não é sufragável.
Por outro lado os canenses podem dispersar-se entre a Dr. Isaura, o Dr. Vaz e o indefectível PS que mesmo depois de todo o aleive ainda tem os seus apoiantes (e aqui as eleições seriam um grande quebra-cabeças para toda a gente). Creio mesmo que o Dr. Vaz joga com esta possibilidade, a fidelização de um eleitorado que não se revendo na actuação da actual presidente, independentemente do propalado romance entre esta e o líder da Junta/Movimento, ceda o seu voto à alternativa possível - ele próprio - um canense, que, segundo as suas palavras, já deu provas no passado, ainda que ao futuro (de Canas) nada tenha acrescentado. Continuamos a aguardar o seu compromisso político com Canas, se é que tem algum! (claro que isto é uma provocação à coragem política do Dr. Vaz, bem sei que à leve suspeita de um compromisso, um simples passeio pavimentado em Canas, nem um único voto obteria fora da Freguesia).
Cenário menos provável, mas teoricamente possível, uma espécie de “Ensaio Sobre a Lucidez”, seria os canenses votarem maciçamente em branco ou absterem-se, talvez a posição mais coerente com os princípios de quem defende a autonomia de Canas, de grande impacto simbólico mas pouco realista, pois quer queiramos quer não, a regência continua do lado de Asnelas e muita coisa importante vai decidir-se no próximo mandato.
Não é fácil a escolha dos canenses, e provavelmente ainda haverá mais protagonistas a acrescentar ao palco político onde se irão desenrolar todos estes cenários. Uma coisa é certa, todos sabemos que seja qual for a escolha Canas continuará penando, estendendo a mão envergonhada à caridadezinha que o poder em asnelas decidir promover.
Diria que tudo isto é agonizante. Todos os cenários me parecem inúteis, destituídos de qualquer sentido. A única coisa que me anima é que o Intercidades já para em Fátima! E todos sabemos que ambos estamos no mesmo comboio. Estejamos atentos que a viagem vai ser dura e precisamos de um MRCCS forte e aglutinador.
Editorial
Podemos comover-nos de várias formas, o espectro da comoção é tão alargado que pode ir da mais simples emoção ao completo arrebatamento ou da pura alegria à irremediável tristeza. Eu, no que toca a Canas, oscilo de uma extremidade à outra, conforme as circunstâncias.
Quando penso sobre a identidade canense, não no sentido lato da expressão, não aquela identidade que resulta directamente da nossa ancestralidade, mas aquela outra que nos identifica individualmente como membros de uma comunidade, questiono-me sobre de que barro é feito o actual canense, o que lhe vai no âmago enquanto membro da comunidade e qual a relação pessoal com os outros e com a própria terra.
As ambiguidades da nossa história recente influenciaram para o bem e para o mal muitos dos elementos que determinam o comportamento vulgar dos canenses.
No século XX, com o advento da indústria, Canas recebeu no seu seio gente de todo o lado, de tal forma que se fizermos uma breve incursão ao passado dos nossos pais e avós, verificamos que a maior parte não era efectivamente canense, isto é, a moldura do actual canense não é assim tão genuína, todos nós temos um pouco de achadiços. Pode dizer-se que isso não é assim tão importante uma vez que as novas gerações nasceram cá, mas não podemos ignorar que estas novas gerações absorveram dos pais referências diversas que por certo acabaram por formar a actual “pessoalidade canense”.
A “pessoalidade canense”, se assim lhe posso chamar, tem traços bem definidos. Embora assente numa miscelânea de sentimentos e interesses arbitrários, radica predominantemente em factores como a notoriedade, o proveito e a ascensão social, não excluindo contudo outros aspectos, como o orgulho na terra e o bem estar colectivo, especialmente no que diz respeito às infra-estruturas comunitárias. De que vale ter a casa e o jardim bem arranjadinhos se a coisa pública anda pelas ruas da amargura. Digamos que projectamos na terra as nossas aspirações pessoais, sem abdicarmos da natureza individualista e das vantagens imediatas que daí podemos tirar. Não podemos esquecer que as pessoas vieram para Canas para singrar na vida, aproveitando as novas oportunidades que a indústria oferecia, com tudo o que isso implica. Assim, em traços gerais, os canenses podem revelar paixão, abnegação, iniciativa, generosidade e altruísmo, à mistura, na mesma proporção, com inveja, indiferença, vaidade e mesquinhez. E isto é transversal na sociedade canense, o próprio confronto carnavalesco sublima o espírito competitivo e exprime a tendência separatista que caracteriza esta pessoalidade. Se a isto somarmos as características beirãs que a geografia nos concedeu, como sejam a hospitalidade e aquela típica introspecção deste povo confinado entre serras, ficamos com um desenho razoável do canense comum. Mas há mais…
Com o desaparecimento das empresas que sustinham o estatuto social da vila, e o dos próprios canenses, estes interiorizaram uma sensação de perda pessoal e o pessimismo compreensível de um futuro pouco auspicioso. Esta relação é extrínseca, já não é um problema de cada um: se Canas perde, eu perco, perdemos todos. Perante a adversidade a reacção foi admirável, acrescentaram à sua natureza novos elementos, como o inconformismo e a teimosia e reformularam a forma de ser canense, aditando à sua pessoalidade um aguerrido sentimento colectivo, mais abrangente que o anterior. Sobrepôs-se à causa privada a causa pública e elegeu-se como prioridade a autonomia política da terra, considerada indispensável à consolidação de um futuro que não traísse as expectativas que lhes foram legadas por pais e avós. Em suma, os interesses particulares acabaram por alicerçar na comunidade uma forte consciência social, que de resto já lhe era familiar, não tivesse este povo raízes maioritariamente proletárias - o canense transformou-se assim num animal político, habitual residente no circo da política nacional, mas pouco dado a domesticações.
Registo uma certa alegria de sentir a minha terra e as pessoas que a habitam e que lhe dão a tónica comovente com que iniciei este texto, mesmo com situações por vezes muito pouco recomendáveis, relevando, porque humana, esta gente que, embora simpática e amiga do seu amigo, franca e de coração ao alto, pode surpreender-nos ao virar da esquina com aquela necessidade irresistível de dizer mal, de invejar o sucesso alheio, de rebaixar o semelhante, que é a pior forma de elevar a auto-estima e revela no ser humano a mais pura iniquidade.
Também eu sou canense e provavelmente reconhecível nos defeitos e virtudes identificados. É necessário reflectir sobre as nossas fraquezas para melhor compreendermos a nossa terra e percebermos afinal o que é ser canense. Talvez seja por isto que Canas me comove, afinal ela é um reflexo de mim próprio.
Dores
Desta vez doem-me os dentes e não há nenhuma razão física, palpável para que tal aconteça, portanto só posso concluir que o meu organismo reage instintivamente às atrocidades que me são indirectamente infligidas por esta política medíocre que faz da nossa terra um campo baldio, pista de treino para as mais disparatadas acrobacias camarárias: ruas e passeios constituem um verdadeiro trilho desportivo, já homologado pela Federação Nacional de Motocross, e aguardam, perante a passividade dos canenses, a inusitada prova da modalidade à qual a lama de Inverno trará emoção acrescida; os campos sobranceiros à piscina são mais exigentes do que a pista de obstáculos dos Comandos, em Sta. Margarida, e os balneários rivalizam com a ribeira do Matadouro em dia de carnificina; candeeiros destruídos, postes sem luz, paragens de autocarro danificadas, canteiros abandonados, zona industrial moribunda, tudo isto faz lembrar um cenário de guerra, à semelhança daquele que nos entra diariamente em casa via noticiário televisivo, captado lá longe, no território devastado do Iraque ou do Afeganistão.
Isto são factos, situações objectivas, os quais posso avaliar no terreno e clarificar mentalmente, o pior é quando tento interpretar estes factos à luz da razão, quando procuro justificações, motivos e intenções, quando tento perceber o emaranhado de relações políticas e sociais em que orbitamos, os combates e as cedências que protagonizamos, que rumo, que estratégia, que iniciativas. Aqui é que eu me perco, não consigo encontrar um fio condutor que una o passado ao presente, nem concebo que um povo que já deu mostras de tenacidade, enfrentando politicamente adversidades externas de peso, se vergue agora docilmente perante a incompetência da autarquia. Será complexo de (in)coerência pelo facto de nos sentirmos responsáveis pela eleição deste executivo? Se o é não tem razão de ser, pois é perfeitamente legítimo fiscalizarmos, reclamarmos e até insurgirmo-nos perante as acções de quem elegemos, assim elas não correspondam às nossas expectativas. O ónus da coerência não recai sobre o eleitor mas sim sobre quem foi eleito.
Estou doente da cabeça, diz-me o médico, e eu tento convencer-me que é verdade, que as minhas preocupações estão desfocadas, provavelmente está tudo bem, tudo isto é normal, Canas saberá encontrar o caminho da salvação e as minhas dores acabarão por desaparecer. Não é à toa que a história nos consagrou São Salvador e a tradição nos devotou Nossa Senhora das Dores.
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