
Jantar de Natal da Mega Rádio (Rest. Pelourinho, Canas de Senhorim, anos 80)
Foto Ana Mafalda, b’MCNS
(de frente) Dr. Américo, Manuel Figueiredo, Dr Alberto Reis, João Valejo, Luís Caetano, ?, ?, ?, Rojão
(de costas) Manuel Monteiro, ?, Belinha, António Dias, Ana Mafalda, Paulo Dias, ?, Helder Ambrósio, Tonito (da farmácia)

Bilhete postal a concorrer ao concurso "BOM DIA DOMINGO", 1989
Foto Horácio Peixoto
Transcrição
Para os simpáticos directores e colaboradores da Mega, a minha simpatia, a minha disponibilidade, a minha amizade e o desejo de muitos êxitos.
Assinatura: Maria Natália Miranda 15 – 02 - 88
História
"Acta da Constituição da Cooperativa Mega Rádio - Cooperativa de Rádio e Animação Cultural, C.R.L, com sede em Canas de Senhorim, nos termos do Artigo 11º do Código Cooperativo (Decreto - Lei nº. 454/80, de 9 de Outubro, e Decreto Lei nº238/81, de 10 de Agosto, e Lei nº.1/83, de 10 de Janeiro).
No dia 25 de Outubro de 1986, às 21h30m, reuniram em Canas de Senhorim, Freguesia de Canas de Senhorim, Concelho de Nelas, as seguintes pessoas:
António Manuel dos Santos Brizida Rojão
Orlando Ernesto Constâncio Vieira
Helder José Gomes Ambrósio
António José Dias dos Santos
Júlio António Soares Fernandes
Jorge Paulo Loureiro Soares
Artur Jorge Cardoso da Silva
Paulo Jorge Rodrigues Dias
António João Pais Miranda
António Manuel Esteves Figueiredo
António José Andrade da Costa
Fernando Gomes Pinto
António Brandão Gonçalves
António Luís Sampaio de Abreu Madeira
José Carlos Araújo Morgado
Luís Pedro Domingos dos Santos Caetano
A pessoa identificada em primeiro lugar, depois de proceder à identificação de todos os presentes por conhecimento pessoal e pelos respectivos Bilhetes de Identidade, que exibiram, declarou aberta a sessão desta Assembleia para constituição de uma cooperativa, que se reúne dos termos do artigo 11º do Código Cooperativo. Seguidamente, foi proposto pela mesma pessoa, Sr. António Manuel dos Santos Brizida Rojão, que se elegesse uma mesa para dirigir os trabalhos da assembleia, tendo sido eleito o próprio Sr. António Manuel dos Santos Brizida Rojão, como Presidente da Assembleia, e, como Secretários da mesa, as pessoas identificadas sob os nºs 2 e 3, respectivamente Sr. Orlando Ernesto Constâncio Vieira e Sr. Helder José Gomes Ambrósio. Constituída a Mesa, o Presidente pôs à discussão a Constituição de uma Cooperativa para associar todos os presentes e outras pessoas que posteriormente a ela se queiram associar nos termos estatutários.
E foi seguidamente apresentada à Mesa pelo Sr. Fernando Gomes Pinto uma proposta de seguinte teor:
" Por todas as pessoas que constituem esta Assembleia é constituída uma Cooperativa nos seguintes termos:
A) A cooperativa denomina-se Mega Rádio - Cooperativa de Rádio e Animação Cultural, C.R.L., conforme consta do certificado emitido pelo Registo Nacional de Pessoas Colectivas em 5 de Outubro de 1986, e tem sede em Canas de Senhorim, freguesia de Canas de Senhorim, concelho de Nelas;
B) A Cooperativa pertence ao ramo de cultura a que se refere o artigo 4º do Código Cooperativo;
C) A Cooperativa tem por objecto a produção e realização da transmissão de programas radiofónicos e, através da produção e realização de exposições, espectáculos e conferências de carácter cultural, incentivar, defender e divulgar os interesses regionais;
D) Cada uma das pessoas presentes e que constituem esta Cooperativa realizam nesta data 3 títulos de capital no valor de 500$00 cada um, ficando assim nesta data realizado o capital de 24.000$00, sendo o capital mínimo da cooperativa de 50.000$00;
E) Para o primeiro mandato que se segue à constituição da Cooperativa são designados para os Corpos Sociais as seguintes pessoas, todas presentes nesta Assembleia:
Direcção:
Presidente - António Manuel dos Santos Brizida Rojão
Vice - Presidente - Luís Pedro Domingos dos Santos Caetano
Tesoureiro - Helder José Gomes Ambrósio
Secretário - Fernando Gomes Pinto
Primeiro vogal - António Manuel Esteves de Figueiredo
Conselho Fiscal:
Presidente - António Luís Sampaio Abreu Madeira
Secretário - António José Dias dos Santos
Relator - António José Andrade da Costa
Mesa da Assembleia - Geral:
Presidente - José Carlos de Araújo Morgado
Vice - Presidente - António João Pais Miranda
Secretário - Orlando Ernesto Constâncio Vieira
(testemunhos)

[…] Existe uma primeira distinção que é preciso fazer antes de tudo começar, é preciso ter consciência que existiram duas RACs.
A primeira apareceu e funcionou em casa do Senta-aí, por cima do antigo Zé Pacato, tendo como colaborantes, o Senta-aí, o Tu-jó, Jorge Fernandes, Paulo Dias, Muchana e o Paulo Gato.
Esta sem dúvida que foi a primeira rádio pirata em Canas, eu com o carro estacionado junto à capela ouvia, porque por eles era informado.
A frequência era preciso apanhá-la procurando hoje uma onda e amanhã outra, no entanto estes miúdos (na altura) divertiam-se, e com eles se deu um grande passo para o que veio a seguir.
Com a zanga entre eles, um separou-se de todos os outros (Paulo Gato), acabando por se extinguir a primeira rádio pirata canense (a primeira RAC).
Com o avançar do tempo são criadas posteriormente mais duas rádios também piratas.
A primeira foi a MEGA RÁDIO, onde 4 dos seus “locutores” dela fazem parte, assim como o Rojão, o Hélder, Caetano, o Toninho-eu, Peixoto, transmitiu primeiro do prédio do Rojão e posteriormente da casa por cima do Caçoilo.
É criada também outra rádio pirata (2ª RAC), que foi por muito confundida com a primeira.
A segunda rádio pirata foi criada pelo Luís Pinheiro, Álvaro Couto, Josué, Paulo Gato, Serafim Ribeiro, etc, transmitiu as suas primeiras ondas de uma casa frente ao café do Zé das Máquinas e posteriormente da casa do Sr. Mateus.
Com esta “guerra” toda entre piratas, e como era precisa a sua legalização, houve tentativas de unificação, foram feitas reuniões entre todas as pessoas envolvidas, entre todos os sócios (de um lado e do outro) no entanto muita gente esteve contra, uns porque não gostavam do Luís Pinheiro e do seu staff (para ele era mais um brinquedo que depois de usado deitava fora), outros porque não sabiam como tudo isto iria acabar.
A unificação foi avante, as negociações levaram a tomadas de decisão, o nome da rádio ficou Rádio Amador de Canas (RAC) sendo a frequência 96.8 fm (a da Mega Rádio).
No entanto esta unificação nada teve de bom para a nossa terra, a rádio é legalizada, é-lhe concedido um alvará, que posteriormente é cedida a exploração para Viseu (basta sintonizar e ouvir).
Nestas negociações esteve presente o ilustre Zé Correia (Presidente da Câmara de Asnelas), pessoa idónea e sem qualquer interessa no negócio, mas interessado também em que a rádio não ficasse por cá (penso eu), a machadada foi fatal.
Como a rádio dá trabalho e não dá dinheiro (o que acredito), foi “vendida”, o brinquedo fartou as criancinhas que o quiseram trocar por outro mais atractivo.[…]
A constituição da Mega Rádio tinha por objectivo a legalização da própria rádio.
No entanto, depois deste acto, a Mega foi mais do que uma rádio, as suas actividades passaram para além da simples difusão das suas ondas.
A nível cultural está-lhe também atribuído o primeiro encontro realizado em Canas de bandas filarmónicas, esta actividade decorreu no campo de futebol de salão dos Bombeiros Voluntários.
Os canenses mais atentos devem recordar-se ( se não forem atraiçoados pela memória) desta actividade levada a efeito pela Mega Rádio tendo como coordenador da mesma o Sr. Hélder Ambrósio.
Desfilaram na nossa praça durante dois dias as mais representativas bandas filarmónicas da nossa redondeza.
Do que me recordo, a aderência dos canenses a esta iniciativa não foi das melhores, no entanto fica registado que a Mega Rádio não foi apenas uma rádio de discos pedidos, preocupou-se também em fornecer às pessoas outras actividades diferentes das normais.
As actividade realizada por esta rádio local, canense e pirata não ficaram por aqui, recordam-se do primeiro "Rally Paper Mega Rádio"?
Pois é, foi mais uma actividade levada a cabo pela "directoria" desta emissora, o Paulo Barata organizou a actividade, assessorado por mais alguns membros pertencentes à Mega, a corrida foi um sucesso, aderiram imensos concorrentes com vários prémios para distribuir pelos "vencedores".
De referir também outras actividades levadas a efeito por esta posto emissor “pirata”:
Os relatos de futebol (equipa sénior do Canas principalmente) e a cobertura de um Rally de Portugal com informação em directo e exclusivo para todos os seus fieis ouvintes.
As primeiras actividades estiveram relacionadas com o seu primeiro aniversário, existiu mesmo um programa comemorativo onde estavam assinaladas todas as actividades a desenvolver (não sei onde parará).
Como podemos concluir, as rádios que existiram em canas não tinham somente uma função (discos pedidos), tinham também a vontade de levar às pessoas algo que estas não tinham no seu dia-a-dia.
Penso que a morte anunciada da rádio levou alguma riqueza cultural que esta poderia dar a todos os canenses.
A falta de sensibilidade das pessoas fez com que este projecto ficasse por terra (quem perdeu fomos todos nós).
Com esta minha intervenção relativa a esta temática (rádios) quero apenas que as pessoas entendam que a rádio não tinha apenas uma função (informar), ela estava também a aglutinar quem gostavam de ficar culturalmente mais rico, este faceta de lazer que estava a ser oferecida fazia também (mais cedo ou mais tarde) com que as suas actividades fossem aceites por toda a população.
Só mais uma:
A RAC disputou pelo menos um torneio de futebol de salão nos bombeiros e…. venceu.
Como podem ver as rádios não foram só discos pedidos.
Foi uma pena….
Publicado por Zhulkorro no b’MCNS, a 03 e 17 de Janeiro de 2009 (adaptado)
foto gentilmente cedida por: amef
[…] queria dizer-lhe que está certo quanto à existência, composição e localização da "original" RAC, no entanto como co-fundador da saudosa "Mega" (até no nome, ao contrário do que era habitual, se destacava no extenso espectro nacional!!), queria dizer-lhe que, um grupo de pessoas, sabendo da sua existência e de outras experiências anteriores em circuito fechado, isto é, sem emissor, produzindo apenas registos magnéticos, alguns em minha posse, achando a ideia interessante, resolveu dar-lhe alguma expressão, tudo combinado na esplanada da "Galé", no meio de "finos", tremoços, amendoins e alguns camarões, após os jogos de futebol de salão que decorriam naquele verão, nas instalações dos Bombeiros, antes do encerramento da CPFE.
Resolveu-se, então, convidar os animadores e fundadores da original RAC para integrarem o Projecto Mega Rádio. Uma dessas pessoas que referiu não foi convidada e todas as outras aceitaram integrar o projecto. Inicialmente, como disse, instalámo-nos nas águas furtadas do prédio onde vivia o amigo António Brízida Rojão, onde ninguém cabia em pé, e poucos meses depois mudamos para o espaço que hoje é ocupado pelo Jornal Canas de Senhorim. Para que saiba, Helder Ambrósio junta-se ao "staff" nesta fase. O Horácio Peixoto, sempre colaborador e co-fundador, que me lembre, nunca foi lucotor mas colaborava em muitas outras coisas. Já o Antunes (Toninho iu) foi uma peça chave do projecto. Era ele o homem das electrónicas, com capacidade de montar as antenas e o emissor comprados em kit e em …Madrid.
Lembro com admiração alguns carolas que contribuiram financeiramente para tudo isto: Rojão, Figueiredo, Caetano, Ilídio, Brandão, Tó-Zé Lopes e outros, que já não me lembro mas que, concerteza, me desculparão por isso. Quanto às pessoas e à formação da "segunda via" da RAC está certo no que disse mas, queria dizer-lhe que, mais uma vêz, houve carnaval em Canas de Senhorim, fora de tempo, sim, o carnaval não dura só três dias como diz a canção mas, infelizmente, o ano inteiro. Digo-lhe mais, por tudo isto hoje não temos rádio nenhuma (e tanta falta nos fêz, na luta!!) assim como não temos, porque perdemos, outras coisas. Antes de terminar, queria dizer-lhe que o nome adoptado antes da legalização como RAC, foi "Canal 3", lembra-se? Para entender porque é que ficou finalmente com a designação "RAC", tudo teve a ver com a constituição das cooperativas: A Mega Rádio constituiu uma de raíz enquanto que a RAC aproveitou uma já existente, que detinha a também saudosa publicação quinzenal jornal "Tribuna de Canas". Como a antiguidade das cooperativas fazia parte dos critérios de selecção para atribuição de frequências (lei das rádios regionais), a "fusão" Mega-RAC concorreu com a cooperativa da …RAC. Ah! lembra-se do Pedro Vieira? Foi recrutado por mim para a Mega. Na Mega se formou e depois fez carreira na Rádio…Renascença!!!
P.S.: A sede de concelho também tinha uma rádio. Chamava-se "Rádio Club de Nelas" e não teve arte nem engenho para concorrer à única frequência disponível, mas, Canas tinha de ter duas….!!!!!!?????"
Da lista dos nomes dos presentes na reunião de constituição da Mega Rádio-Cooperativa de Rádio e Animação Cultural, constam três dos animadores da RAC "original". O meu também aparece. Mas que estranho, já foi assim há tanto tempo?
Nesta altura já "ocupávamos" o nº1 do Largo do Pelourinho. Há uma história antes disto só com cerca de metade dos intervenientes e outros que não aparecem nesta "fotografia".
@ana mafalda, a autoria do logótipo da "Mega", em tons de azul e amarelo, resultante de concurso público com prémio de 10 mil escudos para o 1º lugar, pertence ao amigo e actual arquiteto Nuno Abreu Madeira.
O destacado quadro da PT de quem fala é, como sabe, Carlos Morgado que, em parceria com os irmãos Zé e Tito Pessoa Paiva, realizavam aos sábados à tarde um programa,cujo nome agora me escapa, que possuia "alinhamento", que era cumprido ao pormenor. Um luxo.
@zhulkorro, vejo que também se lembra que a "Mega" não era uma rádo qualquer. Eu também gostava de rever o "cartaz" do 1º aniversário. Como referiu, durante um mês, sim, um mês, houve de tudo um pouco, culturalmente falando.
Destacou-se, como disse, o encontro de bandas filarmónicas do concelho (Santar, Carvalhal Redondo e Vilar Seco, que muito trabalho deram a convencer a tocar no mesmo local e no mesmo dia) e o Rally Paper. Também houve Cicloturismo e teatro, muito teatro e variedades, no "salão" dos Bombeiros. O meu amigo António M. tem tudo gravado em VHS. Espero que tenha passado para um suporte digital, senão, depois de todo este tempo….
Já agora, sabem quem é Maria Natália Miranda, não sabem? Claro que sim.
De que forma ela está associada ao carnaval, quer do Paço quer do Rossio?
Todas as gargantas dos canenses sabem, não é?
Publicado por Anjodisa no b’MCNS a 8 e 18 de Janeiro de 2009
MEGA RÁDIO, ESTAMOS ONDE SOMOS PRECISOS
(era um dos slogans da mega)
Em primeiro lugar devo informar que o alvará de uma rádio é intransmissível, isto é, não se pode vender.
Segundo
Julgo que neste momento o alvará da frequência do concelho de Nelas, 96,8, ainda pertence à RAC, ou à Cooperativa de Informação e Divulgação, Rádio Amador de Canas de Senhorim.
Se o alvará não pertencer à RAC é porque o deixaram caducar, não o renovaram.
Se o deixaram caducar os cooperantes não foram chamados para se pronunciarem sobre esta questão.
Terceiro
A exploração da frequência 96,8, como sabem, deixou de ser feita pela Cooperativa de Informação e Divulgação, Rádio Amador de Canas de Senhorim. Esta célebre terra perdeu um veículo importante da nossa identidade como um povo. A legalização da Rádio foi conquistada com muito suor, sangue e lágrimas, através da colaboração de muita gente.
Colaboraram das pessoas mais simples às mais endinheiradas. Foi feita uma campanha que não deixou indiferente o cidadão comum. Foi um gozo viver esse processo. Vivíamos horas a fio junto ao microfone. Alucinante fazer Rádio. Devo à Rádio, a minha capacidade de me relacionar com facilidade com os meus interlocutores. Essa empatia que estabeleço com as pessoas, foi formatada na Rádio.
No último passeio paroquial, quando peguei no microfone do autocarro em que viajava, ainda vivi momentos de um autêntico programa de rádio, fazendo cantar as pessoas, entrevistando, quase que estava ali em directo, de uma estrada espanhola a transmitir para Canas. Uma Senhora que se estava a deliciar com aqueles momentos fez questão de dizer que eu dava para trabalhar numa rádio. Tinha-se esquecido do passado recente, ou então já não se lembrava da minha voz. Esta minha forma de estar foi conquistada a fazer rádio. Rádio sem rede, sem gravações, sempre em directo, quer em programas musicais quer em tempos informativos. Tal como eu também muitos outros o fizeram por gosto e por amor a esta terra.
Terceiro, ponto 1
A Rádio deu-me arcaboiço para fazer notícias para a LUSA, para o JORNAL DE NOTICIAS, (com noticias sobre ministros e sobre secretários de estado e algumas delas na primeira página), sem padrinhos, para a Renascença, para outras emissoras e para outros jornais regionais, de Viseu, da Guarda e de Mortágua, para a revista REPORTAGEM, dirigida para a comunidade portuguesa espalhada pelo mundo, etc.
Quarto
Estive muitos anos envolvido na actividade radiofónica, como muitos outros canenses, mas a parte da cedência da exploração à empresa de Viseu (estação diária), passou-me ao lado. Não sei qualquer história sobre essa cedência de exploração da frequência de 96,8, mas fiquei sempre com a orelha guiada. Já justifico.
Quinto
Numa celebre Assembleia - Geral, depois de terem prometido numa reunião, havida antecipadamente, a cedência da Rádio a um ilustre Canense, viraram o bico ao prego e o que se passou antes da votação foi inqualificável. Para que não fosse cúmplice desse negócio, nesse mesmo momento, renunciei ao cargo de vice-presidente da Assembleia-geral. O Presidente da Assembleia - geral, ilustre jurista desta terra, também renunciou ao cargo. Foi um dos fundadores da RAC – Cooperativa de Informação e Divulgação de Canas de Senhorim.
Sexto
Desde essa altura até hoje, nunca mais tive notícias da Rádio Amador de Canas. O que é grave, gravíssimo. Ninguém marca Assembleias. Ninguém mais viu convocatórias. Tive um apagão. Nesta terra é assim. Não sei se a entidade que explora a frequência de 96.8 paga à RAC ou não? Quanto é que paga por mês? Não sei se as dividas que a RAC tinha, estão pagas ou não? Ninguém sabe de nada … Mas pelos vistos o tal homem de Viseu nunca mais entregou nenhum …. .
Porque é que silenciaram a Cooperativa?
Sétimo
Não quero vir aqui cobrar o trabalho que desenvolvi na RAC, como tantos outros o desenvolveram, mas era de bom - tom que alguém viesse a terreiro dizer alguma coisa, pelo menos fazer o ponto da situação aos cooperantes.
Oitavo
Tenho que realçar aqui a questão da sustentabilidade financeira da Rádio em Canas. A RAC tinha muitas dificuldades financeiras e a partir do momento em que o Estado começou a exigir determinadas normas, essas dificuldades financeiras aumentaram. Sem receitas não há possibilidade de haver qualidade e sem qualidade não há receitas. Este binómio é difícil de equilibrar numa terra que caiu no abismo desde o fecho dos Fornos e da Urgeiriça. Quando os Fornos estavam a laborar os programas de informação tinham muita qualidade. Por quem eram feitos? Eram feitos por pessoas que trabalhavam nos Fornos e na Urgeiriça, grande parte delas. Esse potencial humano desapareceu, infelizmente.
Nono
Desapareceu o potencial humano, mas antes estoiraram com o potencial económico. Quem foi que estoirou com esse potencial económico?
Décimo
Ainda sobre a RAC, devo dizer que deixei de fazer Rádio porque entendi que deveria fazer um ponto final na minha actividade hertziana. Não me incompatibilizei com ninguém. Estava cansado de nadar num mar picado. Foram muitos anos … . De Director passei para a Assembleia – Geral e estive neste Órgão Social até à dita Assembleia onde fui tremendamente injuriado.
Adivinhem por quem?
O que aconteceu à RAC, (desaparecimento) vai acontecer ao nosso Jornal. Atenção que não estou a falar em vendas, nem em fusões, nem em dissoluções, nem cisões e nem em incorporações. Em Canas são sempre os mesmos a fazer tudo. Não há renovação. Os colaboradores têm que ser renovados, para haver outro estilo, outras ideias, etc. Sangue novo faz sempre bem, logo que não esteja contaminado. A minha experiência diz-me que é mais difícil manter uma Rádio do que um jornal mensal, em ambos os casos com qualidade. Sem qualidade não vale a pena queimarmos as pestanas em longas noites e estoirar as tardes de domingo agarrado a um computador. Sem qualidade não vale a pena estoirarmos o espectro radioeléctrico de Canas de Senhorim.
Décimo primeiro
Já agora vamos aos doze. Vamos falar da Mega.
Décimo segundo
Tenho na minha posse os livros de actas da Direcção e da Assembleia da MEGA. Tenho-os guardado religiosamente, desde que terminei o processo de dissolução da MEGA, mandatado em Assembleia – Geral. Nunca mais abri estes dois livros.
A dissolução da Mega deu-me água pelas barbas. Contei com a ajuda financeira de alguns fundadores, que foi preciosa e com a colaboração de mais dois ou três especialistas, designadamente um TOC e um jurista. Obrigado a todos.
Foi este Blog que me fez abrir os dois livros e que me levou a recordar tempos freneticamente vividos e muito especiais. Havia um certo carinho na malta da MEGA. Malta fixe. Afinal já lá vão mais de vinte anos e isso não se esquece. Porque não, mais um ponto?
Décimo terceiro
Sabem porque é que o nome da Mega Rádio foi escrito em quase todos os jornais diários e semanários, publicados neste país à beira mar plantado?
Fiquem com esta pergunta e espero que haja uma alma caridosa que esclareça mais alguma coisa. Posso acrescentar mais um ponto?
Décimo quarto
Estive a falar da Mega Rádio, fundada no dia 25 de Outubro de 1986, pelas 21 horas e 30 minutos.
Hoje fico por aqui com uma grande saudade de fazer rádio.
Para matar saudades, porque é que não marcamos um jantar com a malta da Rádio? O AMEF leva os filmes das nossas actividades, cada um conta uma “estoria” e penso que entraremos pela noite dentro.
Publicado por Helder no b’MCNS a 18 Janeiro de 2009