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Data e HoraTerça-feira, 06 de Janeiro de 2009

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Centauro Romano
Logótipo do Canas Online

Centauro Romano

O símbolo associado ao logótipo do Canas Online foi inspirado numa peça romana que Horácio Peixoto recolheu na Quinta do Fojo, em Canas de Senhorim. Trata-se de um elemento terminal de um objecto de culto, uma pátera em bronze, taça cerimonial usada em sacrifícios nos tempos antigos. Representa um Centauro e constitui um dos poucos exemplares encontrados em território português.


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Nunca como agora, em Lisboa, no Porto, ou em outro lugar qualquer, fez tanto sentido ressuscitar este tipo de agremiações face à total inoperância e desleixo dos orgãos de poder local (Ver Artigo supra da Srª Maria Teresa Moural Lopes na Edição 117 do Jornal "Canas de Senhorim"). Os tempos são outros, o espírito é exactamente o mesmo….
Do local da antiga associação, com a fotografia documenta, já nada resta.

Entrevista a Rui Fonte

Rui Fonte nasceu em Águeda, a 29 de Agosto de 1978. Aos 4 anos foi para Canas de Senhorim, onde ainda mora.
É Licenciado em Animação Socioeducativa pela Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Coimbra e pós-graduado em Ciências Documentais pelo Instituto Superior de Línguas e Administração de Santarém. Actualmente, é coordenador e docente do Curso de Animador Sociocultural da Escola Profissional de Tondela e formador do Agrupamento de Escolas de Canas de Senhorim. Frequenta um Mestrado em Animação Sociocultural, na UTAD – Pólo de Chaves. Fez parte do Conselho de Redacção da Revista  bilingue "Intervenção - A Revista de Animação Sociocultural". Já escreveu com regularidade para o jornal "Canas de Senhorim". É autor dos livros “Lado Oculto da Memória” (1999); “Fragmentos” (2001); “Horas Vagas” (2006) e “B.V. de Canas de Senhorim – Bodas de Diamante” (2007) e “Qualquer” (2008).

 

O livro agora editado é uma re-edição do “Qualquer” que escreveste em 1993?
Eu nunca cheguei a editar o “Qualquer”. Apenas tinha uma versão, escrita à máquina, que mostrei a alguns amigos. Deve ter sido o primeiro texto que escrevi, com algum método, apesar de copiar bastante nessa altura. O livro que edito agora é a continuação da história escrita há 15 anos. O leitor, virando o livro do avesso, tem oportunidade de comparar ambas as formas de escrita que, espero, ter evoluído.
Fala-nos um pouco da Narrativa do “Qualquer”. O que distingue o Rui Fonte do “qualquer”? Essa pergunta tem rasteira… A primeira parte do livro, que escrevi há 15 anos, é uma parte de mim, somada ao que vivi, ao que li, ao que copiei, ao que gostaria que a minha vida fosse e a tudo o resto que me rodeava. A segunda parte, a de 2008, é biográfica. Só biográfica. 90% do que escrevo é ficção. O “Qualquer” é mais depressa o leitor que o autor.
Qual dos teus livros publicados aquele que mais te realizou?
Curiosamente, o que ainda não escrevi. Derrotado estaria se me sentisse realizado com o que escrevo. Parava por ali, a contemplar as palavras. O que escrevo não me deixa realizado. Aliás, tem a triste sina de me deixar deprimido. Cada vez menos consigo ler o que escrevo. É como ver a nossa própria imagem num filme ou a nossa voz numa gravação. Quase nunca gostamos. Leio apenas quando escrevo e quando revejo, uma só vez. Pouco mais. Depois dou a alguém, para que o corrija por mim. Edito os livros, não porque me sinto realizado, mas sim para me livrar deles, para deixarem de me perseguir no dia a dia.
Qual foi aquele em que tiveste mais feedback dos leitores?
Penso que o primeiro. Foi a surpresa. Poucas pessoas, até então, reconheciam em mim um compositor de palavras. Pensavam que só era capaz de sublinhar os livros que lia, para decorar as frases e escrevê-las nos parapeitos das janelas da escola. Mas surpreendi as pessoas, creio. Peguei nas palavras de um modo harmonioso, até conseguir contar uma estória que as pessoas gostaram de ler.
Para quando um livro sobre o “nosso” Rossio de Baixo? Nunca te sentiste impelido a tal?
Tentei fazer isso, ao escrever umas cartas, na pele de Leonor, que trocava, através deste Jornal, com o meu amigo Ricardo Santos. Eu tenho a tendência de projectar tudo o que faço para um futuro distante. A ideia era essas cartas resultarem num livro. Não foi conseguido. Ficámo-nos pela dezena de textos…
Nessas crónicas passavas, com personagens figuradas, a pente fino os anos dourados da tua (e minha) infância no “maravilhoso” Rossio de Baixo, com as aventuras do “Bando”. Este período ainda marca o que vais escrevendo?
Esse período marca o que sou, hoje. Não sinto essa influência directamente na escrita. Tudo o que sou é resultado do que fui. E isso, numa segunda dimensão, influi no que escrevo. Só assim posso sentir essa interferência que falas. Os tempos do Rossio de Baixo são tempos de cumplicidade e de amizade, que ultrapassava todas barreiras – as mesmas que hoje limitam a infância das crianças que conheço. É com orgulho que recordo e falo das brincadeiras do Rossio de Baixo e sinto-me, se certo modo, singular, por fazer parte de uma geração que teve o privilégio de andar na rua até ser noite, a jogar às escondidas, ao berlinde, ao pião ou aos três pauzinhos.
Diz-me Rui, quais as dificuldades que um jovem escritor tem para publicar? Que apoios consegues para tal? Só carolice?
Eu tive oportunidade de publicar através de uma editora, mas recusei, porque vi que não ganhava assim tanto com isso. Aliás, ainda ficava a perder. Penso que o negócio da literatura está rendido ao consumismo e recuso-me a entrar no sistema. Pelo menos, enquanto não lucrar com isso (risos). O meu método é muito simples. Escrevo e entrego directamente na tipografia, que me imprime como quero e para quando quero. Pago e vou vendendo livros, com a ajuda imprescindível da minha mãe. Quando tenho dinheiro suficiente para pagar à tipografia, abrando a pressa de vender os livros e, aí, acaba por ser um processo que vai acontecendo, quase naturalmente. Vou vendendo, até acabarem.
Tens tido boa receptividade na venda dos teus livros?
Tenho vendido tudo, graças a Deus e à minha mãe. A bem dizer, graças à minha mãe e aos leitores, que Deus nunca me comprou nenhum (risos). Estou a brincar. Reconheço que é com a força Dele que a minha mão escreve. Assim até pareço o Paulo Coelho… Dá para fazer a pergunta outra vez? (risos).
Com o livro dos 75 anos dos Bombeiros Voluntários de Canas de Senhorim iniciaste-te um estilo mais de historiador do que de poeta. Gostavas de continuar a fazer trabalhos deste género?
O livro dos Bombeiros traz-me más recordações. Vou responder a tribunal e tudo… Enfim! Gosto pouco de falar sobre ele… Contudo, penso que o meu futuro passa por escrever livros desse género. Gostava de escrever a história da minha família, por exemplo. Ou fazer investigação na área das Ciências Sociais.
Quais são as tuas referências (portuguesas ou estrangeiras)?
Quando me perguntam por escritor preferido eu tenho de inventar um nome, como se já tivesse lido tudo o que escreveu. Nunca li tudo o que um autor tenha escrito, à excepção de Pedro Paixão, talvez. A haver um, será ele o meu escritor de eleição. Gosto muito do que Paixão escreve. Mas nunca fui fã incondicional de um escritor. Prefiro apontar dois ou três livros que marcaram a minha vida: “Loucura “ de Sá Carneiro; “Perfume”, de P. Suskind; “Ensaio sobre a Cegueira”, de Saramago e “Muito Meu amor” de Pedro Paixão. Também gosto da poesia de Eugénio de Andrade e de Al Berto.
Como pessoa da cultura como avalias o panorama da oferta cultural na freguesia de Canas de Senhorim e no concelho de Nelas? O que mudarias nas politicas culturais actualmente praticadas?
Não conheço as políticas culturais adoptadas no concelho.
O que pensas do projecto da Casa da Cultura para Canas de Senhorim?
Não conheço o projecto. Contudo, é algo que se ouve há muito tempo. Penso que, a ser mais que um projecto, a ser realidade, deve-se pensar na sua sustentabilidade a longo prazo. Uma pessoa de Canas – e de qualquer lado –, antes de passar na Casa da Cultura, tem que passar na Farmácia, no Talho, na Praça, na Padaria e em muitos outros sítios. Há muito que a cultura deixou de ser de borla… Sou a favor do desenvolvimento cultural e da promoção e difusão cultural, sem dúvida. A minha formação impele-me a isso. Só que, entretanto, imaginem, em pleno séc. XXI, continuo a andar em passeios de terra batida e, muito pior do que isso, a não ter médico de família…

Um canense na República Democrática do Congo

Kinshasa – Paulo Monteiro, 37 anos, chegou ao Zaire, actual República Democrática do Congo (RDC) com apenas um ano. Parte para estudar em Portugal e regressa a Kinshasa para acompanhar a gestão do Hotel Estoril e abrir duas discotecas com o mesmo nome.
Muitos congoleses de Kinshasa, capital da RDC, não sabem onde se encontra a embaixada portuguesa, mas raros são aqueles que não conhecem o hotel, ou a discoteca, Estoril. Dois ícones sobreviventes da actual presença portuguesa na capital congolesa.Instalado num edifício construído em 1930 junto à estação de caminho de ferro, o Hotel Estoril abre as portas em 1982 numa iniciativa de Aurélio Fernandes Monteiro, português de Canas de Senhorim instalado no Congo durante a década de 60. Progressivamente o hotel impõe-se como uma referência. Viveu as piores crises que o ex-Zaire, actual RDC, ultrapassou nos últimos dois decénios, guerras e pilhagens foram por vezes o prato do dia.Em torno de uma genuína sopa Alentejana, com Rui Veloso em música de fundo, prostrados perante um magnífico embondeiro que cresceu no pátio do Hotel Estoril, Paulo, filho de Aurélio Monteiro, não esconde o orgulho quando relata a epopeia dos seus pais no Congo.O português é sua língua materna, mas expressa-se em lingala (língua dominante em Kinshasa) sem dificuldades. Conhece a mentalidade congolesa melhor que a portuguesa, Paulo Monteiro, «Paul» para os congoleses, antigo aluno dos pupilos do exército e do colégio religioso Via Sacra em Viseu, tornou-se numa das referências dos portugueses em Kinshasa.«Os portugueses são muito bem vistos aqui» e «Portugal tem muitas tradições no Congo» afirma Paulo Monteiro que lembra que «há cidades no interior que foram construídas por portugueses, que aí se instalaram, desenvolveram as suas actividades e integraram junto dos congoleses acabando por eleger o Congo como a sua segunda pátria. Já aconteceu, muitas vezes, eu ter alguns problemas com polícias, problemas que se resolvem rapidamente quando dizem: ‘ah! é português!’… eles adoram os portugueses» conta Paulo Monteiro.Em 2001 Paulo Monteiro, juntamente com a sua mãe, proprietária do Hotel Estoril, adquiriram uma parcela à entrada de Kinshasa, Beau Marché, onde construíram uma discoteca, congolesa, que também foi baptizada de «Estoril».O Beau Marché «era apenas um bairro residencial, a cinco minutos do Hotel Estoril e muito perto do centro da cidade, além de ser um ponto de passagem obrigatório de quem vem do aeroporto. Desde que abrimos a discoteca tornou-se num bairro de animação nocturna. Junto à estrada começaram a abrir pequenos bares, esplanadas, pequenos comércios que não existiam. Nós demos vida ao bairro.»«É uma discoteca tipicamente congolesa que também agrada aos europeus porém, estes não gostam muito de sair do centro da cidade, daí que nossa clientela é maioritariamente congolesa» explicou.Perante uma oportunidade que surgiu em 2006, decide adquirir uma segunda discoteca no animado bairro de Bandala, e já pretende abrir outra discoteca no centro da cidade, Gombe, mais adaptada ao gosto dos europeus de Kinshasa. Com formação universitária em engenharia mecânica, Paulo Monteiro apostou também na aquisição e aluguer de camiões, além de ser sócio da empresa de consultadoria Sei-Congo Internacional.Mesmo com toda a actividade empresarial em que Paulo Monteiro está envolvido, a comunidade portuguesa de Kinshasa é uma preocupação permanente, perante a qual não pretende ficar indiferente.Actualmente em decadência a Associação dos Portugueses de Kinshasa, Amicale, que foi gerida temporariamente por Aurélio Monteiro, acabando por ser demitido intempestivamente, encontra-se praticamente inactiva. Paulo Monteiro não esconde que está disposto a assumir a direcção e desenvolver as actividades da Amicale. Já manifestou o interesse, mas não obteve qualquer resposta.A década de 70 foi o período de ouro da Amicale. Com as pilhagens e a guerra, os portugueses foram progressivamente abandonando o país e o papel da associação foi enfraquecendo, «agora não tem dirigentes, não há nada» lamenta Paulo Monteiro que não concorda com a intenção da venda do prédio da Amicale pretendida por alguns membros.A Amicale, tornou-se num reflexo dos problemas e divisões que minam a comunidade portuguesa no Congo. Paulo Monteiro responsabiliza, em parte, a Embaixada portuguesa pela deterioração desta situação. «A Embaixada deveria ajudar mais os portugueses, mas, na minha opinião, algumas pessoas que trabalham lá colocam entraves aos portugueses» critica Paulo Monteiro. «Por exemplo a secretária, Fernanda Ramalheira, uma pessoa que me conhece desde pequeno, é alguém de competente mas, se tem alguma coisa contra os portugueses ou contra alguém, faz os seus próprios grupinhos que obtêm tudo o que querem da Embaixada e os outros simplesmente não existem». O embaixador «acaba indirectamente por ser vítima desta situação, e até talvez não saiba que tal existe» disse Paulo Monteiro.Regressar a Portugal, é uma ideia remota. Paulo Monteiro conhece profundamente a mentalidade, a sociedade e a «lógica» congolesa, e Portugal, além da vivência como estudante, tornou-se o país das férias. No entanto, conseguindo implantar em Portugal ramos de negócios à dimensão daqueles que desenvolveu no Congo, a hipótese de regresso não está excluída. Rui Neumann in Jornal Digital

Retrato de António Minhoto

 
António é o rosto dos antigos trabalhadores do urânio
 
Às sete da manhã, uma hora mais tarde na época baixa, o dia está a começar para António Minhoto. Em poucos minutos percorre de carro os escassos quilómetros que separam a sua casa, à saída de Nelas, do Quiosque Sombrinha, um café-pastelaria nas termas de Caldas da Felgueira.

 

O caminho é sempre a descer até à margem da ribeira do Pantanha, a um pulo do Mondego, muitas vezes mergulhada em espesso nevoeiro. Mas isso pouco lhe importa, pois Minhoto não é homem para se preocupar com detalhes. São muitas as horas do seu dia de trabalho, preenchidas a atender clientes e a gerir o negócio, que explora desde 1990 com a mulher. "Foi a única saída que encontrei depois de ter sido obrigado a aceitar o despedimento da Empresa Nacional de Urânio [ENU] em 1989. É o meu ganha-pão para sustentar a família com menos dificuldades", explica.


Nada do que ficou dito o distingue especialmente de tantos outros pequenos empresários. Mas António Minhoto, de 56 anos, nascido em Nelas, casado e pai de duas filhas já adultas, é um empresário diferente. Começou a trabalhar muito cedo, foi a maior parte da vida um "trabalhador indiferenciado" - a expressão é sua - e é hoje um homem bem-sucedido com uma actividade absorvente.
 
 
No entanto, isso não o faz esquecer a situação dos antigos companheiros de trabalho na mineração. Ele tem sido o rosto mais visível de uma luta que travam há vários anos para ver reconhecidos direitos que consideram legítimos e um acompanhamento médico permanente - esta reivindicação já foi atendida pelo Ministério da Saúde -, a par da exigência de recuperação ambiental de todas as minas abandonadas quando a exploração de urânio terminou em Portugal.
 

 Um homem de causas

O último episódio deste processo, a que António Minhoto se tem dedicado incansavelmente, decorre hoje em Nisa, onde a Comissão de ex-Trabalhadores da ENU promove uma tribuna cívica para "julgar" as consequências da exploração de urânio em Portugal.

A intervenção cívica ocupa um lugar relevante no currículo de António Minhoto, que se define como "um homem de causas". Fez parte da Comissão de Trabalhadores da ENU e foi delegado sindical, integrou a comissão de segurança da empresa e foi presidente da respectiva casa de pessoal. Envolveu-se na causa pela criação do concelho de Canas de Senhorim e esteve ao lado dos que se opuseram ao encerramento do Centro de Saúde de Nelas. Depois do 25 de Abril, militou na UDP e no Bloco de Esquerda. Hoje diz-se partidariamente descomprometido.

Já depois do encerramento da ENU, cria em 2002 a associação Ambiente em Zonas Uraníferas. A partir dessa data a intervenção do antigo trabalhador do urânio torna-se mais sistemática e persistente, trazendo para as páginas dos jornais e ecrãs das televisões a realidade complexa, e por vezes dramática, dos ex-camaradas.

A combatividade de que Minhoto dá provas na intervenção cívica manifestou-se muito cedo na sua vida. Filho de uma numerosa família - oito irmãos - de trabalhadores rurais muito pobres, teve de começar aos 12 anos a ajudar os seus. "O meu primeiro emprego foi numa empresa vinícola de Nelas. Ganhava 35 escudos por mês [cerca de 18 cêntimos de euro] a acartar madeira às costas. Os meus problemas de coluna começaram aí", recorda.

 "Como uma facada"

António Minhoto foi ganhar mais dez escudos noutra empresa de vinhos, mas continuou a engraxar sapatos junto à Pensão Mangas, em Nelas. Em 1971 trocou tudo isso pelas Minas da Panasqueira. Resistiu um ano a viver em camarata e mudou de cenário - deste vez a Linha do Oeste, onde participou nos trabalhos de limpeza de via.

Aos 20 anos vem a tropa e o conhecimento dos que contribuíram para a sua politização. Só o pedido insistente da mãe o impediu de desertar, acabando com a especialidade de motorista em Luanda, onde assiste à queda do regime salazarista-caetanista em 1974. Entra para os quadros da ENU em 1976, onde faz de tudo nos 13 anos seguintes.

A saída da empresa foi difícil. "Nos primeiros anos nem conseguia vir aqui", diz com um gesto largo para designar o local de trabalho na Urgeiriça, a casa no bairro operário onde viveu nove anos, a antiga cantina, a casa do pessoal. "Chocava-me ver as coisas degradarem-se, era como uma facada. Agora já estou vacinado".

O seu percurso não deixa ninguém indiferente. Os que não partilham as suas ideias reconhecem-lhe as qualidades de "lutador". É essa a opinião de Luís Ribeiro, membro da Comissão Concelhia de Nelas do PSD.

Adelino Borges, presidente da concelhia socialista, reconhece ter "alguma admiração e amizade" por ele: "A sua qualidade mais positiva é o espírito de militância e a forma como defende as suas opiniões." Francisco Paula, administrador de uma cadeia local de supermercados, conhece Minhoto há 30 anos: "Admiro a sua persistência e a capacidade de mobilização dos colegas e dos media."

Os que lhe estão próximos não poupam elogios. Joaquim Silva, administrador de uma empresa comercial, andou com Minhoto na escola: "Fez um grande trabalho no concelho e se o pessoal da Urgeiriça tem alguma coisa é porque ele trabalhou para isso." João Marques, segundo-comandante dos bombeiros de Canas de Senhorim e antigo trabalhador da ENU, recorda um episódio elucidativo da sua coragem e capacidade de liderança: "Alguém tentou furar uma greve e o Minhoto desligou a máquina. Foi punido com 15 dias de suspensão e muitos trabalhadores quotizaram-se para lhe pagar os dias de salário."

****

Texto de (excertos) - Carlos Pessoa Jornal Público (19-10-2008)
Reportagem fotográfica - efeneto

Fonte - Urgeiriça em Peso

Feminine, com Leonor Keil

Feminine, um espectáculo de dança apresentado pela Companhia Paulo Ribeiro no Teatro Viriato em Viseu (10 e 11 de Out08)

Direcção e coreografia Paulo Ribeiro Interpretação Elisabeth Lambeck, Erika Guastamacchia, Leonor Keil, Margarida Gonçalves e São Castro Música Nuno Rebelo Assistente do coreógrafo Peter Michael Dietz Co-produção Companhia Paulo Ribeiro, Fundação Caixa Geral de Depósitos – Culturgest e IGAEM – Centro Coreográfico Galego

O coreógrafo Paulo Ribeiro apresentou um “Féminine” envolvente, num Viriato esgotado e salpicado de muitos canenses.
Cinco mulheres, uma Leonor instigante , de fartos recursos, entre o glamouroso e o animalesco, ora subtil ora desvairada, com as outras três bailarinas ao mesmo nível e uma actriz brilhante…, fizeram “desenhos” com o corpo , conflituaram ,“pensaram” um Pessoa inquieto e dançaram.
Inesquecíveis: o final em slow motion e os sapatos (altos) das bailarinas.Clap! Clap! Clap!

Ibotter

Dia 8 de Nov08 - Teatro Municipal da Guarda
Dias 22 e 23 Nov08 - Culturgest_Lisboa

 

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