Canas OnLine

A Vila de Canas de Senhorim é uma terra tipicamente beirã. Situada entre a Serra da Estrela e a Serra do Caramulo é ladeada pelos rios Mondego e Dão. A sua história remonta a tempos milenares, conforme documentam os diversos vestígios pré-históricos e romanos existentes. Foi-lhe concedida carta de foral em 1196 e em 30 de Março de 1514 o rei D. Manuel I confirma o privilégio através de novo foral, o qual confere à vila o estatuto de concelho. Em 1866 é extinto o concelho, circunstância nunca aceite pela população que ao longo do tempo tem lutado pela sua restauração >>>

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Data e HoraSábado, 31 de Julho de 2010

Cenários

Cenário Político do Concelho de Nelas

por Daniel Rodrigues*

Desconheço na realidade a maioria das conjunturas políticas existentes nos municípios portugueses, no entanto, ouso afirmar que a existente no concelho de Nelas será, sem dúvida, das que mais dores de cabeça dá aos políticos e aos eleitores. Com a questão da criação do município canense arredada de cena, e seguramente pontapeada para dias distantes, a gestão autárquica de dois povos tradicionalmente competitivos e adversários antevê-se cada vez mais complicada.
Após a significativa desilusão dos canenses com o volte face encetado por Luís Pinheiro, que sob a sigla do desenvolvimento de Canas de Senhorim tenta uma aproximação à CMN da qual os proveitos poderão ser considerados escassos, e respectiva desilusão dos nelenses pela suposta aproximação recíproca encetada por Isaura Pedro à Junta de Freguesia de Canas de Senhorim, comandada pelo MRCCS, que deu mostras de desentendimento ao longo do mandato; afiguraram-se no cenário pré-eleitoral diversas candidaturas à CMN em resultado do descontentamento geral dos eleitores (incluindo canenses e nelenses), e especialmente em Canas de Senhorim, uma candidatura independente à Junta de Freguesia que constitui a maior oposição ao MRCCS (que insiste em usar uma sigla à qual não dá uso).
Assim a diversidade está criada mas os cenários pós-eleitorais estão longe de ser resumidos e previstos.

Esses cenários pós-eleitorais que falo, são os que realmente tornam a gestão da edilidade das mais complicadas a nível nacional, senão vejamos:

1) Qualquer gestão camarária que fomente o descriminação positiva de Canas de Senhorim será alvo dos eleitores nelenses, bem como, qualquer gestão camarária que tenha Nelas por prioridade será alvo da ira do povo canense, um povo bairrista e que muitas feridas abre na autarquia, por fim, uma gestão camarária que aborda as duas vilas com igual prioridade irá concerteza gerar conflitos de ambos os lados, pois a questão central é que ambas as vilas requerem uma descriminação positiva por parte da autarquia, uma sob o cunho do hábito de desenvolvimento desenfreado à custa das restantes freguesias do concelho e a outra à custa de anos de exclusão política e financeira autárquica.

2) Uma gestão da coligação PSD/CDS antevê um cenário pós-eleitoral de boas relações com Canas de Senhorim caso Luís Pinheiro renove a sua posição nas próximas eleições, no entanto longe estará o consenso entre o povo de Canas de Senhorim, portanto não será esta a alternativa que apaziguará as terras, antevendo-se mais uma gestão vazia mas aflorada com toques de maquilhagem.

3) Uma gestão da coligação PSD/CDS com o CIM no poder de Canas de Senhorim, corre o risco de uma relação pouco frutífera, não tenha sido o CIM a verdadeira machadada no afilhado LP, o que tornará a gestão da freguesia complicada e a ameaça de cortes financeiros iminente.

4) Uma gestão do PS na autarquia continua manchada, para os lados de Canas, à custa dos seus antepassados, pelo que também será uma imprevisão a sua condução à frente da câmara, e se em Nelas poderia estar melhor lançada, esta candidatura tem pela frente o seu ex-comandante, o tão afamado José Correia! No entanto esta candidatura, ao lançar em segundo lugar um Canense, pode ter uma segunda oportunidade declarada até por canenses.

5) Se José Correia ganhasse, lá caía o carmo e a trindade, apesar da versão angelical e justiceira replicada actualmente pelo dinossauro, este cenário seria sem dúvida de animar as hostes. Vejo um lado positivo nesta possibilidade, o desencadear do processo de restauração do Concelho de Canas de Senhorim seria acelerado ainda que, tema, sob o cunho de um novo MRCCS.

6) Sexta e, não menos importante, (im)previsão. A candidatura de Vaz, um canense, se para nós canenses a vontade de ter os nossos homens na gestão da autarquia, com uma presença forte e declarada, seria imprescindível; para o povo de Nelas essa presença concerteza irá afigurar-se como uma gestão favorável a Canas e poderá obter poucos créditos. Esta talvez seja a opção que mais créditos pode dar a Canas de Senhorim, na eventualidade do CIM conquistar a Junta, a relação entre Vaz e CIM antevê-se produtiva.

Poderia discutir ainda mais situações que são passíveis de acontecer após as eleições autárquicas, todas elas baseadas no carácter das populações do concelho que teimam em ser irrepreensíveis e lutadoras. Qualquer gestão da autarquia será criticada e qualquer uma delas terá muitas dores de cabeça ao longo do mandato e difícil será aquela que consiga a recondução num futuro mandato. Tudo isto torna o Concelho de Nelas instável e incapaz de um desenvolvimento sustentado estando constantemente em rodopio e controvérsia política.

Na base de tudo isto estão questões que dificilmente serão resolvidas por qualquer uma das possibilidades de gestão:

1) A vontade do povo canense de ser concelho;
2) A vontade de Nelas de se assumir como a vila mais desenvolvida do concelho e atrair para si todo o investimento e mediatismo do “Coração do Dão”;
3) A vontade do povo canense de sofrer uma descriminação positiva ao nível do investimento camarário que é uma pedra no sapato de qualquer edil;
4) A pressão do povo de Nelas para a não-descriminação positiva para Canas de Senhorim;
5) O bairrismo dos Santarenses que não se excluem da luta pelo seu direito ao desenvolvimento no seio do município, alcançando um lugar de relevo;

Tudo isto para dizer de uma forma muito superficial que me preocupa o panorama político do Concelho de Nelas e que não se antevê estabilidade num futuro próximo. Quem perde?
Perdem todos os residentes no concelho, perdem todos os seus trabalhadores, perdem todas as suas famílias. Porquê?
Porque o desenvolvimento sustentado e equitativo do concelho que deveria acontecer em 4 anos, acontece na realidade em 12 anos ou mais e carregado de desigualdades e descriminação das suas populações.

O concelho de Nelas podia ombrear com o concelho de Tondela não fosse a gestão autárquica dos últimos anos escabrosa e baseada em pressupostos eleitoralistas, Nelas não pode olhar só a si própria como Canas na eventualidade de convivência futura no município terá que contribuir para uma relação produtiva e justa no desenvolvimento do concelho, desde que a gestão do mesmo se torne inclusa, igualitária e justa a todos.

* 26AGO2009, em http://masporque.wordpress.com/eu/

Abandono crónico

Balanço

por Alexandre Borges

Sou um individuo tendencialmente distraído e, portanto, relativamente desinformado das "pequenas" questões que andam arredadas dos media mas, em tempos, ouvi falar de um caderno de encargos negociado entre a Junta de Freguesia de Canas e a Câmara de Nelas para a freguesia.

Não sei, sinceramente, quais foram os pontos incluídos nesse documento, mas acredito que ele exista. Acredito também que esses pontos devem ser alguns e que os nomeadamente infraestruturas e pequenas obras estejam incluídas. Obras essas que em muito poderiam melhorar a nossa qualidade de vida, dado Canas ter estado arredado há décadas de qualquer actividade de iniciativa camarária digna de relevo. A diferença, para melhor não seria difícil de marcar, portanto. Como disse desconheço, totalmente, os termos desse acordo e, até, se o mesmo foi negociado antes ou depois das últimas autárquicas mas tenho, naturalmente, os meus palpites.

Bem sei que o actual executivo tem apoiado de forma mais significativa algumas instituições Canenses, concretamente os Bombeiros (caso que naturalmente conheço), mas também sei que o que vi prometido, em diversas entrevistas e pessoalmente - uma descriminação positiva em relação a Canas - é uma miragem, continuando a descriminação a ser negativa em relação às oito freguesias que não a de Nelas, também no que às Instituições diz respeito. Escapa, talvez, Santar. Mérito a quem o consegue.

Canas sofre à décadas de abandono crónico. Foi-nos prometido, não só a inversão dessa "política" mirrante, mas uma atenção especial, uma espécie de mimo, em jeito de rebuçado e para recuperar algum do tempo perdido. Obra.

O que é que se verifica hoje, a pouco mais de meio ano das próximas eleições é que o desenvolvimento da sede da freguesia e das restantes localidades passa por a colocação de passeios e pouco mais. Nada de vias estruturantes, nada de saneamento básico, nada de criação de emprego, nada recuperação de património, nada de cultura. Apoios pontuais aqui e ali é o que temos (concretamente com as cousas do Senhor - não vá o diabo tece-las). Estamos melhor? Estamos. Estamos bem? Não, estamos mal, na minha opinião.

Seria importante fazer um apanhado do que foi prometido e do que está cumprido para que todos, de forma clara, entendamos aquilo que fomos e somos na pirâmide de importância de quem nos representa e dirige e qual o papel da Junta, da Câmara e do povo neste abandono.

http://caniteaguda.blogspot.com/

As crianças não dão votos!!!

Hoje deu-me para retirar este pequeno texto do programa do nosso Governo:

I. MAIS E MELHOR EDUCAÇÃO
1. Educação de infância, ensino básico e ensino secundário
2. Apostar em mudanças estruturais, para conseguir a educação de qualidade para todos
3. Superar o atraso educativo português face aos padrões europeus, integrar todas as crianças e jovens na escola e proporcionar-lhes um ambiente de aprendizagem motivador, exigente e gratificante, melhorar progressivamente os resultados, fazendo subir o nível de formação e qualificação das próximas gerações, tudo isto constitui uma urgência nacional."

 

Depois de ponderar, decidi tirar e editar estas fotos do Jardim de Infância de Canas de Senhorim. (Estas fotos foram tiradas do exterior do infantário sem o conhecimento das educadoras ou funcionários).

Para quem não sabe abriu uma segunda sala no infantário há cerca de 3 anos, e por incrível que pareça a Câmara Municipal apenas contribuiu com umas cadeiras e umas mesas, faltando material didáctico para a aprendizagem das crianças. Durante 3 anos as crianças foram evoluindo graças ao apoio material e financeiro de alguns Pais e Educadores.

Estas duas fotos, bom estas duas é mesmo para rir! Esta obra foi feita pela câmara, é uma caixa de areia. Para quem não sabe o que é eu explico: abriram um buraco no chão e colocaram areia lá dentro, com a chuva e 3 ou 4 dias de brincadeira dos miudos a dita caixa de areia ficou como se vê! Então não se devia fazer um aro a toda a volta do recinto?

 



Quanto às novas tecnologias, estes miudos nem estão muito mal, uma aparelhagem usada dada pelos Pais de uma criança - umas vezes trabalha outras não!- uma televisão usada e um dvd emprestado ou dado pela Educadora.

 


Esta foto apesar de não ser bem visível, retrata o estado da pintura do interior do edifício. Neste caso a Câmara já quis pintar, embora fosse no início do ano lectivo, é óbvio que com tanto tempo a altura não era a melhor - quiseram no Natal - mais uma data desajustada, agora é esperar para ver!

 


Estas fotos retratam bem o estado de degradação do chão da sala.

Voluntariado

Como estamos em maré de falar do passado, aqui vai mais uma homenagem, desta vez ao Senhor Padre Domingos e a muita gente anónima, que na nossa terra pratica o bem. Pessoa atenta verificou que era necessário ajudar alguns idosos menos protegidos pela sorte e assim nasceu o Centro de Dia. Este apenas funcionava durante a semana. E como ajudar quem dele precisava ao fim-de-semana?
Deitou as mãos à obra, como se costuma dizer, e pediu ajuda a um grupo de senhoras voluntárias que aos sábados e domingos iam a casa desses idosos levar-lhes o almoço. Apesar de poucas pessoas saberem, em Canas este grupo de voluntariado continua a existir. Ao longo dos anos muitos entraram, muitos saíram, mas o grupo continua. Pessoas que uma vez, todos os meses, “ perde” pouco mais de meia hora do seu fim-de-semana para ajudar os outros! Este grupo faz apenas um pequeno gesto que significa muito para muitos idosos. A sua função é levar o almoço aos fins-de-semana e feriados às pessoas mais idosas e necessitadas da nossa paróquia.
Numa edição de 2005, do Jornal Canas de Senhorim, está escrito que havia apenas 7 pessoas a serem auxiliadas por 27 voluntários. Hoje os números são outros. Há pessoas na Lapa do Lobo, em Vale de Madeiros, pessoas em Canas de Senhorim e na Urgeiriça, ao todo são umas 20 pessoas que são ajudadas por apenas 50 voluntários. Mas já foi necessário ir até à Póvoa, a Carvalhal e à Aguieira. Tendo em conta que cada voluntário apenas vai uma vez por mês, ou seja, por exemplo, no primeiro sábado ou no primeiro domingo e assim sucessivamente, conforme o calendário que está elaborado, seriam precisos, se cada um levasse o almoço, apenas a um idoso ou a um casal, uns 32 voluntários por fim-de-semana ou 128 voluntários por mês sem contar com os feriados ou meses com 5 semanas. Neste momento há voluntários a levaram o almoço a 3 e 4 pessoas! Não é só o levar o almoço, é também uma palavra de carinho e de conforto para as suas tristezas!
Enganem-se se pensam que são só pessoas ligadas à Igreja que participam neste voluntariado. Há homens e mulheres, pessoas católicas praticantes, pessoas que mal frequentam a igreja, formadas e não formadas, mais velhas e mais novas! Existe um pouco de tudo nesta faceta mais humanitária de Canas que não é visível!
Como conseguem perceber pelo texto, este grupo está sempre aberto a qualquer tipo de reforços e, pensando bem, é apenas o tempo de tomarmos um café sentados numa esplanada uma vez por mês…
Acreditem que o sorriso, as histórias de vida, os lamentos que por vezes se vão ouvindo dos nossos idosos valem o tempo que com eles passamos.

Se estiver interessado em pertencer a este grupo ou se quiser mais algumas informações contacte-me através do meu mail

Entrudo

E… E aí está o Carnaval!…

Canas de Senhorim em festa desde a passagem do ano com os pisões (que não se metem), as paneladas (que não se atiram), “as mascaradas” (que não se vêm)… Salvam-se, por ventura, os desfiles do Rossio e do Paço, seus carros alegóricos, “as batatadas” e o Enterro do Entrudo… Claro que já esqueci “as farinhadas”, os “Compadres e as comadres” e outras cosias que tais…
Mas, não deixa de ser um, diria até, “o” Carnaval… O nosso Carnaval! Onde se discute quem ganhou o despique, se ele é com ou sem som, se o Paço passa ou não passa… Onde o Rossio tenta ter carros como o Paço e o Paço julga fazer frente à marcha ao Rossio… Depois há os bailes, em separado pois então, na Praça o do Rossio, nos Bombeiros o do Paço, assim manda a tradição… Uma tradição que agora também passa por atirar balões de urina na Segunda Feira das Velhas…
Sim!… Aí temos mais um Carnaval!… Agora com mais dinheiro, mas ainda muito abaixo de outros, mas o dinheiro também prejudica o voluntariado, a carolice, a entrega… Contudo, dirão alguns, o Carnaval tem de começar a ser mais profissional, organizado por instituições supra bairristas, mas era preciso que eles aceitassem, já que o diálogo parece sempre ser difícil, com desconfianças mútuas, muitas vezes fundadas!…
Venha de lá então esse Entrudo
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