A 01 de Julho de 2003 Canas renascia
A 01 de Julho de 2003 Canas viveu uma alegria inesquecível, quando a AR aprovou o diploma da criação do concelho. Passados seis anos e após o inusitado veto do então PR, Jorge Sampaio, Canas ainda não reencontrou um rumo bem definido na luta pela restauração do concelho.
Com o levantamento do boicote eleitoral e a constituição de listas para formalizar as candidaturas à JF, voltaram as divisões internas e um mau estar generalizado, uma inevitabilidade bem aproveitada pela actual presidente da câmara de Asnelas, Isaura Pedro, que vê assim o seu discurso político unificador facilitado.
Em última análise as divergências internas desgastam os canenses, desacreditam o processo reivindicativo e comprometem as nossas aspirações. Só uma liderança forte dentro do Movimento, equidistante dos partidos e das forças políticas internas, voltada portanto para o exterior, poderia eventualmente relançar Canas no projecto municipalista.
De qualquer das maneiras essa liderança seria para já uma reserva, uma instância apartidária que representaria os interesses da comunidade no contexto da emancipação, e que aproveitasse todas as oportunidades para exercer pressão junto do poder instituído, fosse ele qual fosse. E digo reserva porque as tendências e circunstâncias políticas nos são de todo desfavoráveis, mesmo que o PSD ganhe as legislativas e Isaura Pedro perca para Adelino Amaral (pouco provável) o momento de crise que atravessamos, os novos protagonistas da política nacional e o abandono da revisão administrativa do país, deixam adivinhar muito pouco espaço de manobra aos canenses que ainda pelejam.
Penso que seria bom para todos que de uma vez se limpassem as águas, que o Movimento canalizasse as suas energias para o que efectivamente está talhado, a restauração do concelho, actuando fora do plano interno, e que o espaço da política local fosse ocupado pelos partidos e pelos cidadãos que reconhecem nestas instâncias algum espaço de reivindicação ao nível do investimento e das infraestruturas.
Os responsáveis do Movimento sabem que as circunstâncias não são as de 2005, e sujeitam-se a que a evidência lhes seja imposta nas urnas pelos canenses. Seria ultrajante para todos aqueles que com o seu trabalho e determinação levaram o Movimento tão perto dos seus intentos (como aconteceu a 1 de Julho de 2003) verem-se agora desautorizados pela própria população que os apoiou.
Já o disse em tempos e volto a repeti-lo agora, o MRCCS não se deve sujeitar a plebiscitos noutro contexto que não seja o da sua própria razão de existir.
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