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Data e HoraTerça-feira, 06 de Janeiro de 2009

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Centauro Romano
Logótipo do Canas Online

Centauro Romano

O símbolo associado ao logótipo do Canas Online foi inspirado numa peça romana que Horácio Peixoto recolheu na Quinta do Fojo, em Canas de Senhorim. Trata-se de um elemento terminal de um objecto de culto, uma pátera em bronze, taça cerimonial usada em sacrifícios nos tempos antigos. Representa um Centauro e constitui um dos poucos exemplares encontrados em território português.


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Nada melhor para promover Canas pelo Mundo do que um site acabadinho de fazer! Juntamente com uma ida à Praça da Alegria na próxima terça-feira! Assim está lançado mais um projecto canense na web! Felicidades para a Bernardete! Visitem o Site!

Entrevista à Dr.ª Gertrudes Branco, do IGESPAR ( a propósito da destruição de património arqueológico na Villa Romana do Fojo)

A Villa Romana do Fojo, esta foi alvo de uma lamentável acção de afectação, cujos estragos considero não serem irremediáveis, e cujas medidas de minimização estão a ser equacionadas
 
 
A propósito da destruição de vestígios arqueológicos na “Villa Romana do Fojo” O “Canas de Senhorim” ouviu a Dr.ª Gertrudes Branco, Arqueóloga do IGESPAR, que em representação daquela entidade vistoriou o local
 
Tendo o Igespar efectuado uma vistoria à "Villa Romana" do Fojo, na sequência de várias denúncias sobre a iminente destruição total de um sitio arqueológico inventariado, com que cenário se deparou?
 
A minha deslocação à "Villa Romana" do Fojo surge na sequência de vários contactos que testemunharam a existência de obras nas imediações deste sítio arqueológico. De referir que um desses contactos chegou-nos através de uma técnica do Gabinete de Planeamento e Urbanismo da Câmara Municipal de Nelas que, ciente da gravidade situação, se disponibilizou a reunir comigo no local, com o objectivo de, conjuntamente, equacionarmos uma solução com vista à minimização dos impactes já ocorridos, e à salvaguarda da restante área arqueológica. Quando cheguei ao local deparei-me com um estradão aberto recentemente, colmatado com um tapete betuminoso, em cujas proximidades eram visíveis vários blocos pétreos, assim como montes de terra onde sobressaiam materiais arqueológicos, nomeadamente, cerâmica de construção de cronologia romana (tegulae).
 
Como descreveria, em termos científicos, os estragos provocados neste sítio arqueológico? Os estragos foram irremediáveis?
 
Devo salientar que a minha deslocação ao local teve como objectivo principal averiguar uma denúncia e reunir informações que me permitissem impedir a destruição de um sítio arqueológico. No âmbito desta acção é de todo impossível fazer uma avaliação
Científica dos estragos. Contudo, com os elementos que recolhi, e com o conhecimento que possuo do local, atrevo-me a afirmar que a afectação foi marginal, relativamente núcleo do habitat, tornando os estragos lamentáveis mas não irremediáveis.
 
 
Na sua opinião o que falhou neste processo? O Igespar não deveria ter sido consultado antes do arruamento ter sido licenciado pela Câmara Municipal?
 
Não gostaria de colocar as questões em termos de falha, gostaria antes de salientar que a sensibilização para a protecção do património arqueológico é um processo em construção que deve envolver as diferentes tutelas, nomeadamente, o IGESPAR e as Câmaras Municipais. Contudo, este é um processo longe de estar terminado e, como tal, existem erros, ajustes e acertos que ocorrem ao longo do percurso, dos quais se deve tirar as respectivas ilações. Sim, quando atingirmos a situação ideal, para a qual trabalhamos todos os dias, qualquer processo de licenciamento para um sítio arqueológico, ou sua proximidade imediata, deve recolher parecer do IGESPAR.
 
É sabido que irão ser efectuados trabalhos de diagnóstico no sítio arqueológico por uma equipa de técnicos especializados, a expensas do promotor. Já existe algum calendário para a execução destes trabalhos?
 
Posso confirmar esta informação referindo que a mesma já foi transmitida à Câmara Municipal de Nelas para que a possa transmitir, sobre a forma de condicionante, ao dono de obra. Contudo, ainda não existem datas previstas para o início dos trabalhos arqueológicos, que devem recolher autorização do IGESPAR.
 
Que outras acções foram acordadas com a Câmara Municipal?
 
Este episódio que, infelizmente, ocorreu, não veio despoletar acções específicas de protecção sobre o património arqueológico concelhio. Pelo contrário, veio reforçar a importância das medidas que, neste momento, estão a ser equacionadas, nomeadamente,
ao nível da revisão dos actuais Planos Directores Municipais (PDM). Penso não estar a cometer qualquer inconfidência, pelo contrário, gostaria de alertar os cidadãos para a importância deste instrumento de gestão municipal, dizendo que o PDM de Nelas está em processo de revisão. Esta versão, quando aprovada, deverá conter uma Carta de Património onde constam todos os sítios de interesse arqueológico existentes no concelho de Nelas, com artigos de salvaguarda, em Regulamento, de forma a evitar
 afectações sobre o património arqueológico conhecido. Exemplificando, quando um cidadão solicitar o licenciamento de um projecto à Câmara Municipal, o técnico camarário deverá confrontar a parcela de terreno a afectar, com a Carta de Património anexa ao PDM, transmitindo ao cidadão as condicionantes de salvaguarda ao património arqueológico. Esta é a uma forma de serviço público, o cidadão fica bem informado, pode planear em consciência o desenvolvimento do seu projecto, e o património fica bem protegido.
 
Na sua opinião de técnica de arqueologia o que poderia ser alterado, em termos legislativos, para reforçar a protecção deste património?
 
No âmbito da minha experiência devo dizer que a protecção do património não se prende, necessariamente, com alterações legislativas, mas com o reforço dos meios necessários ao bom cumprimento dos preceitos legislativos existentes. Voltando ao exemplo da "Villa Romana" do Fojo, esta foi alvo de uma lamentável acção de afectação, cujos estragos considero não serem irremediáveis, e cujas medidas de minimização estão a ser equacionadas. Contudo, esta afectação só foi detectada porque se tratava de um sítio inventariado e conhecido da bibliografia. Podemos questionar quantos outros sítios, tão ou mais importantes, que para nós permanecem desconhecidos, se deparam com acções diárias de irremediável destruição? A identificação, registo e inventariação de sítios arqueológicos é um dos principais pressupostos à sua protecção. Este encontra-se consagrado na lei, como uma das atribuições das Câmaras Municipais. Não se trata de uma questão de lei, mas da falta de meios materiais, humanos, e financeiros para a colocar em prática.
 
 
Quer deixar alguma mensagem aos leitores sobre a importância da preservação destes vestígios arqueológicos?
 
Aos leitores eu gostaria de deixar, sobretudo, duas mensagens. Primeira, enquanto cidadã, gostaria de dizer que não obstante ter falado neste entrevista de património concelhio, ou de tutela, o património arqueológico é um bem que a todos pertence, constitui parte da memória colectiva de um Povo. Existem tutelas, mas também existem cidadãos que devem usar o direito de proteger o que SEU. Cada vez que se destrói um vestígio arqueológico, destrói-se um bocadinho da História que somos todos nós. Segunda, enquanto técnica de arqueologia ao serviço de uma administração publica,permitam-me defender a noção de serviço publico, na verdadeira ascensão da palavra, de disponibilidade para com o cidadão que nos procura, tentando esclarecer e resolver as questões com que nos deparamos diariamente, com a máxima celeridade possível.
 
 
 

Entrevista a Rui Fonte

Rui Fonte nasceu em Águeda, a 29 de Agosto de 1978. Aos 4 anos foi para Canas de Senhorim, onde ainda mora.
É Licenciado em Animação Socioeducativa pela Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Coimbra e pós-graduado em Ciências Documentais pelo Instituto Superior de Línguas e Administração de Santarém. Actualmente, é coordenador e docente do Curso de Animador Sociocultural da Escola Profissional de Tondela e formador do Agrupamento de Escolas de Canas de Senhorim. Frequenta um Mestrado em Animação Sociocultural, na UTAD – Pólo de Chaves. Fez parte do Conselho de Redacção da Revista  bilingue "Intervenção - A Revista de Animação Sociocultural". Já escreveu com regularidade para o jornal "Canas de Senhorim". É autor dos livros “Lado Oculto da Memória” (1999); “Fragmentos” (2001); “Horas Vagas” (2006) e “B.V. de Canas de Senhorim – Bodas de Diamante” (2007) e “Qualquer” (2008).

 

O livro agora editado é uma re-edição do “Qualquer” que escreveste em 1993?
Eu nunca cheguei a editar o “Qualquer”. Apenas tinha uma versão, escrita à máquina, que mostrei a alguns amigos. Deve ter sido o primeiro texto que escrevi, com algum método, apesar de copiar bastante nessa altura. O livro que edito agora é a continuação da história escrita há 15 anos. O leitor, virando o livro do avesso, tem oportunidade de comparar ambas as formas de escrita que, espero, ter evoluído.
Fala-nos um pouco da Narrativa do “Qualquer”. O que distingue o Rui Fonte do “qualquer”? Essa pergunta tem rasteira… A primeira parte do livro, que escrevi há 15 anos, é uma parte de mim, somada ao que vivi, ao que li, ao que copiei, ao que gostaria que a minha vida fosse e a tudo o resto que me rodeava. A segunda parte, a de 2008, é biográfica. Só biográfica. 90% do que escrevo é ficção. O “Qualquer” é mais depressa o leitor que o autor.
Qual dos teus livros publicados aquele que mais te realizou?
Curiosamente, o que ainda não escrevi. Derrotado estaria se me sentisse realizado com o que escrevo. Parava por ali, a contemplar as palavras. O que escrevo não me deixa realizado. Aliás, tem a triste sina de me deixar deprimido. Cada vez menos consigo ler o que escrevo. É como ver a nossa própria imagem num filme ou a nossa voz numa gravação. Quase nunca gostamos. Leio apenas quando escrevo e quando revejo, uma só vez. Pouco mais. Depois dou a alguém, para que o corrija por mim. Edito os livros, não porque me sinto realizado, mas sim para me livrar deles, para deixarem de me perseguir no dia a dia.
Qual foi aquele em que tiveste mais feedback dos leitores?
Penso que o primeiro. Foi a surpresa. Poucas pessoas, até então, reconheciam em mim um compositor de palavras. Pensavam que só era capaz de sublinhar os livros que lia, para decorar as frases e escrevê-las nos parapeitos das janelas da escola. Mas surpreendi as pessoas, creio. Peguei nas palavras de um modo harmonioso, até conseguir contar uma estória que as pessoas gostaram de ler.
Para quando um livro sobre o “nosso” Rossio de Baixo? Nunca te sentiste impelido a tal?
Tentei fazer isso, ao escrever umas cartas, na pele de Leonor, que trocava, através deste Jornal, com o meu amigo Ricardo Santos. Eu tenho a tendência de projectar tudo o que faço para um futuro distante. A ideia era essas cartas resultarem num livro. Não foi conseguido. Ficámo-nos pela dezena de textos…
Nessas crónicas passavas, com personagens figuradas, a pente fino os anos dourados da tua (e minha) infância no “maravilhoso” Rossio de Baixo, com as aventuras do “Bando”. Este período ainda marca o que vais escrevendo?
Esse período marca o que sou, hoje. Não sinto essa influência directamente na escrita. Tudo o que sou é resultado do que fui. E isso, numa segunda dimensão, influi no que escrevo. Só assim posso sentir essa interferência que falas. Os tempos do Rossio de Baixo são tempos de cumplicidade e de amizade, que ultrapassava todas barreiras – as mesmas que hoje limitam a infância das crianças que conheço. É com orgulho que recordo e falo das brincadeiras do Rossio de Baixo e sinto-me, se certo modo, singular, por fazer parte de uma geração que teve o privilégio de andar na rua até ser noite, a jogar às escondidas, ao berlinde, ao pião ou aos três pauzinhos.
Diz-me Rui, quais as dificuldades que um jovem escritor tem para publicar? Que apoios consegues para tal? Só carolice?
Eu tive oportunidade de publicar através de uma editora, mas recusei, porque vi que não ganhava assim tanto com isso. Aliás, ainda ficava a perder. Penso que o negócio da literatura está rendido ao consumismo e recuso-me a entrar no sistema. Pelo menos, enquanto não lucrar com isso (risos). O meu método é muito simples. Escrevo e entrego directamente na tipografia, que me imprime como quero e para quando quero. Pago e vou vendendo livros, com a ajuda imprescindível da minha mãe. Quando tenho dinheiro suficiente para pagar à tipografia, abrando a pressa de vender os livros e, aí, acaba por ser um processo que vai acontecendo, quase naturalmente. Vou vendendo, até acabarem.
Tens tido boa receptividade na venda dos teus livros?
Tenho vendido tudo, graças a Deus e à minha mãe. A bem dizer, graças à minha mãe e aos leitores, que Deus nunca me comprou nenhum (risos). Estou a brincar. Reconheço que é com a força Dele que a minha mão escreve. Assim até pareço o Paulo Coelho… Dá para fazer a pergunta outra vez? (risos).
Com o livro dos 75 anos dos Bombeiros Voluntários de Canas de Senhorim iniciaste-te um estilo mais de historiador do que de poeta. Gostavas de continuar a fazer trabalhos deste género?
O livro dos Bombeiros traz-me más recordações. Vou responder a tribunal e tudo… Enfim! Gosto pouco de falar sobre ele… Contudo, penso que o meu futuro passa por escrever livros desse género. Gostava de escrever a história da minha família, por exemplo. Ou fazer investigação na área das Ciências Sociais.
Quais são as tuas referências (portuguesas ou estrangeiras)?
Quando me perguntam por escritor preferido eu tenho de inventar um nome, como se já tivesse lido tudo o que escreveu. Nunca li tudo o que um autor tenha escrito, à excepção de Pedro Paixão, talvez. A haver um, será ele o meu escritor de eleição. Gosto muito do que Paixão escreve. Mas nunca fui fã incondicional de um escritor. Prefiro apontar dois ou três livros que marcaram a minha vida: “Loucura “ de Sá Carneiro; “Perfume”, de P. Suskind; “Ensaio sobre a Cegueira”, de Saramago e “Muito Meu amor” de Pedro Paixão. Também gosto da poesia de Eugénio de Andrade e de Al Berto.
Como pessoa da cultura como avalias o panorama da oferta cultural na freguesia de Canas de Senhorim e no concelho de Nelas? O que mudarias nas politicas culturais actualmente praticadas?
Não conheço as políticas culturais adoptadas no concelho.
O que pensas do projecto da Casa da Cultura para Canas de Senhorim?
Não conheço o projecto. Contudo, é algo que se ouve há muito tempo. Penso que, a ser mais que um projecto, a ser realidade, deve-se pensar na sua sustentabilidade a longo prazo. Uma pessoa de Canas – e de qualquer lado –, antes de passar na Casa da Cultura, tem que passar na Farmácia, no Talho, na Praça, na Padaria e em muitos outros sítios. Há muito que a cultura deixou de ser de borla… Sou a favor do desenvolvimento cultural e da promoção e difusão cultural, sem dúvida. A minha formação impele-me a isso. Só que, entretanto, imaginem, em pleno séc. XXI, continuo a andar em passeios de terra batida e, muito pior do que isso, a não ter médico de família…

Entrevista Nuno Vaz

Com a publicação do “Alado de Fogo”, no passado mês de Julho, contas com 4 trabalhos poéticos publicados em 3 anos. Posso concluir que tens tido facilidade em publicar a tua poesia?
Muito pelo contrário, o mercado literário esmaga a poesia. Este é o género literário que menos vende e no qual há menos editoras a trabalhar, apesar de, pessoalmente, considerar este género o expoente máximo da literatura. A atribuição do Prémio Literário da Ordem dos Advogados em 2007 abriu-me algumas portas, facilitando a apresentação às editoras.
Em que medida os prémios recebidos com o “Percursos” e o “Canibal do sal” te estimularam ou estimulam para novas publicações?
Não têm qualquer relevância. A poesia ou jorra ou não. Tão só. Não está dependente de prémios mas de inspiração. Por exemplo, posso passar um ano sem escrever um poema e escrever um livro numa semana.
Que feedback tens relativamente às vendas dos trabalhos anteriores? E do “Alado de Fogo”?
O Cão que Vagueia não correu nada bem. A Editora – Grupo Quasi – demorou meses a por o livro nas bancas e quando chegou veio com inúmeras gralhas. Tentei impedir a sua distribuição mas esta já estava feita. Tenho conhecimento de bons resultados de venda nas cidades de Coimbra, Leiria e Porto. O Canibal do Sal, tem sido um sucesso considerando o género literário da poesia, encontrando-se esgotado em quase todas as grandes livrarias nacionais, apesar de constantes reposições, ajudado pelo prémio que lhe dá outra visibilidade. Espero que em breve a obra se encontre esgotada.
Quando é que começaste escrever poesia?
Desde os tempos da escola em Canas que fui escrevendo. Desde cartas até às letras para as musicas dos Ervas Daninhas. Mais tarde, já na Faculdade descobri os encantos da poesia quase por acaso e ai comecei a escrever mais a sério, mas nunca com a intenção de publicar.
Quais são as tuas referências poéticas (portuguesas ou estrangeiras)?
Portuguesas e contemporâneas. Al Berto, Fernando Pessoa e Jorge de Sousa Braga.
Em que medida o teu percurso profissional, condicionou ou condiciona a tua escrita?
Em nada. Aliás disse recentemente a um jornalista que o poeta e o advogado nem sequer se conhecem nem nunca foram apresentados.
O “Alado de Fogo” insere-se numa linha de continuidade ou de ruptura face aos anteriores trabalhos?
Apresenta-se na mesma linha do “ Canibal do Sal ” estes já em ruptura com a primeira obra “ Cão que Vagueia”. Mais secos e impessoais.
Nunca te sentiste estimulado para escreveres em prosa?
Desde que comecei a publicar nunca me senti tentado para a prosa, embora tenha alguns textos em prosa poética. O próximo projecto já aponta nesse sentido, mas nunca se sabe. A prioridade será sempre para a poesia.
Como pessoa da cultura como avalias o panorama da oferta cultural na freguesia de Canas de Senhorim e no concelho de Nelas? O que mudarias nas politicas culturais actualmente praticadas?
Em canas há dois grandes acontecimentos culturais a par de outras festividades. O Carnaval e a Feira Medieval. Poderia haver mais numa vila com a tradição associativa como a nossa. Falta envolver a geração mais nova em projectos alternativos tais como cinema ao ar livre, mostras fotográficas, teatro de rua, animação nocturna, encontros literários, que intervalassem os dois grandes acontecimentos culturais, marcar uma agenda cultural com as entidades administrativas, propondo ideias e fixando calendários, para que nunca parassem os eventos. Um evento mensal seria um feito extraordinário. Em Nelas, caracterizo o panorama cultural como um desastre completo. Lembro que tirando a biblioteca pouco mais existe. Não falo na feira de vinho ou Carnaval subsidio-dependente. Falo no subaproveitamento do Espaço do Cine Teatro, tomando o Município de Tondela como exemplo, onde se poderia com o apoio daquele equipamento fazer muito mais e melhor. Não existe uma companhia de teatro, dança ou qualquer apoio ou incentivo nesse sentido. Um exemplo concreto e pessoal. Propus à Câmara Municipal de Nelas a aquisição de alguns exemplares da obra “ Canibal do Sal” para distribuir pelas escolas e bibliotecas do concelho. Isto no ano de 2007. Continuo à espera de resposta ainda hoje. Ofereci um exemplar de cada livro à Biblioteca dos Bombeiros Voluntários de Canas de Senhorim. Tentei oferecer à biblioteca Municipal de Nelas mas informaram-me que não sabiam se podiam receber livros.
O que pensas do projecto da Casa da Cultura para Canas de Senhorim?
Penso que pode ser um ponto de partida ao estímulo da criação artística na vila bem como um palco para que as gentes desta terra se possam mostrar e projectar para alem das nossas fronteiras. Desde exposições culturais, ateliers e espectáculos ao vivo, bem como casa para algumas das associações sem tecto, nomeadamente o Grupo de Teatro António João Pais Miranda.
No passado mantinhas activo um blogue onde publicavas alguns dos teus trabalhos (http://blackse7en.blogspot.com/). Tens intenção de voltar a ter uma publicação virtual do género?
Não penso retomar a publicação on-line. Faz parte de um percurso, uma etapa já percorrida. A publicação só no papel.

Feminine, com Leonor Keil

Feminine, um espectáculo de dança apresentado pela Companhia Paulo Ribeiro no Teatro Viriato em Viseu (10 e 11 de Out08)

Direcção e coreografia Paulo Ribeiro Interpretação Elisabeth Lambeck, Erika Guastamacchia, Leonor Keil, Margarida Gonçalves e São Castro Música Nuno Rebelo Assistente do coreógrafo Peter Michael Dietz Co-produção Companhia Paulo Ribeiro, Fundação Caixa Geral de Depósitos – Culturgest e IGAEM – Centro Coreográfico Galego

O coreógrafo Paulo Ribeiro apresentou um “Féminine” envolvente, num Viriato esgotado e salpicado de muitos canenses.
Cinco mulheres, uma Leonor instigante , de fartos recursos, entre o glamouroso e o animalesco, ora subtil ora desvairada, com as outras três bailarinas ao mesmo nível e uma actriz brilhante…, fizeram “desenhos” com o corpo , conflituaram ,“pensaram” um Pessoa inquieto e dançaram.
Inesquecíveis: o final em slow motion e os sapatos (altos) das bailarinas.Clap! Clap! Clap!

Ibotter

Dia 8 de Nov08 - Teatro Municipal da Guarda
Dias 22 e 23 Nov08 - Culturgest_Lisboa

 

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