CPFE. Recordações… das boas
Companhia Portuguesa de Fornos Eléctricos Anos 80_ Foto incluída na obra "História dos Fornos Eléctricos" _ Mestrado em História Contemporânea de Portugal, apresentada na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra por DUARTE SAMPAIO LOIO_por FAC
De facto o empenho da Ana Mafalda em tirar do baú o que de mais importante marcou a nossa terra é perfeitamente conveniente. Esta recordação tem tanto de conveniente, recordando um marco histórico, como de “verdade inconveniente” ao estilo de AlGore. Recorde-se o fumo e as faúlhas que a todos os instantes entupiam as nossas
caleiras, sujavam a roupa estendida nos cordéis e incomodava-nos a nós estudantes da “Escola Técnica”. Aquele fumo entrava-nos pela garganta dentro, principalmente em dias de chuva e de fumo baixo. E, até era giro (!!!!!!!), quando de noite ficávamos horas a olhar para as chaminés do forno 15 a jorrar lume com dois a três metros de altura.
De facto isto era o que de mais inconveniente existia. Completamente justificado com o emprego de mais de 600 pessoas directas e uma quantidade enorme de indirectos que traziam à nossa terra diariamente centenas de visitantes e de oportunidades de negócios. Quem não se lembra da azáfama às seis da tarde, quando se juntavam à mesma hora de saída os trabalhadores da CPFE, da ENU e os estudantes! Até o trânsito tinha que ser controlado pela GNR.
E tínhamos a “Cantina”, ali mesmo ao lado da escola, onde podíamos ir comprar os amendoins, as batatas fritas, as bolachas baunilha, as gasosas, para saborear bem refastelados
na encosta do Campo da Raposeira e ao sol … e se não houvesse dinheiro, pedíamos ao “Sr. António da Cantina” para apontar na caderneta, que depois a mãe pagava…
Mas também nos proporcionava o CAT (cantina dos trabalhadores), onde aos Domingos podíamos fazer uns joguinhos de pingue-pongue, basquetebol (belos tempos com o João Pêga), matraquilhos, bilhar e ver televisão a preto e branco…
E tínhamos a Estação dos caminhos-de-ferro, Canas-Felgueira, que em dia de apanhar o Inter-Regional os cais se enchiam de multidões…
E, esperávamos ansiosos pelo Natal para recebermos a prenda da fábrica…Todos os anos era ofertado aos filhos dos trabalhadores um presente de Natal.
Enfim, recordações…das boas.
Comentário de Frankie no post CPFE