Entrevista Nuno Vaz
08/11/2008
Com a publicação do “Alado de Fogo”, no passado mês de Julho, contas com 4 trabalhos poéticos publicados em 3 anos. Posso concluir que tens tido facilidade em publicar a tua poesia?
Muito pelo contrário, o mercado literário esmaga a poesia. Este é o género literário que menos vende e no qual há menos editoras a trabalhar, apesar de, pessoalmente, considerar este género o expoente máximo da literatura. A atribuição do Prémio Literário da Ordem dos Advogados em 2007 abriu-me algumas portas, facilitando a apresentação às editoras.
Em que medida os prémios recebidos com o “Percursos” e o “Canibal do sal” te estimularam ou estimulam para novas publicações?
Não têm qualquer relevância. A poesia ou jorra ou não. Tão só. Não está dependente de prémios mas de inspiração. Por exemplo, posso passar um ano sem escrever um poema e escrever um livro numa semana.
Que feedback tens relativamente às vendas dos trabalhos anteriores? E do “Alado de Fogo”?
O Cão que Vagueia não correu nada bem. A Editora – Grupo Quasi – demorou meses a por o livro nas bancas e quando chegou veio com inúmeras gralhas. Tentei impedir a sua distribuição mas esta já estava feita. Tenho conhecimento de bons resultados de venda nas cidades de Coimbra, Leiria e Porto. O Canibal do Sal, tem sido um sucesso considerando o género literário da poesia, encontrando-se esgotado em quase todas as grandes livrarias nacionais, apesar de constantes reposições, ajudado pelo prémio que lhe dá outra visibilidade. Espero que em breve a obra se encontre esgotada.
Quando é que começaste escrever poesia?
Desde os tempos da escola em Canas que fui escrevendo. Desde cartas até às letras para as musicas dos Ervas Daninhas. Mais tarde, já na Faculdade descobri os encantos da poesia quase por acaso e ai comecei a escrever mais a sério, mas nunca com a intenção de publicar.
Quais são as tuas referências poéticas (portuguesas ou estrangeiras)?
Portuguesas e contemporâneas. Al Berto, Fernando Pessoa e Jorge de Sousa Braga.
Em que medida o teu percurso profissional, condicionou ou condiciona a tua escrita?
Em nada. Aliás disse recentemente a um jornalista que o poeta e o advogado nem sequer se conhecem nem nunca foram apresentados.
O “Alado de Fogo” insere-se numa linha de continuidade ou de ruptura face aos anteriores trabalhos?
Apresenta-se na mesma linha do “ Canibal do Sal ” estes já em ruptura com a primeira obra “ Cão que Vagueia”. Mais secos e impessoais.
Nunca te sentiste estimulado para escreveres em prosa?
Desde que comecei a publicar nunca me senti tentado para a prosa, embora tenha alguns textos em prosa poética. O próximo projecto já aponta nesse sentido, mas nunca se sabe. A prioridade será sempre para a poesia.
Como pessoa da cultura como avalias o panorama da oferta cultural na freguesia de Canas de Senhorim e no concelho de Nelas? O que mudarias nas politicas culturais actualmente praticadas?
Em canas há dois grandes acontecimentos culturais a par de outras festividades. O Carnaval e a Feira Medieval. Poderia haver mais numa vila com a tradição associativa como a nossa. Falta envolver a geração mais nova em projectos alternativos tais como cinema ao ar livre, mostras fotográficas, teatro de rua, animação nocturna, encontros literários, que intervalassem os dois grandes acontecimentos culturais, marcar uma agenda cultural com as entidades administrativas, propondo ideias e fixando calendários, para que nunca parassem os eventos. Um evento mensal seria um feito extraordinário. Em Nelas, caracterizo o panorama cultural como um desastre completo. Lembro que tirando a biblioteca pouco mais existe. Não falo na feira de vinho ou Carnaval subsidio-dependente. Falo no subaproveitamento do Espaço do Cine Teatro, tomando o Município de Tondela como exemplo, onde se poderia com o apoio daquele equipamento fazer muito mais e melhor. Não existe uma companhia de teatro, dança ou qualquer apoio ou incentivo nesse sentido. Um exemplo concreto e pessoal. Propus à Câmara Municipal de Nelas a aquisição de alguns exemplares da obra “ Canibal do Sal” para distribuir pelas escolas e bibliotecas do concelho. Isto no ano de 2007. Continuo à espera de resposta ainda hoje. Ofereci um exemplar de cada livro à Biblioteca dos Bombeiros Voluntários de Canas de Senhorim. Tentei oferecer à biblioteca Municipal de Nelas mas informaram-me que não sabiam se podiam receber livros.
O que pensas do projecto da Casa da Cultura para Canas de Senhorim?
Penso que pode ser um ponto de partida ao estímulo da criação artística na vila bem como um palco para que as gentes desta terra se possam mostrar e projectar para alem das nossas fronteiras. Desde exposições culturais, ateliers e espectáculos ao vivo, bem como casa para algumas das associações sem tecto, nomeadamente o Grupo de Teatro António João Pais Miranda.
No passado mantinhas activo um blogue onde publicavas alguns dos teus trabalhos (http://blackse7en.blogspot.com/). Tens intenção de voltar a ter uma publicação virtual do género?
Não penso retomar a publicação on-line. Faz parte de um percurso, uma etapa já percorrida. A publicação só no papel.
Muito pelo contrário, o mercado literário esmaga a poesia. Este é o género literário que menos vende e no qual há menos editoras a trabalhar, apesar de, pessoalmente, considerar este género o expoente máximo da literatura. A atribuição do Prémio Literário da Ordem dos Advogados em 2007 abriu-me algumas portas, facilitando a apresentação às editoras.
Em que medida os prémios recebidos com o “Percursos” e o “Canibal do sal” te estimularam ou estimulam para novas publicações?
Não têm qualquer relevância. A poesia ou jorra ou não. Tão só. Não está dependente de prémios mas de inspiração. Por exemplo, posso passar um ano sem escrever um poema e escrever um livro numa semana.
Que feedback tens relativamente às vendas dos trabalhos anteriores? E do “Alado de Fogo”?
O Cão que Vagueia não correu nada bem. A Editora – Grupo Quasi – demorou meses a por o livro nas bancas e quando chegou veio com inúmeras gralhas. Tentei impedir a sua distribuição mas esta já estava feita. Tenho conhecimento de bons resultados de venda nas cidades de Coimbra, Leiria e Porto. O Canibal do Sal, tem sido um sucesso considerando o género literário da poesia, encontrando-se esgotado em quase todas as grandes livrarias nacionais, apesar de constantes reposições, ajudado pelo prémio que lhe dá outra visibilidade. Espero que em breve a obra se encontre esgotada.
Quando é que começaste escrever poesia?
Desde os tempos da escola em Canas que fui escrevendo. Desde cartas até às letras para as musicas dos Ervas Daninhas. Mais tarde, já na Faculdade descobri os encantos da poesia quase por acaso e ai comecei a escrever mais a sério, mas nunca com a intenção de publicar.
Quais são as tuas referências poéticas (portuguesas ou estrangeiras)?
Portuguesas e contemporâneas. Al Berto, Fernando Pessoa e Jorge de Sousa Braga.
Em que medida o teu percurso profissional, condicionou ou condiciona a tua escrita?
Em nada. Aliás disse recentemente a um jornalista que o poeta e o advogado nem sequer se conhecem nem nunca foram apresentados.
O “Alado de Fogo” insere-se numa linha de continuidade ou de ruptura face aos anteriores trabalhos?
Apresenta-se na mesma linha do “ Canibal do Sal ” estes já em ruptura com a primeira obra “ Cão que Vagueia”. Mais secos e impessoais.
Nunca te sentiste estimulado para escreveres em prosa?
Desde que comecei a publicar nunca me senti tentado para a prosa, embora tenha alguns textos em prosa poética. O próximo projecto já aponta nesse sentido, mas nunca se sabe. A prioridade será sempre para a poesia.
Como pessoa da cultura como avalias o panorama da oferta cultural na freguesia de Canas de Senhorim e no concelho de Nelas? O que mudarias nas politicas culturais actualmente praticadas?
Em canas há dois grandes acontecimentos culturais a par de outras festividades. O Carnaval e a Feira Medieval. Poderia haver mais numa vila com a tradição associativa como a nossa. Falta envolver a geração mais nova em projectos alternativos tais como cinema ao ar livre, mostras fotográficas, teatro de rua, animação nocturna, encontros literários, que intervalassem os dois grandes acontecimentos culturais, marcar uma agenda cultural com as entidades administrativas, propondo ideias e fixando calendários, para que nunca parassem os eventos. Um evento mensal seria um feito extraordinário. Em Nelas, caracterizo o panorama cultural como um desastre completo. Lembro que tirando a biblioteca pouco mais existe. Não falo na feira de vinho ou Carnaval subsidio-dependente. Falo no subaproveitamento do Espaço do Cine Teatro, tomando o Município de Tondela como exemplo, onde se poderia com o apoio daquele equipamento fazer muito mais e melhor. Não existe uma companhia de teatro, dança ou qualquer apoio ou incentivo nesse sentido. Um exemplo concreto e pessoal. Propus à Câmara Municipal de Nelas a aquisição de alguns exemplares da obra “ Canibal do Sal” para distribuir pelas escolas e bibliotecas do concelho. Isto no ano de 2007. Continuo à espera de resposta ainda hoje. Ofereci um exemplar de cada livro à Biblioteca dos Bombeiros Voluntários de Canas de Senhorim. Tentei oferecer à biblioteca Municipal de Nelas mas informaram-me que não sabiam se podiam receber livros.
O que pensas do projecto da Casa da Cultura para Canas de Senhorim?
Penso que pode ser um ponto de partida ao estímulo da criação artística na vila bem como um palco para que as gentes desta terra se possam mostrar e projectar para alem das nossas fronteiras. Desde exposições culturais, ateliers e espectáculos ao vivo, bem como casa para algumas das associações sem tecto, nomeadamente o Grupo de Teatro António João Pais Miranda.
No passado mantinhas activo um blogue onde publicavas alguns dos teus trabalhos (http://blackse7en.blogspot.com/). Tens intenção de voltar a ter uma publicação virtual do género?
Não penso retomar a publicação on-line. Faz parte de um percurso, uma etapa já percorrida. A publicação só no papel.

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