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A Vila de Canas de Senhorim é uma terra tipicamente beirã. Situada entre a Serra da Estrela e a Serra do Caramulo é ladeada pelos rios Mondego e Dão. A sua história remonta a tempos milenares, conforme documentam os diversos vestígios pré-históricos e romanos existentes. Foi-lhe concedida carta de foral em 1196 e em 30 de Março de 1514 o rei D. Manuel I confirma o privilégio através de novo foral, o qual confere à vila o estatuto de concelho. Em 1866 é extinto o concelho, circunstância nunca aceite pela população que ao longo do tempo tem lutado pela sua restauração >>>

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Data e HoraQuinta-feira, 09 de Setembro de 2010

Carnavalex

por António

 

Basta atentar ao número de comentários para percebermos como o carnaval apaixona os canenses. Duvido que em portugal exista alguma localidade onde seja vivido com a intensidade, o prazer e a paixão como em Canas de Senhorim. Se houvesse um qualquer instrumento que pudesse medir a paixão que os canenses nutrem por esta festa pagã, certamente que devia estar equipado com uma ampla escala.
No entanto, nem tudo são rosas, aliás, são mais os espinhos que as rosas.Concordo que o carnaval afrancesado do Rossio de há quase trinta anos atrás foi fantástico, onde o Paço também pontuou bem, mas, não concordo que tenha sido o melhor carnaval de sempre, pelo menos no que diz respeito aos últimos 35 anos, pois, neste período, outros carnavais foram igualmente espectaculares e empolgantes.
Estou farto das discussões anuais em que cada interveniente dá a sua opinião acerca da solução mais adequada para ultrapassar a "organizada" desorganização de que enferma este carvaval há muitos anos. É certo que somos apaixonados pelo nosso bairro mas essa paixão não pode ser tão exacerbada ao ponto de nos cegar. As posições que vêm sendo tomadas por certas pessoas, radicalizando opiniões e atitudes não pode continuar senão, quando acordarem, não haverá ponta por onde pegar e irremediavelmente o entrudo canense estará morto e enterrado … definitivamente. As tradições devem manter-se mas, numa lógica de modernidade, dando passos largos no sentido de encontrar o equilíbrio necessário para podermos encarar o futuro com um sorriso nos lábios. Consciente que poderei levar na cabeça, assim que tiver disponibilidade partilharei a minha ideia "simplex" para resolver, ou pelo menos tentar, o marasmo em que se caíu.

 

  
 

 

O "simplex" que pode trazer mais valia ao carnaval de Canas passa, acima de tudo, pela vontade de mudar, de inovar, não só das direcções das associações mas, também de todos os que participam de outras formas.
Partindo daqui, todos devemos tomar consciência que, apesar de existirem de forma original (e penso que única)* dois bairros rivais, o carnaval é só um e é esse que se pretende salvar. Assim, é imprescindível nascer um organismo autónomo, com responsabilidade jurídica, devidamente regulado, que organize tudo o que ultrapasse as paredes das associações, por exemplo a organização do traçado de ambos os corsos, publicidade, animação sonora das ruas, colocação de bancadas em locais estratégicos(com acesso pago ou não),bares, bailes e outro tipo de animação nocturna, contratação de bandas filarmónicas ou outros meios, patrocínios, apoios, peditórios e subsídios, articulação com a GNR e os Bombeiros, etc. A composição deste organismo pode e deve contar, pelo menos, com os presidentes das associações ou pessoas por eles delegadas e um membro da Junta de Freguesia, de preferência, o presidente. Neste contexto, as associações continuavam a fazer o seu próprio carnaval, de forma autónoma, com a sua própria organização interna, o sigilo (como manda a tradição)e a espontaneidade que caracteriza o nosso carnaval.
Depois, devemos tomar consciência que temos um carnaval único no país e talvez no mundo, um bem precioso, que devemos preservar com unhas e dentes, sem o desvirtualizar. As tradições devem ser mantidas embora com os ajustes necessários no tempo, usando novos materiais, novas técnicas e tecnologias mas nunca cair no erro de importar baterias brasileiras ou gôndolas venezianas. Embora muitos dos meus amigos digam que as pessoas que nos visitam não são importantes, pois o carnaval fazia-se na mesma, acho que isso é um erro. Lembro-me de alguns anos em que a afluência era escassa, devido às condições climatéricas, como era penoso efectuar algumas partes do traçado. Portanto, deve-se fazer de tudo para atrair os forasteiros e não só, deve-se também informá-los da história do nosso carnaval, das nossas tradições, do seu funcionamento, distribuindo ou afixando estrategicamente folhetos ou cartazes informativos. Não se pode sair para a rua às quatro da tarde. Infelizmente o carnaval é no Inverno e como sabemos os dias são curtos. As pessoas chegam cedo e partem cedo, muitas vezes sem perceberem patavina do que se passou. A organização das marchas deve ser muito cuidada. Não me parece difícil manter os foliões agrupados e bem distribuídos, assim como fazer chegar a mesma música a todos os pontos da marcha. Os carros alegóricos devem ser mais cuidados no seu acabamento e, por isso, deve existir em cada associação alguém que coordene o andamento dos trabalhos para que não haja atrasos que depois comprometem a sua qualidade. Vale mais poucos mas bons. Devia-se firmar o compromisso de construir, pelo menos, um carro por bairro com sátira social e política, assim como instituir a figura dos reis do carnaval de cada bairro, com carro próprio.Não se pode continuar a ignorar a segunda-feira das velhas. Existe um enorme potencial neste dia que, sendo bem organizado, atrairá milhares de pessoas.Quanto ao "despique", o ícone talvez mais importante do carnaval, quero apenas que prevaleça o bom senso e que todos possam dar largas à sua euforia sem qualquer tipo de constrangimentos. Por fim, sei que existem outras coisas que podem condicionar o futuro. As questões relacionadas com o pagamento de entradas, a possível mudança do local do despique, voltas mais curtas,etc., mas a delicadeza destas questões é tão grande que, esperemos, o tempo possa ser bom conselheiro.
 
 
*A forma "original no mundo" de 2 bairros rivais PAÇO vs ROSSIO foi única durante mais de 300 anos . Deixou de ser "única" porque passou a ter uma macaqueação congoleza: Bairro Não Sei Quê vs Símio do Povo.

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