Canas OnLine

A Vila de Canas de Senhorim é uma terra tipicamente beirã. Situada entre a Serra da Estrela e a Serra do Caramulo é ladeada pelos rios Mondego e Dão. A sua história remonta a tempos milenares, conforme documentam os diversos vestígios pré-históricos e romanos existentes. Foi-lhe concedida carta de foral em 1196 e em 30 de Março de 1514 o rei D. Manuel I confirma o privilégio através de novo foral, o qual confere à vila o estatuto de concelho. Em 1866 é extinto o concelho, circunstância nunca aceite pela população que ao longo do tempo tem lutado pela sua restauração.

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Data e HoraSexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012

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400 anos
a rivalizar por aí

ENTRUDO

 O bandido está de volta
por Anjodisa

O espírito desse bandido nascido há mais de 300 anos e que todos os anos ressuscita, após ter sido morto e enterrado no ano anterior, está de volta para infernizar a vida dos canenses. Esse maldito, mais uma vez, vai originar uma carga de trabalhos que conduzem a noites mal dormidas, refeições apressadas, amuos conjugais, enfim, dores de cabeça a mais por causa dum bandalho que, em cada ano, tem um tempo de vida tão curto. 
Mas não faz mal. Sempre foi assim e sempre assim será. O desgraçado aparece sempre aos primeiros dias de cada ano e mexe com tudo e todos até ao dia do seu esplendor, a tal terça-feira, quando exige o couro e o cabelo dos canenses, quando aparece na primeira pessoa exibindo toda a sua pujança e toda a sua cagança, consumindo o resto das nossas energias e desfazendo as nossas gargantas. Nunca e em lado algum se viu tal subjugação a um dito soberano, ainda por cima com um reinado que se sabe tão curto. Esse miserável que tantos sentimentos e paixões controversos desperta, essa besta, esse bruto, esse bastardo infiel, esse grande animal, o chifrudo de merda, dá pelo nome de ENTRUDO. 
Mas a coisa não fica assim, existe o reverso da moeda. Depois de tudo ele volta a cair que nem um tordo e nós, os canenses, brindamos a isso com um prato recheado de batatas, bacalhau e grelos, regados com um bom azeite e um (???) copo daquele bem bom que estava lá na adega bem encostadinho à parede, guardado para as melhores ocasiões. Após o repasto e a missa de corpo presente, o meliante vai a enterrar, mas, não antes de ser consumido pelo fogo, esturricado e carpido e de rebentar que nem um sapo. Neste caso a vingança serve-se … bem quente! 
Porém, a tradição já não é o que era, esvanece-se no tempo ou então adultera-se. Para prevelecer viva, saudável, rica, é preciso cultivá-la e passar aos mais novos toda a sua história secular duma forma clara, pedagógica, para não se verificarem os atropelos que tem sofrido nos últimos anos. Por exemplo, um "pisão", actualmente, já nem leva pedra nem fio. Os "foliões", na maioria dos casos, limitam-se a acordar as "vítimas", escolhidas a dedo, dando pontapés e socos nas portas para depois as insultarem, chamando-lhes todos os nomes possíveis e imaginários para as fazer "afinar", quase sempre encobertos por um gorro ou cachecol. 
Enquanto tudo isto acontece, as associações que produzem e promovem o Carnaval, ano após ano, vão assistindo a estas aberrações duma forma passiva, preocupadas em guerrear-se mutuamente, esquecendo-se de fazer tudo o que esteve na origem da sua fundação: a organização, a promoção e a preservação do Entrudo canense. 
Os tempos mudam e, pese o facto da falta de dinheiro e apoios, deve-se tentar acompanhar minimamente essas mudanças para que no futuro próximo o atraso não se torne irremediável. Com a ajuda de todos, o MdCS incluído e, sobretudo com as associações a trabalharem em sintonia, tenho a esperança de que, em breve, serão feitas as reformas necessárias no sentido de assegurar o maior cartaz de Canas de Senhorim e da região.

1 Comentário em “ENTRUDO”

  • comentou às 12:58 em 25 de February de 2009

    E qual o futuro? Os apoios institucionais não podem ser (e não são, certamente) o único financiamento do Entrudo de Canas. A gestão das verbas que financiam os corsos precisava de ser melhorada. Não se afigurando possível a profissionalização das comissões organizadoras (seria a certidão de óbito da espontaneidade, do voluntarismo e do entrudo de Canas), parece-me que é tempo de introduzir algum critério para o financiamento da construção dos carros alegóricos: sentido estético, sátira, dimensões… senão aparecem águias incompletas, Jerry sem o Tom, Mickeys no tempo das Winx, Pandas Kung-Fu que não cabem nas ruas…


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