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A Vila de Canas de Senhorim é uma terra tipicamente beirã. Situada entre a Serra da Estrela e a Serra do Caramulo é ladeada pelos rios Mondego e Dão. A sua história remonta a tempos milenares, conforme documentam os diversos vestígios pré-históricos e romanos existentes. Foi-lhe concedida carta de foral em 1196 e em 30 de Março de 1514 o rei D. Manuel I confirma o privilégio através de novo foral, o qual confere à vila o estatuto de concelho. Em 1866 é extinto o concelho, circunstância nunca aceite pela população que ao longo do tempo tem lutado pela sua restauração.

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Data e HoraSexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012

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400 anos
a rivalizar por aí

Solar Abreu Madeira - Canas de Senhorim

Solar Abreu Madeira - Canas de Senhorim - Portugal por Portuguese_eyes.

Depois de percorrida uma longa estrada de pinheiros e mimosas, chegamos a uma vila adormecida da Beira Alta, chamada Canas de Senhorim. Eis o majestoso solar, construído no século XVIII. A criação de gado bovino e cavalar era antigamente o suporte financeiro de quem vivia nestas paragens. A decoração é imponente. Na entrada principal poderá ver duas magníficas carruagens. Ao centro, uma escadaria toda em pedra leva-o até às salas.

Há dois tipos de casas: aquelas, tamanho de catálogo, prontas a usar; e as outras, começadas a partir de dentro, isto é, de quem as habita, de quem as sonhou, para quem foram necessidade e fruição. As primeiras caem em desuso, passam de moda. As outras ganham alma, reflectem as vicissitudes de quem nelas vive, adquirem uma memória, uma identidade própria.

No lugar onde hoje existe o Solar Abreu Madeira, havia uma outra, mais pequena - a Casa da Fonte, que possuia uma Capela dedicada à Senhora da Boa Morte. Esta casa pertencia ao irmão da bisavó do actual proprietário, aliás como pertenciam igualmente quatro outras casas agrícolas próximas.

Outrora, por razões patrimoniais, os filhos varões herdavam morgadios e às filhas era atribuido um dote para um casamento futuro. Porém, a morte relativamente prematura do primogénito (solteiro e sem descendentes) permitiu à irmã receber a herança. Mais tarde, a herdeira ao contrair casamento com um fidalgo originou a que se tornasse imprescindível uma casa maior. Deste modo, e em 1838, transferiram da Casa do Cruzeiro (também pertença da família) uma capela setecentista, dedicada à Nossa Senhora da Conceição. Ainda hoje as duas imagens partilham das honras do altar.

Traduzindo o gosto da época, o Solar alia o estilo neo-clássico do frontão, com o neo-barroco do torreão e da Capela. Contudo os traços de grande casa rural estão lá bem patentes.

A agricultura e a pecuária, que têm sido desde sempre as actividades produtivas, mudaram com os tempos: hoje os cavalos já não vêm da Golegã pois foram substituídos pelos tractores, mas as caleches ainda existem no solar Abreu Madeira, como se fossem verdadeiras peças de um museu. O vinho do Dão e o queijo da Serra são os ex-libris deste solar do século XVIII, conservado na sua traça exterior, no seu recheio e nas suas actividades.

 

Solar Abreu Madeira

MEMÓRIAS DAS INVASÕES FRANCESAS

Relacionadas com este magnífico solar estão algumas memórias das invasões francesas. Deste modo, e em 1810, altura da terceira invasão napoleónica, os franceses espalharam o pânico, roubando e destruindo tudo à sua passagem. Ao grito " vêm aí os franceses", as pessoas fugiam levando consigo tudo o que conseguiam transportar, escondendo os objectos mais valiosos. Objectos em prata e uma colcha Indo- Portuguesa (atestando um passado de prováveis viajantes pelo Oriente) foram enterrados na quinta, escapando à sofreguidão dos franceses.

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1 Comentário em “Solar Abreu Madeira - Canas de Senhorim”

  • mariana comentou às 12:09 em 26 de March de 2009

    viva o PAÇO


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