Abandono crónico
Balanço
por Alexandre Borges
Sou um individuo tendencialmente distraído e, portanto, relativamente desinformado das "pequenas" questões que andam arredadas dos media mas, em tempos, ouvi falar de um caderno de encargos negociado entre a Junta de Freguesia de Canas e a Câmara de Nelas para a freguesia.
Não sei, sinceramente, quais foram os pontos incluídos nesse documento, mas acredito que ele exista. Acredito também que esses pontos devem ser alguns e que os nomeadamente infraestruturas e pequenas obras estejam incluídas. Obras essas que em muito poderiam melhorar a nossa qualidade de vida, dado Canas ter estado arredado há décadas de qualquer actividade de iniciativa camarária digna de relevo. A diferença, para melhor não seria difícil de marcar, portanto. Como disse desconheço, totalmente, os termos desse acordo e, até, se o mesmo foi negociado antes ou depois das últimas autárquicas mas tenho, naturalmente, os meus palpites.
Bem sei que o actual executivo tem apoiado de forma mais significativa algumas instituições Canenses, concretamente os Bombeiros (caso que naturalmente conheço), mas também sei que o que vi prometido, em diversas entrevistas e pessoalmente - uma descriminação positiva em relação a Canas - é uma miragem, continuando a descriminação a ser negativa em relação às oito freguesias que não a de Nelas, também no que às Instituições diz respeito. Escapa, talvez, Santar. Mérito a quem o consegue.
Canas sofre à décadas de abandono crónico. Foi-nos prometido, não só a inversão dessa "política" mirrante, mas uma atenção especial, uma espécie de mimo, em jeito de rebuçado e para recuperar algum do tempo perdido. Obra.
O que é que se verifica hoje, a pouco mais de meio ano das próximas eleições é que o desenvolvimento da sede da freguesia e das restantes localidades passa por a colocação de passeios e pouco mais. Nada de vias estruturantes, nada de saneamento básico, nada de criação de emprego, nada recuperação de património, nada de cultura. Apoios pontuais aqui e ali é o que temos (concretamente com as cousas do Senhor - não vá o diabo tece-las). Estamos melhor? Estamos. Estamos bem? Não, estamos mal, na minha opinião.
Seria importante fazer um apanhado do que foi prometido e do que está cumprido para que todos, de forma clara, entendamos aquilo que fomos e somos na pirâmide de importância de quem nos representa e dirige e qual o papel da Junta, da Câmara e do povo neste abandono.