22/03/2009
por: Paulo Veiga
Pamir - Pais Miranda - António João Pais Miranda

Hoje arrepiei-me todo. No final do Festival de Curtas-Metragens do Agrupamento 0604, e enquanto se esperava a decisão do júri, foi passada uma homenagem ao homem que dá titulo a este post.
Tinha eu 12 anos quando comecei a ser ensaiado por ele e entrei de rompante nestas coisas do teatro de revista. Fechado no carro ele lia vezes sem conta os dois monólogos que tinha escrito de propósito para mim, o filho dos senhores que tinham o café onde ele ia jogar bilhar. Sei que foi a pedido da minha mãe que ele o fez. Ela sempre teve este dom??? de se preocupar e pedir coisas para os dela sem "pedir autorização". Desta vez estás perdoada mãe.
Lembro-me da minha estreia em palco. Na festa de Natal da Associação de Moreira. Os nervos, o orgulho que sentia por fazer parte daquele pequeno mundo onde só poucos eleitos canenses tinham lugar.
Lembro-me da preocupação da Leta, do "à vontade" do Zé Tó e da força que o Zé Artur e o Filipe, juntamente com a confiança do António João, depositavam em mim.
E a partir daí, com altos e baixos, não mais parei. Já lá vão 24 anos. 24 anos a fazer rir, a divertir, mas principalmente a divertir-me.
Muitos kms corridos, muita gargalhada roubada, muitas amizades reforçadas.
Hoje senti uma lágrima a querer acompanhar o arrepio que tomou conta do meu corpo quando este vídeo, que está mais abaixo, passou no ecrã da Casa do Pessoal.
Nos ensaios para a actuação de hoje, tinha por mais de uma vez apontado para a foto enorme que temos no teatro e dito sempre, "o António João qualquer dia vem cá baixo e manda-nos uma malha a todos". E é mesmo isto que se passa naquele teatro. A presença dele é constante. Sentimo-lo em cada ensaio, em cada gargalhada, em cada engano, em cada branca, em cada saída, em cada actuação. Ele está lá, a acompanhar-nos nesta luta que travamos para que a arte não morra nesta terra cada vez mais morta.
Hoje queria ter estado sozinho aquando da primeira vez que vi o filme de homenagem. Queria poder ter chorado. Queria poder ter-lhe agradecido em voz alta todos os valores que ele me incutiu.
Tenho a mais firme certeza de que ele, conjuntamente com todos os "adultos" que encontrei aos meus 12 anos no teatro, fizeram de mim um Homem um pouco melhor.
E porque não lhe posso agradecer pessoalmente, aqui fica a minha homenagem. Sim, porque está um pouco de mim neste vídeo.[…]