Como era de esperar, com a iminência das autárquicas agitou-se a blogosfera canense. Alguns bloguistas resistiram à tentação do entusiasmo circunstancial que o processo político das autárquicas canenses gera, outros, (re)nasceram, convictos de que esta plataforma virtual poderia catapultar as suas convicções para o terreno. Tudo legítimo, se exceptuarmos 90% das intervenções dos comentadores, que de política pouco ou nada falaram, limitando-se a denegrir candidatos e candidaturas. Mas isso era espectável, se atendermos ao prenúncio embrionário de alguns temas de campanha, aparentemente inocentes, mas estrategicamente concebidos como arma de combate político.
Falemos então de política, isto é das eleições para a Junta de Freguesia:
O Bloco de Esquerda absteve-se de participar, podendo deduzir-se dessa ausência um sinal de solidariedade com o Movimento - o mesmo não aconteceu com as outras forças políticas –, a CDU apresentou-se timidamente, à revelia de compromissos assumidos com o Movimento noutros tempos, e o PS, de forma envergonhada, veio palpar o pulso aos canenses, atirando para a frente uma candidata testa de ferro sem fôlego para estas andanças.
A surpresa apareceu pela voz de Ana Mafalda, cabeça de lista da candidatura CIM (Cidadãos Independentes pela Mudança). Num crescendo de entusiasmo, nascido porventura nestas páginas virtuais, a candidatura CIM apresentou-se ao eleitorado com gente jovem, uma campanha dinâmica e um discurso de mudança. Parecia assim a candidatura mais bem colocada para disputar a junta a um MRCCS travestido de azul-laranja.
Se excluirmos a génese municipalista que o Movimento mantém no fundo na gaveta, pouco ou nada distinguia as ideias destas duas candidaturas. Aliás, a “mudança” que Ana Mafalda propunha pareceu esgotar-se na faixa etária dos elementos da sua equipa, ainda assim, uma aposta promissora, esta de trazer gente nova para os meandros da política local. Arredado confortavelmente da agenda política o estigma da criação do concelho, os dois projectos em nada ou quase nada diferiam, fosse na essência ou nas prioridades, isto é, comungavam a mesma intenção, a de pressionar a câmara de Asnelas em termos de investimento e desenvolvimento da freguesia de Canas. Como o desafio dos canenses não é “o que fazer” mas sim “como fazer”, Luís Pinheiro, com provas dadas, saiu, nesta relação, em vantagem e estrategicamente melhor posicionado. A haver diferenças seria quanto ao método, designadamente o compromisso que Ana Mafalda assumiu em marcar presença na Assembleia Municipal, por oposição a Luís Pinheiro que desconsidera a participação nesse fórum, alegando que tal disponibilidade não tem qualquer resultado prático. Por outro lado, a relação privilegiada e “colorida” de Luís Pinheiro e Isaura Pedro, ainda que desconfortável para certos sectores da sociedade canense, constitui uma vantagem para Canas, assim se cumpram os compromissos formais ou de bastidores que todos desconfiamos existirem. E isto, o povo soube avaliar, escolheu para a Junta quem lhe pareceu mais capaz de influenciar Isaura Pedro e escolheu para a Câmara Isaura Pedro para que se deixasse influenciar.
Mas os canenses não isentaram a lista CIM de responsabilidades políticas. Os votos obtidos conferem-lhe a obrigação de desempenhar o papel de oposição no seio da Junta, circunstância que por certo Ana Mafalda não abdicará, até porque não deixará de cobrar as promessas que Luís Pinheiro fez e que todos gostaríamos de ver cumpridas (Casa da Cultura, Parque Industrial, etc.). Luís Pinheiro e o Movimento têm mais quatro anos para demonstrar do que são capazes e que poder de influência têm perante o consulado social-democrata residente em Asnelas.
as diferenças entre o CIM e o Mrccs são mais que muitas, só um cego é que não vê, a diferença entre uma lista descomprometida e cheia de energia e um Movimento acomodado e gasto de ideias.
mas o povo é soberano, respeite-se e aguarde-se