07/06/2010
por: PortugaSuave
Não é por acaso que sempre que conhecemos alguém, imediatamente a seguir ao nome perguntamos de onde essa pessoa é, como se essa informação fosse fundamental para acrescentar às razões pelas quais devemos ou não aceitar tal pessoa. E também não é por acaso que às vezes nos respondem que, apesar de terem nascido numa terra, se sentem como sendo realmente de outra, aquela em que cresceram ou onde viveram a parte mais significativa da sua vida.
Esse sentimento de pertença a uma terra constitui uma identidade telúrica, feita de cheiros, de sabores, sons e imagens únicos, sedimentados sorrateiramente na memória colectiva de um povo. É como o murmurar do vento nas árvores do adro da nossa igreja que é único porque serve de fundo às vozes e brincadeiras com que aprendemos a crescer, ou como o cheiro das mimosas em flor em Fevereiro, que é único porque só aquelas mimosas em particular nos fazem sentir em casa.
A importância dessa memória e desse sentimento exprime-se na alegria que sentimos quando estamos fora e encontramos um conterrâneo. Basta sentarmo-nos a comer com um conterrâneo e sentimo-nos logo em casa. Despimo-nos de uma série de camadas incómodas, de tiques e atenções e podemos comer, rir e desatar à conversa sem ter de explicar onde é que o Plácido amarrava o burro Prim para lhe providenciar a dose exigida. Rimo-nos de piadas que não têm de ser contadas, bastando uma simples evocação, “lembras-te do Mário! O Mário Linhas que convenceu a GNR que o avô tinha um leão no quintal…”, numa economia de tempo e de palavras que torna mais fácil a convivência, permite passar mais tempo a rir e, de algum modo nos apazigua. Vejamos a necessidade que as comunidades de emigrantes têm de reproduzir os rituais e as vivências da sua terra e a nostalgia com que alguns se lhe referem, para percebermos que ser de uma terra qualquer é muito mais do que uma coincidência administrativa.
É na ausência que esse sentimento de identificação melhor se exprime. Como resultado desse sentimento podemos encontrar espalhados pelos grandes centros urbanos associações, restaurantes e outros espaços de confraternização onde os conterrâneos podem fazer a catarse da saudade e onde o linguarejar e a gastronomia se unem em torno do elemento comum – a origem.
Cedo percebemos essa necessidade, a da ligação à terra. Ainda que longe das referências, a distância não consegue diluir aquela generosidade tão característica das nossas gentes nem apagar os traços comportamentais culturalmente apreendidos. Continuamos a dizer bom-dia ao vizinho do 1º Esquerdo, mesmo que ele responda contrariado, continuamos a ser canenses em qualquer parte do mundo e orgulhosos disso, como se, além de representar uma mais-valia para a nossa pessoa, afirmasse uma espécie de identidade colectiva, reconhecível num conjunto de traços culturais típicos.
E de tudo isto podemos tomar como exemplo a emoção e a alegria deste nosso conterrâneo que no fragor da recepção da equipa portuguesa em África do Sul, se alheia dos craques, do país e da excitação circunstancial e nos envia um singelo mas sentido “abraço para Canas de Senhorim”.
Um abraço também para ti caro conterrâneo.
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geral@canasdesenhorim.org
Os canenses estão em todo o lado, viva Portugal
aproveito para parabenizar este site, tá very nice
Gostaria de saber…por favor, quem e o nosso amigo Canense que esta aqui na African do Sul
Eu tambem sou de Canas, mas sai de la em 1972 quando tinha 17 anos e moro agora em Johanneburg aqui na Africa do Sul
Um abraco a todos os Canenses
Artur Rama