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A Vila de Canas de Senhorim é uma terra tipicamente beirã. Situada entre a Serra da Estrela e a Serra do Caramulo é ladeada pelos rios Mondego e Dão. A sua história remonta a tempos milenares, conforme documentam os diversos vestígios pré-históricos e romanos existentes. Foi-lhe concedida carta de foral em 1196 e em 30 de Março de 1514 o rei D. Manuel I confirma o privilégio através de novo foral, o qual confere à vila o estatuto de concelho. Em 1866 é extinto o concelho, circunstância nunca aceite pela população que ao longo do tempo tem lutado pela sua restauração.

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Data e HoraQuarta-feira, 08 de Fevereiro de 2012

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400 anos
a rivalizar por aí

Aristides de Sousa Mendes, "salvador de vidas"

Grandes Portugueses _ Aristides de Sousa Mendes


… mas foi em Bordéus que a história prendeu Sousa Mendes nas suas garras. O seu destino passou a estar inelutavelmente ligado ao destino colectivo de dezenas de milhares de pessoas desaparecidas. Assumiu-se como homem certo no lugar e momento certos. Aquilo que muitos poderiam considerar como defeitos de personalidade num diplomata - a natureza demasiado emotiva e o seu carácter impulsivo - tornaram-se força motora de um heroísmo.
Sacrificou tudo quanto amava e presava - uma família, uma carreira - por estranhos de quem se apiedou associando ao seu honroso desempenho a espiritualidade e dignidade humana então raras, mas que, afinal, caracterizam o povo português. Numa altura em que pairava a rebeldia pelo mundo, Sousa Mendes não só era um digno diplomata como também se desenhava como o modelo do português crítico, o representante ideal da nação que todos gostaríamos que Portugal sempre fosse.

As suas atitudes tinham o cheiro do perfume cuja marca a lei portuguesa só viria a reconhecer tardiamente. Ainda assim, aos olhos dos poucos que um dia ouviram falar de Sousa Mendes, a mais viva recordação que resta deste "salvador de vidas" português é a punição desumana que lhe foi atribuida:
Salazar e seus discípulos condenaram-no à pena de um ano de inactividade" com direito apenas a "metade do vencimento da categoria", tendo sido colocado "na disponibilidade aguardando aposentação", situação da qual só viria a se livrar com a morte, mais de 13 anos depois.
Ainda que nada dissipe o sofrimento de um conjunto de acusações e processos fundados numa ideologia retrógrada e desumana, e a humilhação de uma sentença cheia de vícios, feita a rogo das leis de uma ditadura nacional, nada explica que obra de tão grande valor e prestígio seja comprada a tão barato preço.

 

 
Aristides de Sousa Mendes, natural de Cabanas de Viriato, foi redescoberto pela escritora "canense"Júlia Nery que sobre ele escreveu o livro " O Cônsul".O Cônsul (Publicações D. Quixote, Lisboa, 1991; Edição do Círculo de Leitores, Lisboa, 1993; tradução francesa, editora Le Mascaret, Bordéus, 1992; tradução alemã, Editora Epoca, Zurique 1997; Editora Pipper, Munique, 1999)
Angelina, mulher de Aristides de Sousa Mendes é natural da nossa vizinha Beijós
 
 

 Correspondência com a sua mulher D. Angelina (Gigi) - 1929 | arquivo Horácio Peixoto

 

  Família Sousa Mendes | Cabanas, Setembro 1932 | arquivo Horácio Peixoto

 

Casa de Aristides Sousa Mendes, Cabanas de Viriato

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