Canas OnLine

A Vila de Canas de Senhorim é uma terra tipicamente beirã. Situada entre a Serra da Estrela e a Serra do Caramulo é ladeada pelos rios Mondego e Dão. A sua história remonta a tempos milenares, conforme documentam os diversos vestígios pré-históricos e romanos existentes. Foi-lhe concedida carta de foral em 1196 e em 30 de Março de 1514 o rei D. Manuel I confirma o privilégio através de novo foral, o qual confere à vila o estatuto de concelho. Em 1866 é extinto o concelho, circunstância nunca aceite pela população que ao longo do tempo tem lutado pela sua restauração.

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Data e HoraQuarta-feira, 08 de Fevereiro de 2012

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400 anos
a rivalizar por aí

O delírio

Despique final entre os Bairros do Rossio e Paço nas 4 esquinas

Um post para consumo interno

por Portuga Suave

O Carnaval de Canas recebe milhares de visitantes. Muitos deles vêm de longe, por iniciativa própria ou a convite hospitaleiro de amigos ou familiares. Todos trazem na expectativa assistir e desfrutar o melhor possível do evento.Uma das particularidades do nosso Carnaval que fazemos questão em transmitir aos forasteiros é a rivalidade entre Paço e Rossio e a apoteose final que tem lugar nas Quatro-Esquinas, onde os referidos bairros se “confrontam” directamente num frente a frente emocionante – o Despique.
Se queremos que o evento seja devidamente apreciado tem que ser realizado de dia. Não só porque os visitantes têm tendência para abandonar a vila antes do anoitecer mas também pela impossibilidade de registar em filme ou fotografia aquele momento.
Também o palco onde decorre o Despique é insuficiente para acolher foliões, carros alegóricos, bandas, tractores, camiões, geradores, marchas e espectadores. Nem é tanto o problema dos participantes activos que me preocupa. A esses até enalteço a presença e a confusão de som e cores com que preenchem o espectáculo, mesmo com alguns exageros de permeio. O problema é a falta de espaço e de perspectiva que a assistência tem. Os que ficam atrás, como pouco ou nada conseguem ver, precipitam-se sobre os da frente empurrando-os para o já exíguo palco onde decorre a festa. Não obstante tornarem o espaço ainda mais pequeno e os problemas de segurança maiores, continuam privados de assistir convenientemente ao delírio que entretanto tem lugar no largo.Creio que tudo isto poderia ser obviado se o espaço privilegiado do terreiro da capela de S. Sebastião fosse devidamente aproveitado. Para o efeito bastaria a Junta de Freguesia recorrer a uma empresa especializada, daquelas que montam estruturas provisórias em forma de anfiteatro.
Com estas alterações toda a gente ganhava: Ganhava a assistência que poderia usufruir de luz e perspectiva para ver, fotografar ou filmar o Despique, ganhavam os corsos que dispunham de mais espaço para dar azo confraternização, ganhava o público que não coubesse na plataforma pois ficaria com mais espaço nas imediações e ganhava o nosso Carnaval que proporcionaria assim melhores condições para se apreciar o espírito e a euforia vividos no único e fervoroso turbilhão carnavalesco do país.
Estas sugestões não são novas. Já por diversas vezes foram comentadas e genericamente apoiadas. Porém passam-se os anos e nada acontece. Haverá inconvenientes? Quais? Será muito caro? Quanto? Será inércia? Até quando?Todos sabemos que a melhor promoção que se pode fazer a um evento é mostrando-o. Mesmo que as estações de televisão cá viessem que imagens conseguiriam obter (eu não tenho um único vídeo decente do Despique)? Durante a tarde, do ponto de vista da imagem, a expressão do nosso Carnaval não difere muito de outros que se realizam pelo país. Se não conseguimos mostrar aquilo que verdadeiramente nos distingue o que é que fica? Ok, um Carnaval para consumo interno. Mas mesmo para nós eu gostaria que fosse um pouco mais e melhor.


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