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A Vila de Canas de Senhorim é uma terra tipicamente beirã. Situada entre a Serra da Estrela e a Serra do Caramulo é ladeada pelos rios Mondego e Dão. A sua história remonta a tempos milenares, conforme documentam os diversos vestígios pré-históricos e romanos existentes. Foi-lhe concedida carta de foral em 1196 e em 30 de Março de 1514 o rei D. Manuel I confirma o privilégio através de novo foral, o qual confere à vila o estatuto de concelho. Em 1866 é extinto o concelho, circunstância nunca aceite pela população que ao longo do tempo tem lutado pela sua restauração >>>

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Data e HoraQuinta-feira, 09 de Setembro de 2010

Um "Post" de antigamente

Carta de António João Pais Miranda meses antes dos acontecimentos de 2 de Agosto

Canas de Senhorim, 15 de Fevereiro de 1982

Minha querida Madastra:

Espero que esta minha carta a vá encontrar cada vez mais gorda. Nós, por cá, piores que estragados.
Tal como você pediu já seguiram para aí os Correios, o Rápido, o Posto Médico, a casa do Povo, o Alcatrão e o Entrudo. Não compreendi se quer já as Escolas ou se ainda vão ficar cá mais um tempito.
As retretes que prometeu já cá chegaram. Foi uma grande Festa. Naquele dia toda a gente Mijou. A Sr. Antero disse que foram lá 8.000 Gajos.
Os buracos que a Madrasta viu já foram todos alargados e o entulho foi puxado para os passeios. As valetas estão agora cheiinhas de erva, por isso, pró gado NÃO VAI HAVER CRISE.
É pena não ter vindo o Viaduto sobre os Caminhos de Ferro mas, como você disse, estavam as cancelas fechadas.
Já informei os Clubes de Escravos que não esperassem este ano a Esmola do costume porque a Madrasta me tinha dito QUE NÃO HÁ NADA PRA NINGUÉM.
O meu irmão Zé Penúria, queria libertar-se, mas eu disse-lhe que já um dia eu também tentei e você mostrou-me a Catana.
Quanto s luzes que você ia enviar, a minha Madrasta é quem manda, mas eu acho asneira: Aquelas luzernas ou escuro pouco monta.
Também já nos foi entregue o pedaço de cemitério que você nos ofereceu, mas aquilo está ainda muito esguelhado. Diga agora a minha Madrasta se nos quer enterrar a prumo ou a viés.

Até próxima se Deus quiser
O escravo português (século XX)
Zé Canas
PAMIR 85

Peças teatrais, jograis e quadras fazem parte do espólio de luta do António João… a rever em Setembro peças como a “Varanda” (a da má língua) e os Buracos…

6 Comentários em “Um "Post" de antigamente”

  • PortugaSuave comentou às 10:59 em 6 de June de 2007

    Muito boa recolha amigo Cingab.
    Cumprim.


  • Cingab comentou às 11:18 em 6 de June de 2007

    Ainda tenho mais…
    Fotos, peças de teatro, jograis e letras de canções… Tudo fazendo parte da luta do António João pela restauração municipal… E olhe que há coisas, que de tão actuais, até parece bruxedo… Parece que o grupo de teatro vai levar a cena uma peça de 1983 (os Buracos) em Setembro durante a homenagem


  • PortugaSuave comentou às 13:22 em 6 de June de 2007

    Então vá-nos dando conhecimento desse fantástico legado.


  • ibotter comentou às 20:57 em 6 de June de 2007

    Fabulosa “herança”!


  • ibotter comentou às 21:22 em 6 de June de 2007

    Um dos mais antigos registos de “Restauracionistas” -anos 30- referem um familiar de Pamir: um dos mais ilustres canenses, o prof. João Miranda “que muitas horas perdeu, consultando arquivos (que lhe eram constantemente negados pela “madrasta”) a estudar o antigo Concelho de Canas com vista sua restauração”

    há sempre alguém que resiste…


  • Cingab comentou às 15:56 em 8 de June de 2007

    muitos dos textos têm de ser primeiro protegidos na sociedade portuguesa de autores e autorizados pelos familiares… só aquilo que já é público é que se pode transcrever!


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