Canas OnLine

A Vila de Canas de Senhorim é uma terra tipicamente beirã. Situada entre a Serra da Estrela e a Serra do Caramulo é ladeada pelos rios Mondego e Dão. A sua história remonta a tempos milenares, conforme documentam os diversos vestígios pré-históricos e romanos existentes. Foi-lhe concedida carta de foral em 1196 e em 30 de Março de 1514 o rei D. Manuel I confirma o privilégio através de novo foral, o qual confere à vila o estatuto de concelho. Em 1866 é extinto o concelho, circunstância nunca aceite pela população que ao longo do tempo tem lutado pela sua restauração.

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400 anos
a rivalizar por aí

Macacadas

 

A propósito do Carnaval…
por PortugaSuave


A tentativa de ensombrar o nosso Carnaval, levada a cabo pela Câmara Municipal de Asnelas, desde que em 1977 se prestou a incentivar e apoiar uma cópia do Carnaval de Canas de Senhorim, é sobejamente conhecida dos canenses e já não nos suscita qualquer comentário, senão o de registar as mentes perturbadas dos fomentadores de tal recriação. Porém, julgo importante recordar e esclarecer as circunstâncias que levaram à criação da macaquice do carnaval de Asnelas.

 
A ancestralidade do carnaval de Canas de Senhorim perde-se no tempo e na memória. Segundo reza a história, há 300 anos que se vem realizando regularmente, constituindo, pela sua tradição e genuinidade, caso ímpar no panorama nacional. Das suas características peculiares, mantidas até aos dias de hoje, realço a sua originalidade, assente na saudável rivalidade entre os principais bairros da terra (Paço e Rossio) e a diversidade de costumes que animam, não só os quatro dias de folia, mas também os que os antecedem. O facto de nunca ter cedido a influências brasileiras confere-lhe um cunho tipicamente popular, bem patente no ritmo das marchas dos corsos e nas Bandas de Música que as interpretam.

 

 

Foram estas particularidades, aliadas à dedicação com que as gentes de Canas se entregam à sua festa de eleição, que colocaram Canas de Senhorim no roteiro de milhares de visitantes e foliões que anualmente nos procuram para desfrutar e participar no nosso carnaval. Uma festa do povo para o povo, gratuita e espontânea, como refere António João Pais Miranda na publicação Canas de Senhorim – História e Património.

Ora, perante tal evidência, o mínimo que seria de esperar dos responsáveis camarários (Câmara Municipal de Asnelas) era que apoiassem e difundissem este evento, assumindo-o como património cultural da região, elegendo-o como ex-líbris do calendário festivo do município e promovendo-o eficazmente.Mas não. Muito pelo contrário. O que a Câmara Municipal de Asnelas fez no ido ano de 1977, foi incentivar a recriação na sede do município (Asnelas) de um carnaval artificial, tirado a papel químico do nosso. Simularam uma rivalidade ficcionada entre dois bairros postiços e saíram ao embuste, sem pejo nem dignidade. Ocorre-me aqui a leviandade de imaginar o que seria se a Câmara do Carregal, inspirada pelo plágio da sua congénere nelense, importasse a vetusta e tradicional Dança dos Cus de Cabanas de Viriato para o Carregal do Sal. Impossível! Pertencesse Cabanas ao concelho de Asnelas e asseguro-vos que o “bate cu” há já muito tempo seria parte do folclore “genuinamente nelense”.
Este fenómeno de decalque reflecte a inconsistência histórica e cultural da vila de Asnelas. Constituída sede do concelho e criada administrativamente do nada, sem história nem memória, por força de Decreto em 9/12/1852, reuniu no seu seio as vilas de Canas de Senhorim, Senhorim e Santar. Estas vilas possuíam uma identidade própria que assentava no seu vasto património histórico e era consolidada pelos costumes e tradições seculares que os seus povos legaram à modernidade. Essa herança chegou aos nossos tempos através da arquitectura, da gastronomia, das lendas e crenças e de outros rituais, entre os quais o carnaval de Canas. O que aconteceu com Asnelas é que não houve legado nem herança que sustentasse o estatuto entretanto adquirido. No que refere ao carnaval a tradição nelense resumia-se ao bailes de carnaval e às moribundas “Contradanças” que, convenientemente, são referidas como origem(?) do actual carnaval de Nelas (ver Boletim Informativo n.º 7 da Câmara Municipal de Asnelas, de Fevereiro de 2005). Na ausência de tradições assinaláveis e a coberto de líderes despeitados e sem escrúpulos copiou-se o que havia para copiar e aviltou-se assim o património alheio na confecção de um carnaval por receita. Roubo premeditado e plágio consumado.

Mas de macacadas está o carnaval cheio e, mesmo assim, por mais que macaqueiem, não há dinheiro que compre o entusiasmo, a vibração, a alma e a devoção com que os canenses se entregam ao seu carnaval. Somos herdeiros de uma tradição genuína que representa uma das expressões mais autênticas do carnaval popular português, e isso vem cá de dentro, é inimitável. O resto são contradanças…
Viva o Paço. Viva o Rossio. Viva o Carnaval de Canas de Senhorim.

17 Comentários em “Macacadas”

  • efeneto comentou às 20:50 em 13 de January de 2008

    …já cheira a Carnaval.
    Posso informar que tenho em meu poder os números de contacto para quem esteja interessado em se inscrever nos corsos(!??!) da vila de nelas pois neste momento debatem-se com falta de figurantes/marchantes.
    E não é partida não.

    Excelente trabalho mais uma vez como é seu timbre.
    Abraço.


  • MANUEL HENRIQUES comentou às 21:45 em 13 de January de 2008

    É dificil não concordar com tudo o que é dito :)

    Não aproveitar este património cultural e etnográfico (que é o nosso carnaval) só revela miopia e vista curtas desta gentinha invejosa e sem passado que nos governa. Não ganharia o actual concelho em potenciar este evento?

    O Efeneto tem razâo: No último “Folha do Centro de Asnelas” vem um pedido dos dirigentes dos “bairros nelenses” para que as pessoas adiram ao evento (também já apelidado pelo mesmo jornal como o maior evento do concelho)fornecendo as respectivas fardas (e apelando ao bom senso pois o pano para os fatos já está comprado)

    Viva Canas
    Viva o Rossio


  • efeneto comentou às 22:00 em 13 de January de 2008

    …já agora viva o Paço também.


  • MANUEL HENRIQUES comentou às 22:01 em 13 de January de 2008

    o esquecimento foi propositado..é Carnaval e algum bairrismo fica sempre bem :)


  • ibotter comentou às 22:18 em 13 de January de 2008

    LOL efeneto

    Manel o Portuga Suave com este texto, lembra “aqueles que não tiram a pata de cima” que não há quem destrua a nossa maior tradição.
    Porque ao longo dos anos 80 e 90 as tentativas de “eliminar” o CARNAVAL DE CANAS foram mais que muitas! ou seja, não foi só não divulgar, esconder ou pura inveja! a ideia era mesmo “apagar”! na linha do “fazer de Canas uma reles aldeia”!

    Parabéns uma vez mais ao Portuga pelo brilhante texto.


  • ibotter comentou às 22:29 em 13 de January de 2008

    Rossio Sempre!


  • efeneto comentou às 22:41 em 13 de January de 2008

    *iboter*
    …se continuam assim podem querer que vamos bater o record do “cereja” com mais de 200 comentários só neste post…(risos)


  • ibotter comentou às 0:31 em 14 de January de 2008

    Não digas mal do Rossio…


  • DaPovoa comentou às 8:48 em 14 de January de 2008

    Bom Trabalho.
    Muito certo!


    Pois foi.

    Também reparei no tal jornal, ao apelo que as duas associações de asnelas faziam para a afluência de figurantes para os corsos, (parece que era o Câmara que exigia).

    Lembrei-me logo, no Carnaval de Canas não há necessidade disso.

    Viva o Carnaval de Canas


  • efeneto comentou às 9:06 em 14 de January de 2008

    *dapovoa*
    …não há necessidade nem nunca houve, tenho 16 anos de Canas permanente e nunca li ou ouvi pedirem figurantes, nem sequer há necessidade do Paço e do Rossio pedirem, o povo vai.Tal como escreve o “Portugasuave”:
    […]A ancestralidade do carnaval de Canas de Senhorim perde-se no tempo e na memória. Segundo reza a história, há 300 anos que se vem realizando regularmente, constituindo, pela sua tradição e genuinidade, caso ímpar no panorama nacional.[…]

    Outro ponto, temos que compreender a posição da camara ao apelar para a realização do Carnaval pois pelo menos durante quatro dias o povo sempre se divertia com alguma coisa e boa oportunidade para aprovação de diplomas.

    *ibotter*
    …eu não disse mal de ninguém.


  • ibotter comentou às 18:07 em 14 de January de 2008

    @efeneto
    é só um verso de uma das mais belas conções do Rossio da Maria Natália Miranda !

    Os “dirigentes” desses pseudo bairros desse macaqueado carnaval deviam era publicar no jornal o seguinte pedido: Precisa-se VERGONHA na cara! porque Copiar é feio ! ajudem-nos acabar com isto!
    Viva o Rossio


  • Cingab comentou às 19:08 em 14 de January de 2008

    Mais um ano, mais folia
    Nesta Vila monumental
    Será uma disputa sadia
    Como é praxe do Carnaval

    Paneladas, farinhadas, pisões
    Dois corsos de bonita gente
    Alvos de todas as atenções
    Da grande alma que sente

    Por mim sempre Rossio
    Outros há que do Paço são
    Aos dois não faltará o brio
    Mas alguém ficará c’o “Melão”

    Pode ser cedo o Entrudo
    Neste ano que é bissexto
    Mas ninguém fica sisudo
    Porque damos a volta ao texto


  • efeneto comentou às 19:25 em 14 de January de 2008

    Temos poeta. Bem estruturado. Rimas perfeitas.
    Poesia popular ao mais alto nível.


  • Tomahock comentou às 1:38 em 15 de January de 2008

    Anda lá bairro do coiso
    Contentes de tanto gozar
    A saltar de poiso em poiso
    Somos os melhores a marchar!

    Nossas fardas as fazemos
    Para no domingo sair
    Grandes carros nós não temos
    Mas os do Paço vamos curtir!

    No despique não temos ninguém
    Por nosso bairro gritar
    Mas quem de longe vem
    Em nós vai reparar!

    Se o coiso não conhecem
    É fácil de recordar
    Nas fotos é só procurar
    As melhores fardas nos pertencem!


  • efeneto comentou às 13:44 em 15 de January de 2008

    Temos poeta II.
    Deslize na última quadra, “conhecem” e “pertencem!” não casam muito bem, de resto nota 9,5.


  • PortugaSuave comentou às 13:52 em 15 de January de 2008

    A dificuldade d’asnelas encontrar foliões que alinhem no desfile traduz bem a fragilidade daquele evento, que só resiste porque é levado ao colo pela Câmara. Quando se copia corre-se o risco de nunca aprender, e, ao que parece, a doutora insiste na cabulice…
    cumprim.


  • Farpas comentou às 17:35 em 15 de January de 2008

    Bairro do Coiso ao poder!!!:D


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