Escola Técnica do Dão
Edifício onde esteve instalada Escola Técnica do Dão (1967-1985)
O alargamento do período escolar para 6 anos em 1964, levou à construção de um número significativo de escolas do Ciclo Preparatório em todo o país, o que contribui para o aumento da população estudantil. Assim, a vila de Canas de Senhorim foi contemplada com a criação da Escola Técnica do Dão, pelo Decreto n.º 47228 publicado no Diário do Governo, em 30/09/1966. Nesta escola eram ministrados os cursos de Electromecânica, Agente Rural, Formação Feminina e Ciclo Preparatório.
Tudo se deveu à iniciativa do pároco desta freguesia, o Sr. Abade Domingos com a preciosa colaboração e determinação do então Director da Companhia Portuguesa dos Fornos Eléctricos (CPFE), Sr. Eng. Dionísio Augusto Cunha, que constatando uma certa pobreza cultural e social a par de um período de franco desenvolvimento industrial se lançaram na concretização do projecto de criação de uma escola onde se pudesse valorizar a formação integral da população jovem.
Inicialmente a escola funcionou na casa da Raposeira, após obras de adaptação à função do ensino, em instalações cedidas pela administração da CPFE. A própria administração da CPFE assegurou a regência de algumas disciplinas através de Engenheiros e outros Técnicos do seu Quadro.
No ano lectivo de 1985/86 são inauguradas as novas instalações, actualmente denominadas com o nome “Escola C+S Eng. Dionísio Augusto Cunha", em homenagem à pessoa que permitiu a existência de um espaço de formação académica e técnico-profissional nesta vila.
Canas de Senhorim História e Património, JFCS 1996_Ant.º Augusto Carmona Pinto
Contributo para a história da Escola Técnica do Dão
por Artur Rama*
Os pioneiros, Escola Técnica do Dão, 1969/70(?)

A escola abriu devido aos Fornos terem feito com que a Escola pudesse ter instalações, e tudo foi feito para que abrisse. Lembro-me que o primeiro ano foi um ano diferente, pois éramos poucos os que fizeram parte da abertura da Escola. Se não me engano, havia 4 turmas (A -B - C e D): da A faziam parte a malta de Canas e Urgeiriça, da B era malta de Nelas, Carvalhal, Folhadal, Senhorim,etc; a C era a turma das meninas (oops, raparigas, senhoras…..whatever) e a D era malta de Cabanas,Oliveirinha, Carregal,etc. Dos professores já não me lembro muito bem, mas lembro-me que o Padre Domingos ( se nao me engano), a esposa do Dr. Alberto Reis, da farmácia do Paço ( Fisica ), e o Sr. Director ( de Carvalhal) faziam parte do corpo de professores.
Passado que foi o primeiro ano, aqueles que passaram continuaram para o segundo ano e depois entrou mais malta que veio da escola primária para o primeiro ano. Havia portanto dois anos escolares. E por ai fora…
Antes de fazer parte da malta que começou e abriu a Escola Técnica do Dão eu ainda andei um ano no Colégio de Nelas, assim que saí da quarta classe. Acabei o ano escolar em Nelas mas depois o meu pai fez com que eu tivesse que repetir o ano escolar em Canas, no ano a seguir. E não me arrependo. Da escola primária lembro-me do Professor Varejão e também do professor Edgar (esse foi o meu professor durante a minha escola primária). Passados 5 anos eu saí e fui para Moçambique ( 1972).
Junto envio uma foto do que foi tirada com o pessoal todo da Escola, se não me engano no ano de 1967. Nesta fotografia recordo-me de muito malta, agora os nomes é que nem todos: em frente, sentados, estão os professores, atrás estão os contínuos e o pessoal da secretaria dessa altura; a moça do lado esquerdo (do pessoal da secretaria) era de Viseu e viveu connosco durante dois anos.
Das raparigas lembro-me, começando da esquerda: moça da Felgueira, Teresa Andrade, Cristina (que saiu do país para o Canadá se não estou em erro), ?,? , Zai (minha irmã), Filomena de Nelas, ?,?,?; atrás delas (esq) ?,?,?,?, Nene, Cristina Cunha,?, Ana do Luís Pinheiro,?. Da fila de trás só me lembro mesmo da Teresa Pinto ( que casou com o Pires).
Dos rapazes (Esq.): ….Quim Cardoso com as mãos na cabeça do Fernando Jorge,?, Rosa da Lapa,?, Gaspar de Nelas, ?, Mouraz e Pires. Sentados, só me lembro do nome do Fernando Jorge. No meio ( Esq.) lembro-me do Tonito de Vale de Madeiros, Tozé Lopes, Monteiro de Vale de Madeiros; da malta de Cabanas, o Morgado, Chico e dos outros não me lembro dos nomes agora. Também estão os irmãos Albuquerque de Nelas, o João do Paço, o Moitas (se nao estou em erro), o Flisberto da Lapa. Do lado direito e também da esquerda - O Rosa da Lapa do lobo, eu, o João Alvadia , o Shete (como a malta lhe chamava e não sem quem mais).
Seria bom que o resto dos nomes fosse encontrado pois penso que esta foi umas das primeiras fotos da Escola, se não a primeira foto com o grupo todo. Se por acaso conseguirem identificar esses nomes digam por favor …gostaria de saber(relembrar) os nomes deles também.[…]
Aqui vai um abraço deste Canense que nunca vos esquecerá, Cheers.
* Artur Rama enviou-nos este testemunho fantástico de África do Sul, onde agora vive. É visível a sua emoção quando fala de Canas e dos companheiros(as) que fizeram parte da sua infância e adolescência. Quem estiver interessado em contactá-lo pode fazê-lo via Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o JavaScript terá de estar activado para que possa visualizar o endereço de e-mail
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por Ana Mafalda
O Minístro da Educação em exercício aquando da criação da Escola Técnica do Dão, cuja designação à época MINISTRO DA EDUCAÇÃO NACIONAL, foi INOCÊNCIO TELES, sucedeu-o JOSÉ HERMANO SARAIVA, este foi depois substituído, após as manifestações estudantis de 1969, por VEIGA SIMÃO (1970-1974)…
José Hermano Saraiva assinou/promulgou o contrato de trabalho daquela Senhora de bata preta que se encontra em pé entre o Sr. Director e a Profª. de Lavores Femininos, Prof. Ermelinda de Sousa Lopes. Aqui por casa quase que nos era exigido fazer-lhe homenagem!!! lol
[…] quem veio inaugurar a Escola Técnica do Dão foi o Secretário de Estado da Educação Dr. Justino de Almeida, como constava da placa situada à porta principal (entrada para a secretaria)…
Quando do novo edifício 1984, quem veio "fazer a entrega" das instalações foi a Directora de Serviços Drª. Maria da Conceição Castro Ramos.
A foto não é de 1967 mas sim de 1969/1970 ou até posterior?? … porque se fosse de 1967 não poderiam constar alguns figurados. Lembram-se do Prof. Sobral? do Sr. Simão? Reconhecem a Srª Lurdes Matias? O Sr. Director chamava-se José Marques da Costa, formado em História e Filosofia … impunha cá um respeito…
Da ETD dessa época, recordo o medo do Sr. Director, de me esconder debaixo da secretária da minha mãe ou dentro da lareira da secretaria, quando o pressentia (nas férias) … e não era só eu, eram todos os filhos dos funcionários ou prof.s (por vezes não tínhamos com quem ficar … )recordo as partidas do Sr. Simão ( um verdadeiro "prato") do carinho da Sr.ª Lurdes Matias, dos que trabalhavam na secretaria: o Chefe era o Sr. Gonçalves Dias … a D. Fernanda, a D. Beatriz e (…), conheci-os bem, sobretudo pelo convívio em casa!
O Ministro da Educação Veiga Simão veio efectivamente à Escola Técnica do Dão, numa visita não protocolar, foi a Viseu e no regresso passou por aqui, na Escola tiveram conhecimento no próprio dia, um telefonema a partir de uma Escola de Viseu foi o veículo dessa informação…e ocorreu antes do 25 de Abril de 1974 … não consigo precisar o ano e o dia.
A sua vinda deveu-se a uma verdadeira digressão que fez por todo país divulgando a "célebre reforma de Veiga Simão" com a criação dos cursos unificados (unificação dos cursos dos liceus e das escolas técnicas) proporcionando que em ambas as modalidades pudesse ocorrer continuidade para os percursos académicos/estudos superiores, o que até ali não acontecia, só os alunos dos liceus tinham acesso ao ensino superior.
Se por um lado a ideia subjacente "de igualdade de oportunidades" foi à época vanguardista e excelente, com o continuar dos anos destruiu-se por completo uma importante via profissionalizante…
De ministro em ministro chegámos ao que temos hoje
[…] recordo as pessoas porque convivi com elas, o Sr. Simão era natural de Penedono fui visitá-lo várias vezes com os meus pais, também visitávamos a D. Fernanda da secretaria […] o resto absorvo de uma "enciclopédia falante" que hoje escuto com mais atenção do que quando por lá andava
Essa sim, conhece o cerne das coisas, histórias fantásticas, aliás a minha mãe entra na escola pouco tempo depois de terminar o estudos no Liceu Nun’Alvares(no Carregal do Sal) substituindo o pai da nossa Drª. Catarina, proprietária actual da Farmácia do Pelourinho … é uma longuíssima história.
A memória até é aquilo que mais nos atraiçoa … daí algumas imprecisões que por aqui andam e que não escapam a quem esteve muito por dentro!!
[…]
Sociedade 










