Canas OnLine

A Vila de Canas de Senhorim é uma terra tipicamente beirã. Situada entre a Serra da Estrela e a Serra do Caramulo é ladeada pelos rios Mondego e Dão. A sua história remonta a tempos milenares, conforme documentam os diversos vestígios pré-históricos e romanos existentes. Foi-lhe concedida carta de foral em 1196 e em 30 de Março de 1514 o rei D. Manuel I confirma o privilégio através de novo foral, o qual confere à vila o estatuto de concelho. Em 1866 é extinto o concelho, circunstância nunca aceite pela população que ao longo do tempo tem lutado pela sua restauração >>>

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Data e HoraSábado, 31 de Julho de 2010

CPFE. Recordações… das boas

Companhia Portuguesa de Fornos Eléctricos Anos 80_ Foto incluída na obra "História dos Fornos Eléctricos" _ Mestrado em História Contemporânea de Portugal, apresentada na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra por DUARTE SAMPAIO LOIO_por FAC

 

De facto o empenho da Ana Mafalda em tirar do baú o que de mais importante marcou a nossa terra é perfeitamente conveniente. Esta recordação tem tanto de conveniente, recordando um marco histórico, como de “verdade inconveniente” ao estilo de AlGore. Recorde-se o fumo e as faúlhas que a todos os instantes entupiam as nossas caleiras, sujavam a roupa estendida nos cordéis e incomodava-nos a nós estudantes da “Escola Técnica”. Aquele fumo entrava-nos pela garganta dentro, principalmente em dias de chuva e de fumo baixo. E, até era giro (!!!!!!!), quando de noite ficávamos horas a olhar para as chaminés do forno 15 a jorrar lume com dois a três metros de altura.
De facto isto era o que de mais inconveniente existia. Completamente justificado com o emprego de mais de 600 pessoas directas e uma quantidade enorme de indirectos que traziam à nossa terra diariamente centenas de visitantes e de oportunidades de negócios. Quem não se lembra da azáfama às seis da tarde, quando se juntavam à mesma hora de saída os trabalhadores da CPFE, da ENU e os estudantes! Até o trânsito tinha que ser controlado pela GNR.
E tínhamos a “Cantina”, ali mesmo ao lado da escola, onde podíamos ir comprar os amendoins, as batatas fritas, as bolachas baunilha, as gasosas, para saborear bem refastelados na encosta do Campo da Raposeira e ao sol … e se não houvesse dinheiro, pedíamos ao “Sr. António da Cantina” para apontar na caderneta, que depois a mãe pagava…
Mas também nos proporcionava o CAT (cantina dos trabalhadores), onde aos Domingos podíamos fazer uns joguinhos de pingue-pongue, basquetebol (belos tempos com o João Pêga), matraquilhos, bilhar e ver televisão a preto e branco…
E tínhamos a Estação dos caminhos-de-ferro, Canas-Felgueira, que em dia de apanhar o Inter-Regional os cais se enchiam de multidões…
E, esperávamos ansiosos pelo Natal para recebermos a prenda da fábrica…Todos os anos era ofertado aos filhos dos trabalhadores um presente de Natal.
Enfim, recordações…das boas.

 

Comentário de Frankie no post CPFE

Companhia Portuguesa de Fornos Eléctricos

Curiosamente não há em Canas uma única referência digna desse nome a essa grande Indústria que tirou Canas do anonimato rural a que estava condenada, que deu emprego a milhares de homens e também algumas mulheres, provenientes dos mais diversificados pontos de país, … que colocou esta Terra no mapa, que fez desta Terra o maior e mais importante pólo industrial de todo o interior português durante décadas ( porventura o único )!

 

Companhia Portuguesa dos Fornos Eléctricos apresenta as indústrias que introduziu em Portugal e que constituem o seu programa de fabricação:

Carbonato de Cálcio

Cianamida cálcica

Ferro-gusa em lingotes

Hetatite

Semi-Fosforoso

Fosforoso

Tipos Especiais

Ferro-ligas

Ferro-Silício

Silício-Metal

Ferro-Manganês

Silício-Manganês

Ligas Especiais

A Companhia Portuguesa dos Fornos Eléctricos ( CPFE), sociedade anónima, fundada em 1917 em Portugal, orientou inicialmente a sua actividade, na indústria electroquímica, para permitir a utilização dos excedentes de energia das hidroeléctricas da Serra da Estrela.

Na primeira fase instalaram-se fornos monofásicos com uma potência global de 2 500 KVA para produção de carboneto de cálcio.

No entanto as limitações de abastecimento de energia eléctrica e a segunda guerra mundial restringiram o desenvolvimento da CPFE que somente depois de 1946 pode orientar-se para dois novos domínios: produção de cianamida cálcica e de ferro-ligas e gusas em forno eléctrico.

Após 1946 iniciou-se a fabricação de gama extensa de Ferro-ligas que inclui desde o ferro silício de 25%Si até ao de 90%Si e o silicío-metal, além das ligas de manganês ( ferro-manganês, silício manganês). Produz-se também tonelagem apreciável de gusas eléctricas, de composições correntes especiais.

Derivada da indústria do carboneto desenvolveu-se paralelamente a indústria da cianamida cálcica cuja fábrica atingia em 1958, a capacidade de produção de 20 000 toneladas/ano. O conjunto alcançou, em 1958, uma potência de 20 000 KVA.

O conjunto fabril da CPFE em Canas de Senhorim ocupa a área de 200 000 m2 , da qual 20 000 m2 em edifícios, trabalhando nestas instalações 600 pessoas.

A posição da fábrica, situada no centro de Portugal, é favorecida sob o ponto de vista de transportes pois, limitada por um lado pela estrada nacional, dispõe ainda de ramais privativos ligados à rede ferroviária da Beira Alta.

A localização é boa, do ponto de vista de abastecimento de energia eléctrica, visto que as instalações fabris se encontram próximo de centrais que as alimentam, estando também ligadas directamente à rede eléctrica primária do País. A potência instalada nas subestações é de 27 000 KVA.

Junto à fábrica foram construídos, além do bairro residencial para pessoal dirigente e especializado, uma escola primária e profissional, campos de jogos, salão de festas e posto médico com enfermaria.

Cianamida Cálcica – Adubos Químicos

 

 Fornos eléctricos descontínuos para fabrico de cianamida cálcica

É obtida em fornos descontínuos pela azotação do carbonato de cálcio.

Adubo azotado amídico, titulando 20,5% de azoto e 60% de cal, com as seguintes aplicações principais: 1 – Adubação de fundo de todas as culturas dos solos ácidos.

2 – Adubação de cobertura dos cereais praganosos com dupla finalidade de combater as plantas daninhas e fertilizar as culturas.

3 – Preparação de estrumes artificiais a partir de diversos materiais, tais como palhas, folhas, bagaços, etc.

Os Serviços Agronómicos sa CPFE fornecem todas as indicações que lhes forem pedidas sobre o modo de aplicação da cianamida nas diferentes culturas e nos diversos tipos de solo e regiões do País.

Ferro Gusa em Lingotes - Electometalurgia

-

Hematite

Semi-fosforoso

Fosforoso

C

3,5 – 4 %

3,5 – 4 %

3,5 – 4 %

Mn

0,7 – 1 %

0,7 – 1 %

0,5 - 0,7 – 1 %

P

0,08 % max

0,5 – 0,7 % max

1 – 1,3 % max

S

0,05 % max

0,05 % max

0,05 % max

Si

1,5 – 2 2 – 2,5 2,5 – 3%

3 – 3,5 3,5 – 4 %

2 . 2,5 2,5 – 3 %

3 – 3,5 3,5 – 4 %

2,5 – 3 % 3 – 3,5 %

Fabricado no forno eléctrico em diversos tipos normalizados.

Além das composições correntes indicadas no quadro acima, pode fornecer, de harmonia com as necessidades e especificação do cliente, outros tipos de gusa.

Dispondo de modernos laboratórios e gabinete de estudos, a CPFE está em constante evolução, orientando-se sobretudo para a fabricação de produtos que exigem técnicas mais especializadas.

Ferro Ligas Produzido no forno eléctrico com estrutura e composição química de grande regularidade.

-

C

Si

Mn

P

S

Ferro-Manganês

6 – 7 %

1,5 % max.

76 – 80 %

0,35 % max

0,05 % max

Ferro-Silício

0,5 %

20 - 25 %

________

0,1 % max

0,07 % max

0,5 %

25 – 30 %

________

0,1 % max

0,07 % max

0,1 %

45 – 50 %

________

0,1 % max

0,05 % max

0,1 %

75 – 80 %

________

0,07 % max

0,05 % max

0,1 %

90 – 95 %

________

0,05 % max

0,05 % max

Além das composições indicadas – as mais correntes – a CPFE fabrica ferro-ligas com outras características, conforme aplicações específicas e desejo dos clientes.

A CPFE tem o domínio da fabricação de ferro-ligas, larga experiência e técnica bastante apurada que lhe permite apresentar produtos de alta qualidade.

Carboneto de Cálcio - Electroquímica

O carboneto de cálcio foi o primeiro produto que a CPFE fabricou em forno eléctrico.

O mercado tem aumentado dadas as inúmeras aplicações industriais do carboneto (soldadura, corte, metalurgia, síntese química e iluminação).

Uma parte importante da produção no fabrico da cianamida cálcica a qual é obtida em fornos eléctricos descontínuos, com eléctodo central, onde o carboneto é azotado.

A CPFE produz carboneto de cálcio satisfazendo normas internacionais. Assistência Técnica A CPFE põe os seus meios laboratoriais e de investigação, ao serviço dos clientes para estudo de novos materiais e de técnicas de utilização, especialmente adaptadas ao emprego mais eficiente e económico dos produtos que fabrica.

Sangria de um forno

 Estes dados, fotos e texto foram compilados na íntegra, de um prospecto da antiga CPFE, trilingue( portugês, francês e inglês) com o intuito de a promover e dignificar junto de futuros clientes. Surge, este documento, nos finais da década de 60 principios da década de 70, em pleno Estado Novo e na sua época aurea! Aos seus antigos trabalhadores, aos que ainda estão connosco e aos que já partiram, às fuas famílias, aqui fica este registo em jeito de HOMENAGEM!

recolha de Ana Mafalda

Borgstena - O pesadelo

O pesadelo voltou a Canas e a mais de 300 Famílias. A Fábrica Têxtil Borgstena, na zona industrial de Canas foi palco de violento incêndio.
 

 

NNo local estiveram cerca de 150
Bombeiros e 50 Viaturas de várias corporações.
 
vídeo Efeneto
fotos e texto Pedro Ferreira

 

 
Suecos dão luz verde para reerguer fábrica
 
 

 
A unidade será reconstruída e um conjunto de trabalhadores vai ser distribuído pela rede de empresas que opera em subcontratação com a Borgstena, em Portugal, na Alemanha e na Bélgica.A Administração evita despedimentos.
A Administração sueca que detém a maioria do capital social da Borgstena, a fábrica de componentes de tecidos para automóveis que, anteontem, foi consumida por um violento incêndio, quer voltar a reconstruir a unidade industrial de Nelas. Tal e qual como há dois anos, quando outro fogo, ainda mais devastador, a destruiu por completo.
Foram duas tragédias em dois anos apenas. Mas voltam a soprar bons ventos, que auguram bom futuro para grande parte dos seus 320 trabalhadores.
"Estive em contacto com os administradores suecos e eles deram-nos total o apoio e luz verde para avançarmos com a reconstrução da fábrica", disse ao JN Jorge Machado, da administração da empresa em Portugal. O empresário, que esteve ontem reunido com os trabalhadores, garantiu que a laboração será mantida pela rede de unidades industriais que trabalham para a Borgstena em regime de subcontratações.
"A rede está distribuída por Portugal, Alemanha e Bélgica", explicou, acrescentando que um conjunto de operários de Nelas vai ser distribuído pelas fábricas subcontratadas naqueles três locais.
"Vamos evitar que haja despedimentos. Não queremos que isso aconteça", afirmou Jorge Machado, que anteontem lançou duras críticas contra o plano de coordenação dos bombeiros que combateram o incêndio da fábrica, designadamente lamentando que os meios aéreos não tenham sido activados, como tinha solicitado.
"O fogo veio pelo telhado e nós fartamo-nos de pedir meios aéreos. Eu acho que com a intervenção deles, o incêndio não teria atingido aquelas dimensões. A informação que nós tivemos por parte do comandante dos bombeiros é que não teriam sido autorizados", lembra o empresário.
Confrontado com a questão, o comandante distrital de operações e socorro, César Fonseca, diz que a utilização de meios aéreos "não seria tecnicamente aconselhável".
Ontem, já depois de terminadas as operações de rescaldo, peritos do seguro estiveram no local e testemunharam o rasto deixado pela violência do fogo. "A peritagem que fizeram concluiu que o incêndio destruiu entre 85% a 90% da fábrica", disse Jorge Machado.
A devastação do fogo deu-se numa altura em que Borgstena estava em plena expansão, com o volume de negócios a triplicar e a admissão de mais trabalhadores.
 
Rui Bondoso em Jornal de Notícias

 

Memória Industrial

Edição Miranda e Irmão

CUF

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FEVEREIRO 1955

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