Alexandre Pais & C.ia
06/09/2011
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A Vila de Canas de Senhorim é uma terra tipicamente beirã. Situada entre a Serra da Estrela e a Serra do Caramulo é ladeada pelos rios Mondego e Dão. A sua história remonta a tempos milenares, conforme documentam os diversos vestígios pré-históricos e romanos existentes. Foi-lhe concedida carta de foral em 1196 e em 30 de Março de 1514 o rei D. Manuel I confirma o privilégio através de novo foral, o qual confere à vila o estatuto de concelho. Em 1866 é extinto o concelho, circunstância nunca aceite pela população que ao longo do tempo tem lutado pela sua restauração. |
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A Padaria Monteiro (1926) está integrada arquitectonicamente num robusto edifício do princípio do século XX. O edifício incorpora também a antiga residência da família Monteiro, a Farmácia Monteiro (1924), a antiga Pensão Arcada e, em tempos, sediou outros estabelecimentos e serviços que constituem referência relevante na memória de várias gerações. A sua edificação está associada a uma figura eminente da sociedade canense, o Dr. Abílio Monteiro, que no seu espírito empreendedor dotou Canas de Senhorim das mais diversas valências comerciais, designadamente a Padaria Monteiro, estabelecimento em destaque neste artigo.
Abílio Monteiro nasceu na freguesia de Cerdeira, concelho do Sabugal em 25 de Outubro de 1900. Muito novo, com cerca de catorze anos veio “à guarda do revisor” de comboio, com destino a Canas de Senhorim. Rapaz expedito e inteligente começou a trabalhar como ajudante técnico na única farmácia existente que era propriedade do Dr. Joaquim Felício Pais do Amaral. Conheceu Maria Pessoa de Campos Borges, professora primária com quem casou. Viveu inicialmente em casa dos pais de sua mulher, com o seu cunhado António Borges Figueiredo Campos, Cônsul de Portugal, e sua mulher Valéria Lorenzini Borges Campos. Aí nasceu o seu filho António José Borges Monteiro. Mais tarde deu início à construção da casa onde passou a maior parte da sua vida que fica por cima da Farmácia e da Padaria, na Rua do Rossio, rua que mais tarde veio a ter o seu nome.
Foi uma mega construção na altura porque o edifício é todo em pedra e conta-se que eram dezenas de trabalhadores e dezenas de carros-de-bois a transportar pedras de uma zona chamada Vale de Almeida. Para além de farmacêutico e padeiro (como ele por graça fazia questão de dizer) foi fundador e director de um importante jornal na altura “A Voz da Beira”, jornal onde sempre que podia escrevia contra o regime que vigorava na altura, tendo quase sido preso pela PIDE. Trabalhador incansável, contra tudo e contra todos, sempre manifestou os seus pontos de vista sem medos tendo ainda sido correspondente de vários jornais nacionais (Jornal de Notícias, Comércio do Porto, A Capital, etc). Com um carácter forte e determinado, uma inteligência fora do comum, sempre foi um humanista ajudando o próximo no exercício da sua actividade profissional.
Com a licenciatura em Farmácia de seu filho António José Borges Monteiro, resolve ir para os Açores porque gostava particularmente do clima, deixando os negócios ao seu filho. Assume a Direcção-Técnica das farmácias da Misericórdia na Praia da Vitória (Ilha Terceira) e posteriormente no Nordeste (Ilha de S. Miguel). A seu pedido, por gostar muito das paisagens maravilhosas do Nordeste, aí ficou sepultado no dia 23 de Fevereiro de 1982.