Canas OnLine

A Vila de Canas de Senhorim é uma terra tipicamente beirã. Situada entre a Serra da Estrela e a Serra do Caramulo é ladeada pelos rios Mondego e Dão. A sua história remonta a tempos milenares, conforme documentam os diversos vestígios pré-históricos e romanos existentes. Foi-lhe concedida carta de foral em 1196 e em 30 de Março de 1514 o rei D. Manuel I confirma o privilégio através de novo foral, o qual confere à vila o estatuto de concelho. Em 1866 é extinto o concelho, circunstância nunca aceite pela população que ao longo do tempo tem lutado pela sua restauração >>>

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Data e HoraSábado, 31 de Julho de 2010

2 de Agosto

Comemora-se mais um aniversário do dia 2 de Agosto de 1982. A data que se comemora tem um simbolismo muito próprio, invocada no presente como referência reivindicativa da restauração do concelho.
À época, esta data uniu a população de Canas numa acção concertada que visava inverter as condições deploráveis das infra-estruturas da freguesia e preservar outras que nos arriscávamos a perder. A manifestação de unidade e força então vivida criou-nos um sentimento de esperança e a velha máxima de que o povo unido jamais será vencido ganhou aqui reforçada expressão.
Provavelmente, as novas gerações desconhecem as movimentações da altura, os processos sub-reptícios que iam deixando a nossa vila cada vez mais isolada: os comboios rápidos que deixaram de parar em Canas, a reformulação do processo de recolha de correspondência pelos CTT, com prejuízo explícito para Canas, o Posto Médico em vias de fechar…, tudo isto sob o olhar beneplácito da sede do concelho que, comodamente, ganhava para si a centralização destes meios, com as vantagens de progresso que tal circunstância lhe oferecia e em detrimento total dos interesses de Canas. Do caderno reivindicativo apresentado previamente, destacavam-se a criação de um código postal próprio que obviasse os atrasos e incómodos na manipulação da correspondência, a manutenção do posto dos CTT, a paragem dos comboios rápidos, o Posto Clínico e a apreciação em AR do projecto do CDS para a elevação de Canas a concelho.
Embora os aspectos circunstanciais fossem consideráveis, o maior amargo de boca era o sentimento geral que Canas, debaixo da alçada do concelho de Nelas, estava condenada. A tendência centralizadora da sede de concelho aliada a uma política autárquica displicente reforçava a insatisfação popular.
A 30 de Julho de 1982, o projecto de lei do CDS não foi apreciado na AR por falta de quórum, facto que certamente contribuiu para sublinhar o descontentamento da população e despoletar as acções levadas a cabo no dia 2 de Agosto.
Foi decidido impedir a correspondência de sair dos correios como forma de protesto. Porém, esta foi recolhida antecipadamente, pelo que, os contestatários viram gorada a intenção. Sentindo-se ludibriados, os canenses insurgiram-se. A revolta popular foi espontânea. Os sinos tocaram a rebate e a população acorreu em massa ao actual largo 2 de Agosto. De acordo com o Jornal de Notícias cerca de duas mil pessoas participaram na concentração. Tomou-se de assalto os Correios e interrompeu-se a linha da Beira-Alta. Estavam dados os passos para a “negociação”. No dia 3 de Agosto, reuniram no Governo Civil os representantes de Canas, a Câmara de Nelas e altos funcionários dos CTT. Nesta reunião ficou acordado que as altas instâncias dos CTT e dos Caminhos de Ferro iriam ter em conta os interesses manifestados. Os canenses baixaram a guarda. O braço de ferro valeu a pena. Não conseguimos que os comboios rápidos parassem na estação mas ganhámos todas as outras reivindicações.
Hoje, pode parecer pouco, mas, do desfecho das acções do dia 2 de Agosto de 1982, aprendemos os princípios que no futuro haveriam de nos orientar no processo reivindicativo pela restauração do concelho: a coesão, a determinação, a resistência e a vontade popular.
Viva o 2 de Agosto. Viva Canas de Senhorim
Portuga Suave

 

IMPRENSA

 

 

 

edição de 3 de Agosto de 1982
recolha de Heleno de Jesus Pereirinha

 

 

 

edição de 4 de Agosto de 1982
recolha de Heleno de Jesus Pereirinha

 

 

 

edição de 5 de Agosto de 1982
recolha de Heleno de Jesus Pereirinha

Os títulos do JN

Em luta pelo Código Postal, Canas de Senhorim sequestrou Correios e arrancou via-férrea
Canas de Senhorim fechou a sua carta de protesto
Confrontos com o Corpo de Intervenção da GNR
Queremos progresso
GNR intervém – canenses no hospital
Bloqueio levantado ao princípio da tarde
Canas de Senhorim voltou à rotina

As motivações
Perda do Código Postal
Manutenção do posto dos CTT
Ausência de paragem na estação Canas-Felgueira dos comboios rápidos
O Posto Clínico
A separação da tutela concelhia de Asnelas
O projecto para a restauração do concelho apresentado na AR pelo CDS

O desfecho
“A população de Canas de Senhorim voltou a poder dormir após 24 horas de canseira, período em que se manteve mobilizada para lutar pelas suas reivindicações.
A população daquela localidade regressou ontem (04AGO1982) aos seus trabalhos habituais, pois viu as suas reivindicações serem minimamente atendidas.” no JN de 05AGO1982

1 de Julho de 2010, retrospectiva da luta

 

Faz hoje 7 anos, 1 de Julho de 2003-1 de Julho de 2010, que a Assembleia da República votou favoravelmente a criação do Município de Canas de Senhorim, em seguida votava também a alteração à Lei-Quadro de criação de Municípios na qual tinha enquadramento Canas de Senhorim.
Era o culminar de uma luta demorada, pela autonomia e pelo desenvolvimento.
Canas de Senhorim tinha reunidas as condições de progresso, negadas constantemente pela sede do concelho de Nelas. Com toda a euforia, Canas, ainda em festejos, assiste incrédula ao veto da Lei-Quadro de Criação de Municípios, efectuada pelo então senhor Presidente da república Dr Jorge Sampaio no último dia do prazo- 31 de Julho de 2003, após pressão de alguns opinon markers como: Marcelo Rebelo de Sousa, Sousa Tavares, etc… com argumentos económico-financeiros, de mais despesa pública, mais cargos políticos, mais dificuldade para o País. O Presidente da República não resistiu, esqueceu-se mesmo, dos procedimentos que teve com Vizela e Trofa e entendeu ele, que os deputados estavam errados, tinha sido uma tarde menos boa (digo eu), contudo, ironia das ironias NENHUM concelho voltou a ser criado, o famigerado livro branco, deve estar a encadernar e o País entrou em recessão sem que tivesse sido, o factor criação de concelho, a causa da crise.
Certo certo, é que decepou as expectativas de um povo que se queria governar, que queria nortear o seu destino.
Hoje, continua-se à procura de teses, de justificações, de demonstrações, de que há outras soluções para Canas, sem passar pela Restauração do Concelho; hoje, é dia de prestar homenagem à luta de restauração e àqueles que deram gratuita e sincera participação nesse objectivo, alguns já não estão entre nós.

in Canas o Concelho

Moção apresentada pela Junta de Freguesia de Canas de Senhorim a propósito do traçado do IC37

A Junta de Freguesia de Canas de Senhorim, reunida em 14 de Maio de 2010, no âmbito da consulta pública sobre o resumo não técnico do Estudo de Impacte Ambiental do projecto rodoviário do Itinerário Complementar IC37, aprovou por unanimidade a solução 1 como sendo a única que serve os interesses da Freguesia e de todos os habitantes desta Zona, submetendo-a à aprovação da Assembleia de Freguesia realizada no dia 16 de Maio que, da mesma forma aprovou por unanimidade este documento, argumentando o seguinte entendimento:

-    É definido que um itinerário complementar deve assegurar a ligação entre a rede nacional fundamental e os centros urbanos de influência concelhia e supra concelhia, bem como com os itinerários principais, permitindo a maior fluidez de tráfego com consequentes ganhos de tempo, sendo o IC 37 o suporte para a articulação e polarização de Viseu com o “Eixo Beira Serra”, permitindo uma melhor articulação social e económica dos Concelhos de Viseu, Nelas e Seia

-     Como se observa no quadro 2 deste estudo no respeitante à área Dão Lafões, todas as Freguesias do Concelho de Nelas se encontram largamente beneficiadas mas, o mesmo estudo, antes de apresentar os prós e contras das duas soluções em causa, de forma pouco isenta, aponta claramente uma tendência para a solução 2 que mais parece ser elaborada sobre encomenda.

-    A solução 1 apresenta o traçado sem que este em nada afecte qualquer freguesia, antes pelo contrário, o nó de Santar beneficia as freguesias de Moreira e Santar e no nó de Nelas Poente com o IC 12 previsto desenvolve e liga as Freguesias de Canas de Senhorim, Carvalhal Redondo e Aguieira, referindo ainda que o traçado contorna, preserva e salvaguarda a área mineira de Valinhos em recuperação ambiental, não mostrando qualquer impacto significativo nas vinhas existentes ao longo deste traçado.

Seguindo este traçado no Km 16+609 implanta-se o nó das Caldas da Felgueira, garantindo a acessibilidade ao Folhadal e consequentemente a Nelas (centro da Vila em 2 minutos) e à estância Termal que, sem qualquer prejuízo na área protecção da Água Mineral Natural, a torna mais atractiva, promovendo-lhe todo o desenvolvimento inerente.

-    A solução 2 apresenta o Nó de Santar  entre Alcafache (a norte -  nascente) e Santar (sul poente), privilegiando a optimização dos acessos a Santar e Mangualde, nomeadamente Lobelhe e a saída termal de Alcafache.

O Nó de Nelas desenvolve-se na área de Vilar Seco, servindo igualmente Mangualde pela EN234 afastando do desenvolvimento a parte sul do Concelho de Nelas. O nó de Senhorim junto das Carvalhas, serve Nelas de uma forma  distante mas liga Mangualde pela zona da Cunha Baixa.

-    Em todo o estudo verifica-se nos vários itens que a solução 1 tem poucos impactos negativos em relação à solução 2 que, pelo contrário, se revela mais penosa nos recursos hídricos, nos solos RAN e REN, na movimentação de terras e taludes e, entre outras, nas áreas de máxima infiltração.

- No geral, a solução 1 mostra a sua construção  mais favorável, com menor impacto ambiental, com maiores impactos sociais positivos, mais vantajosa no impacte visual e como se verifica no quadro 9 as situações estudadas não contêm desvios significativos.

-    Agora o que se observa na página 27 é no mínimo constrangedor que o Município de Nelas defenda a solução 2 que refere o seguinte: “ A solução que contorna Nelas por norte revela-se mais preferencial, em virtude de permitir o acesso, de forma mais rápida, à Zona Industrial de Nelas 1 e à EN234, que estabelece directamente a ligação com o Concelho de Mangualde… por outro lado privilegia-se igualmente a articulação entre a EM595 que assegura a ligação entre a EN231 em Santar … permitindo também a ligação ao IC12 para acessibilidade às Termas de Alcafache, a partir do nó de Santar.”

Perante o exposto, deixa-mos algumas reflexões que achamos pertinentes:

-    Esta via estruturante, na solução 1 que atravessa o Concelho de Nelas serve de forma rápida e equitativa  todas as Freguesias na sua ligação a Viseu que, com o acesso existente, em determinadas horas de ponta, consegue chegar-se mais rápido e seguro a Coimbra..

-    Não se pode ignorar um nó de primordial importância nas Termas das Caldas da Felgueira, uma das mais importantes estâncias Termais do País que, ao ser preterido pela outra solução, coloca em causa o seu futuro e merecido desenvolvimento e, de forma definitiva fecha a porta à oferta termal que este Concelho pode oferecer como cartaz de qualidade.

-    O traçado a norte do Concelho (solução 2) com nó na zona do cruzamento de Vilar Seco, distancia ainda mais os acessos que deveriam preferencialmente passar entre as duas freguesias de Canas de Senhorim e Nelas, visto que a proximidade desta solução com Mangualde que, já servido com fortes ligações rodoviárias, distancia ainda mais a ligação de todas as Freguesias de Nelas com Viseu.

-    O Concelho de Mangualde já servido pela A25 em grande parte da sua extensão, com o IC12 a terminar na Cidade e com a estrada que liga em apenas 5 minutos as Termas de Alcafache com a Zona Industrial de Viseu, a solução 2 só duplicaria vias de acesso nesse Concelho em detrimento do nosso.

-    A solução 1 – a nascente de Canas de Senhorim é, sem dúvida, a que mais benefícios traz ao Concelho porque serve igualmente as duas maiores Vilas, não as dividindo mas sim criando uma sintonia perfeita entre todas as Freguesias deste Concelho e o seu consequente desenvolvimento, não causando qualquer constrangimento à Zona Industrial 1 pois fica servida com o IC12, que Nelas já está a preparar a sua alternativa com a construção da variante que serve a Vila e a referida Z I 1, não se podendo descurar que este nó (Nelas IC37) serve de forma directa a Zona Industrial 2 com empresas de grandes dimensões aí instaladas e a Zona Industrial de Canas de Senhorim, consubstanciando as suas consequentes expansões.

Perante o exposto, solicitamos e esperamos que prevaleça o bom-senso, na defesa do interesse dos habitantes deste Concelho e de toda esta Região, em detrimento de alguns interesses meramente pessoais e pontuais que, ao tentarem “condicionar” o poder político, não podem nem se devem sobrepor ao superior interesse do bem comum e ao desenvolvimento sustentado e equilibrado das populações.

Por último, e por considerarmos politicamente inaceitável a posição tomada pela Câmara Municipal de Nelas neste processo a favor da Solução 2 – ocultando dos Munícipes do sul do Concelho as suas escolhas que prejudicam de forma irremediável o estratégico sector do Turismo Termal nas Caldas da Felgueira e o desenvolvimento de Canas de Senhorim – os membros da Assembleia de Freguesia tudo farão para esclarecer a população sobre as responsabilidades politicas da Vereação por esta escolha, alertando as forças vivas da freguesia de Canas de Senhorim, freguesias e concelhos vizinhos (Carregal do Sal e Oliveira do Hospital) para o erro histórico e claramente divisionista que este executivo camarário se prepara para (re) confirmar a exemplo do que já havia feito em 2008. Apelamos também à população, na melhor tradição reivindicativa da Freguesia, para que participe activamente na consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental e, sobretudo, que faça sentir o seu desagrado, de forma veemente, à Presidente da Câmara Municipal em quem recentemente depositou a sua confiança politica.

Por isso reiteramos o nosso voto na Solução 1, por ser a única que desenvolve de forma igualitária todo este Concelho e esta Região, acabando com o flagelo da penosa estrada que ao longo de décadas nos liga à nossa Capital do Distrito.

Texto http://canascim.org/

Entrevista ao Secretário de Estado das Obras Públicas, Dr. Paulo Campos


(Publicada na Edição nº 137 do Jornal "Canas de Senhorim"), via blog O Beirão Recalcitrante

 

 

 

1. Pode transmitir aos leitores do Jornal “Canas de Senhorim” qual é o ponto de situação do lançamento da concessão das auto-estradas do centro, na qual se inclui a ligação Canas de Senhorim-Mangualde (IC 12)?

O concurso das Auto-estradas do Centro está em fase de análise de propostas, aguardando-se para breve a respectiva adjudicação.

 

2. Na presente data é possível informar os leitores sobre quantos “nós” (de saída/entrada) irá o traçado prever no concelho de Nelas? A situação pode ainda conhecer alterações?

O Estudo prévio do IC12 entre Canas de Senhorim e Mangualde prevê a construção de dois nós no Concelho de Nelas, o Nó de Canas de Senhorim e o Nó de Nelas.

 

3. O IC 12 será todo portajado?

O IC12 será portajado, com excepção do lanço entre Santa Comba Dão e Canas de Senhorim.

 

4. No que concerne à chamada concessão da Serra da Estrela, que inclui, p.ex o troço Viseu-Covilhã (IC 37) existe a informação, pública, de se encontra neste momento, e de novo, em elaboração a Avaliação de Impacte Ambiental do traçado. Quais são os timings expectáveis para o lançamento da concessão?

Quando o anterior Governo iniciou funções constatou a inexistência de estudos, planos ou programas relativos a este tema. Não existiam sequer estudos para os itinerários da região da Serra da Estrela, previstos no PRN2000 - IC6, IC7 e IC37 - que permitissem a sua execução.
Nesse sentido, o anterior Governo desenvolveu e concluiu os estudos necessários para a concretização desses itinerários, encontrando-se actualmente a decorrer o processo de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA).
Os Estudos Prévios do IC6, do IC7 e do IC37 estão em processo de Avaliação de Impacte Ambiental, tendo as respectivas Declarações de Conformidade sido emitidas em 29.03.2010.
Os processos de Consulta Pública terão início antes do fim do mês de Abril. Após estes processos serão emitidas as respectivas Declarações de Impacte Ambiental.

 

5. Acha possível, no quadro da planeada consolidação orçamental que o PEC definiu, vir a ser lançada a concessão do IC 37 até ao final da legislatura?

O Governo tem como prioridade, no domínio da política rodoviária, as regiões do interior do país onde se tem vindo a verificar a ausência de investimento e onde se registam elevadas taxas de sinistralidade e baixas taxas de execução do Plano Rodoviário Nacional (PRN).
Com a actual conjectura económica não é possível manter o ritmo a que têm vindo a ser desenvolvidos os investimentos rodoviários. No entanto, o Governo mantém o compromisso de, assim que estejam criadas as condições necessárias quer do ponto de vista técnico quer do ponto de vista económico-financeira, concretizar esta prioridade.
Como prova deste propósito governamental realço o facto de, actualmente, a taxa de execução do PRN atingir os 62% - resultado do forte impulso dado nos investimentos rodoviários - verificando-se um crescimento de 12% face à execução acumulada em 2005. Com o programa de investimentos que este Governo tem em curso a taxa de execução do PRN irá mesmo atingir os 75%.
Perseguindo esta linha de orientação importa, por isso, evidenciar que as Estradas de Portugal, SA, continuam a desenvolver os estudos para a rede rodoviária futura, de forma a cumprir os empreendimentos em causa.

 

6. Há já alguma definição sobre se esta via terá ou não portagens?

O IC37 não é uma auto-estrada pelo que não poderá ter portagem.

 

7. Pode confirmar aos leitores do jornal se já existem certezas quanto à localização do nó do IC 37 no concelho de Nelas? O primeiro estudo de impacte ambiental apontava para uma solução “compósita” a passar na divisa das freguesias de Canas de Senhorim e Nelas.

O IC37 está em processo de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA) e neste momento estão duas soluções alternativas em avaliação. Uma Nascente e outra Poente. Só após conclusão do processo de AIA, que está a decorrer, e a emissão da respectiva Declarações de Impacte Ambiental será possível saber a localização dos vários Nós.

*****

Veja também o artigo " Mobilize-mo-nos pelo verdadeiro desenvolvimento", publicado no blog Canas em Peso

Impressões autárquicas

Impressões das Eleições Autárquicas
 

(Publicado na Edição nº 131 do Jornal de Canas de Senhorim)
 

Os Resultados

No passado dia 11 de Outubro os eleitores canenses manifestaram claramente a sua vontade de reconduzir o Professor Luís Pinheiro (para a junta) e a coligação “Todos Juntos pelo Concelho de Nelas” da Dr.ª Isaura Pedro (para a Câmara) para mais um mandato de 4 anos. Os números foram expressivos. Ficou patente a vontade do eleitorado em premiar algum investimento feito na freguesia, sobretudo nos meses anteriores às eleições. Transparece da votação que os canenses quiseram reconduzir a câmara e junta incumbentes, por lhe reconhecerem mérito, sobretudo quando comparado com gestões autárquicas anteriores. Os temas trazidos pelas oposições para o debate foram menos valorados pelo eleitorado, justa ou injustamente, o que se reflectiu na votação.
Ao nível da Junta de Freguesia a minha preferência era diferente da que teve mais votos. Participei activamente, como candidato, na Lista dos Cidadãos Independentes pela Mudança por me ter parecido o melhor projecto. Contudo, desde 12 de Outubro isso é irrelevante. Desejo à nova Junta de Freguesia a melhor sorte – e empenho – pois o mandato vai ser cheio de desafios que irão colocar à prova o poder eleito. Acessos, Centro Escolar, Zona Industrial, Casa da Cultura, etc., são temas, e promessas, que os canenses esperarão ver evoluir nestes 4 anos.
Uma palavra para as oposições (CIM, PS e CDU). Estas três forças tiveram cerca de 45% dos votos, um número que em qualquer lado fala por si. Juntas, foram maioria em 2 das 5 mesas de voto da Freguesia. Merecem por isso respeito e também a cobrança dos eleitores. Cabe-lhes fiscalizar a legalidade e oportunidade das acções e decisões da Junta. Mas também propor soluções se as tiverem.

A corrigir

Sem ter estado em causa a vitória do MRCCS, houve alguma incerteza em saber se haveria ou não maioria. Esta situação gerou em algumas pessoas uma ansiedade que, infelizmente, foi canalizada para comportamentos menos próprios junto das mesas de votos. Situações simples e evidentes como não se fazer apelo ao voto no dia das eleições ou no dia de reflexão, são “normalidades” que parecem esquecidas entre nós. O que justifica a presença, no dia das eleições, todo o dia, de candidatos junto às mesas de voto quando já exerceram o seu direito de votar e não pertencem às mesas? Esta atitude, teremos de dizê-lo com clareza, transmite “pressão” sobre os eleitores e é claramente violadora da letra e espírito das leis eleitorais portuguesas. Mais do que qualquer outro, o cidadão candidato deve mostrar probidade e decoro nos seus comportamentos. Acredito que alguns claudiquem por ingenuidade ou até ignorância dos deveres a que estão obrigados. Penso que caberá às lideranças “educar” os seus apaniguados para posturas diferentes e condizentes com o regime democrático em que vivemos.
Pior ainda, por mais agressivo para os visados, foi a “ tradicional” vaia a quem, pertencendo às listas derrotadas, deu o seu contributo cívico nas mesas de voto. Cidadãos canenses que legitimamente se submeteram ao veredicto popular deveriam ser poupados destes actos intoleráveis mas que entre nós fazem escola. Também aqui acho que são as lideranças que devem chamar as pessoas à razão. Não me satisfaz que alguns digam que “há 4 anos foi pior”. Há 4 anos foi mau e desta vez também o foi.

Via O Beirão Recalcitrante, Manuel Rodrigues
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