Canas OnLine

A Vila de Canas de Senhorim é uma terra tipicamente beirã. Situada entre a Serra da Estrela e a Serra do Caramulo é ladeada pelos rios Mondego e Dão. A sua história remonta a tempos milenares, conforme documentam os diversos vestígios pré-históricos e romanos existentes. Foi-lhe concedida carta de foral em 1196 e em 30 de Março de 1514 o rei D. Manuel I confirma o privilégio através de novo foral, o qual confere à vila o estatuto de concelho. Em 1866 é extinto o concelho, circunstância nunca aceite pela população que ao longo do tempo tem lutado pela sua restauração.

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Data e HoraSegunda-feira, 06 de Fevereiro de 2012

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400 anos
a rivalizar por aí

Des(investimento)

Depois desta intenção de distribuição, procederam ao corte de € 355.000, através de uma modificação ao Gop e ao Orçamento, reduzindo o valor para Canas em 45 % , restando 424.715.

Quartel dos Bombeiros de Canas de Senhorim, - 50.000 €
Requalificação do Espaço Raposeira, em Canas de Senhorim, - 30.000 €
Projecto da Casa da Cultura de Canas de Senhorim, - 25.000 €
Rua Fonte da Cruz / Tiago Marques, em Canas de Senhorim. - 250.000 €

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Homenagem ao Dr. Edgar Figueiredo

Por ocasião das comemorações do dia 2 de Agosto, foi homenageado o Dr. Edgar Figueiredo, homem de espírito livre que ficará para sempre associado à causa da restauração do concelho de Canas de Senhorim.

[…]Nesta homenagem, de iniciativa da Junta de Freguesia,quero lembrar que o Dr. Edgar, na sua pessoa carismática foi a força de todos os canenses por uma causa histórica, adquirida pela vontade de um povo - a reivindicação da restauração do concelho de Canas de Senhorim. Lembro a memória de companheiras e companheiros que morreram os quais lutaram na esperança de terem uma terra feliz, próspera e livre para ser dona do seu próprio destino[…]

Maria José T. Lopes de Figueiredo in Boletim Informativo da JFCS

2 de Agosto

Comemora-se mais um aniversário do dia 2 de Agosto de 1982. A data que se comemora tem um simbolismo muito próprio, invocada no presente como referência reivindicativa da restauração do concelho.
À época, esta data uniu a população de Canas numa acção concertada que visava inverter as condições deploráveis das infra-estruturas da freguesia e preservar outras que nos arriscávamos a perder. A manifestação de unidade e força então vivida criou-nos um sentimento de esperança e a velha máxima de que o povo unido jamais será vencido ganhou aqui reforçada expressão.
Provavelmente, as novas gerações desconhecem as movimentações da altura, os processos sub-reptícios que iam deixando a nossa vila cada vez mais isolada: os comboios rápidos que deixaram de parar em Canas, a reformulação do processo de recolha de correspondência pelos CTT, com prejuízo explícito para Canas, o Posto Médico em vias de fechar…, tudo isto sob o olhar beneplácito da sede do concelho que, comodamente, ganhava para si a centralização destes meios, com as vantagens de progresso que tal circunstância lhe oferecia e em detrimento total dos interesses de Canas. Do caderno reivindicativo apresentado previamente, destacavam-se a criação de um código postal próprio que obviasse os atrasos e incómodos na manipulação da correspondência, a manutenção do posto dos CTT, a paragem dos comboios rápidos, o Posto Clínico e a apreciação em AR do projecto do CDS para a elevação de Canas a concelho.
Embora os aspectos circunstanciais fossem consideráveis, o maior amargo de boca era o sentimento geral que Canas, debaixo da alçada do concelho de Nelas, estava condenada. A tendência centralizadora da sede de concelho aliada a uma política autárquica displicente reforçava a insatisfação popular.
A 30 de Julho de 1982, o projecto de lei do CDS não foi apreciado na AR por falta de quórum, facto que certamente contribuiu para sublinhar o descontentamento da população e despoletar as acções levadas a cabo no dia 2 de Agosto.
Foi decidido impedir a correspondência de sair dos correios como forma de protesto. Porém, esta foi recolhida antecipadamente, pelo que, os contestatários viram gorada a intenção. Sentindo-se ludibriados, os canenses insurgiram-se. A revolta popular foi espontânea. Os sinos tocaram a rebate e a população acorreu em massa ao actual largo 2 de Agosto. De acordo com o Jornal de Notícias cerca de duas mil pessoas participaram na concentração. Tomou-se de assalto os Correios e interrompeu-se a linha da Beira-Alta. Estavam dados os passos para a “negociação”. No dia 3 de Agosto, reuniram no Governo Civil os representantes de Canas, a Câmara de Nelas e altos funcionários dos CTT. Nesta reunião ficou acordado que as altas instâncias dos CTT e dos Caminhos de Ferro iriam ter em conta os interesses manifestados. Os canenses baixaram a guarda. O braço de ferro valeu a pena. Não conseguimos que os comboios rápidos parassem na estação mas ganhámos todas as outras reivindicações.
Hoje, pode parecer pouco, mas, do desfecho das acções do dia 2 de Agosto de 1982, aprendemos os princípios que no futuro haveriam de nos orientar no processo reivindicativo pela restauração do concelho: a coesão, a determinação, a resistência e a vontade popular.
Viva o 2 de Agosto. Viva Canas de Senhorim
Portuga Suave

 

IMPRENSA

 

 

 

edição de 3 de Agosto de 1982
recolha de Heleno de Jesus Pereirinha

 

 

 

edição de 4 de Agosto de 1982
recolha de Heleno de Jesus Pereirinha

 

 

 

edição de 5 de Agosto de 1982
recolha de Heleno de Jesus Pereirinha

Os títulos do JN

Em luta pelo Código Postal, Canas de Senhorim sequestrou Correios e arrancou via-férrea
Canas de Senhorim fechou a sua carta de protesto
Confrontos com o Corpo de Intervenção da GNR
Queremos progresso
GNR intervém – canenses no hospital
Bloqueio levantado ao princípio da tarde
Canas de Senhorim voltou à rotina

As motivações
Perda do Código Postal
Manutenção do posto dos CTT
Ausência de paragem na estação Canas-Felgueira dos comboios rápidos
O Posto Clínico
A separação da tutela concelhia de Asnelas
O projecto para a restauração do concelho apresentado na AR pelo CDS

O desfecho
“A população de Canas de Senhorim voltou a poder dormir após 24 horas de canseira, período em que se manteve mobilizada para lutar pelas suas reivindicações.
A população daquela localidade regressou ontem (04AGO1982) aos seus trabalhos habituais, pois viu as suas reivindicações serem minimamente atendidas.” no JN de 05AGO1982

1 de Julho de 2010, retrospectiva da luta

 

Faz hoje 7 anos, 1 de Julho de 2003-1 de Julho de 2010, que a Assembleia da República votou favoravelmente a criação do Município de Canas de Senhorim, em seguida votava também a alteração à Lei-Quadro de criação de Municípios na qual tinha enquadramento Canas de Senhorim.
Era o culminar de uma luta demorada, pela autonomia e pelo desenvolvimento.
Canas de Senhorim tinha reunidas as condições de progresso, negadas constantemente pela sede do concelho de Nelas. Com toda a euforia, Canas, ainda em festejos, assiste incrédula ao veto da Lei-Quadro de Criação de Municípios, efectuada pelo então senhor Presidente da república Dr Jorge Sampaio no último dia do prazo- 31 de Julho de 2003, após pressão de alguns opinon markers como: Marcelo Rebelo de Sousa, Sousa Tavares, etc… com argumentos económico-financeiros, de mais despesa pública, mais cargos políticos, mais dificuldade para o País. O Presidente da República não resistiu, esqueceu-se mesmo, dos procedimentos que teve com Vizela e Trofa e entendeu ele, que os deputados estavam errados, tinha sido uma tarde menos boa (digo eu), contudo, ironia das ironias NENHUM concelho voltou a ser criado, o famigerado livro branco, deve estar a encadernar e o País entrou em recessão sem que tivesse sido, o factor criação de concelho, a causa da crise.
Certo certo, é que decepou as expectativas de um povo que se queria governar, que queria nortear o seu destino.
Hoje, continua-se à procura de teses, de justificações, de demonstrações, de que há outras soluções para Canas, sem passar pela Restauração do Concelho; hoje, é dia de prestar homenagem à luta de restauração e àqueles que deram gratuita e sincera participação nesse objectivo, alguns já não estão entre nós.

in Canas o Concelho

Moção apresentada pela Junta de Freguesia de Canas de Senhorim a propósito do traçado do IC37

A Junta de Freguesia de Canas de Senhorim, reunida em 14 de Maio de 2010, no âmbito da consulta pública sobre o resumo não técnico do Estudo de Impacte Ambiental do projecto rodoviário do Itinerário Complementar IC37, aprovou por unanimidade a solução 1 como sendo a única que serve os interesses da Freguesia e de todos os habitantes desta Zona, submetendo-a à aprovação da Assembleia de Freguesia realizada no dia 16 de Maio que, da mesma forma aprovou por unanimidade este documento, argumentando o seguinte entendimento:

-    É definido que um itinerário complementar deve assegurar a ligação entre a rede nacional fundamental e os centros urbanos de influência concelhia e supra concelhia, bem como com os itinerários principais, permitindo a maior fluidez de tráfego com consequentes ganhos de tempo, sendo o IC 37 o suporte para a articulação e polarização de Viseu com o “Eixo Beira Serra”, permitindo uma melhor articulação social e económica dos Concelhos de Viseu, Nelas e Seia

-     Como se observa no quadro 2 deste estudo no respeitante à área Dão Lafões, todas as Freguesias do Concelho de Nelas se encontram largamente beneficiadas mas, o mesmo estudo, antes de apresentar os prós e contras das duas soluções em causa, de forma pouco isenta, aponta claramente uma tendência para a solução 2 que mais parece ser elaborada sobre encomenda.

-    A solução 1 apresenta o traçado sem que este em nada afecte qualquer freguesia, antes pelo contrário, o nó de Santar beneficia as freguesias de Moreira e Santar e no nó de Nelas Poente com o IC 12 previsto desenvolve e liga as Freguesias de Canas de Senhorim, Carvalhal Redondo e Aguieira, referindo ainda que o traçado contorna, preserva e salvaguarda a área mineira de Valinhos em recuperação ambiental, não mostrando qualquer impacto significativo nas vinhas existentes ao longo deste traçado.

Seguindo este traçado no Km 16+609 implanta-se o nó das Caldas da Felgueira, garantindo a acessibilidade ao Folhadal e consequentemente a Nelas (centro da Vila em 2 minutos) e à estância Termal que, sem qualquer prejuízo na área protecção da Água Mineral Natural, a torna mais atractiva, promovendo-lhe todo o desenvolvimento inerente.

-    A solução 2 apresenta o Nó de Santar  entre Alcafache (a norte -  nascente) e Santar (sul poente), privilegiando a optimização dos acessos a Santar e Mangualde, nomeadamente Lobelhe e a saída termal de Alcafache.

O Nó de Nelas desenvolve-se na área de Vilar Seco, servindo igualmente Mangualde pela EN234 afastando do desenvolvimento a parte sul do Concelho de Nelas. O nó de Senhorim junto das Carvalhas, serve Nelas de uma forma  distante mas liga Mangualde pela zona da Cunha Baixa.

-    Em todo o estudo verifica-se nos vários itens que a solução 1 tem poucos impactos negativos em relação à solução 2 que, pelo contrário, se revela mais penosa nos recursos hídricos, nos solos RAN e REN, na movimentação de terras e taludes e, entre outras, nas áreas de máxima infiltração.

- No geral, a solução 1 mostra a sua construção  mais favorável, com menor impacto ambiental, com maiores impactos sociais positivos, mais vantajosa no impacte visual e como se verifica no quadro 9 as situações estudadas não contêm desvios significativos.

-    Agora o que se observa na página 27 é no mínimo constrangedor que o Município de Nelas defenda a solução 2 que refere o seguinte: “ A solução que contorna Nelas por norte revela-se mais preferencial, em virtude de permitir o acesso, de forma mais rápida, à Zona Industrial de Nelas 1 e à EN234, que estabelece directamente a ligação com o Concelho de Mangualde… por outro lado privilegia-se igualmente a articulação entre a EM595 que assegura a ligação entre a EN231 em Santar … permitindo também a ligação ao IC12 para acessibilidade às Termas de Alcafache, a partir do nó de Santar.”

Perante o exposto, deixa-mos algumas reflexões que achamos pertinentes:

-    Esta via estruturante, na solução 1 que atravessa o Concelho de Nelas serve de forma rápida e equitativa  todas as Freguesias na sua ligação a Viseu que, com o acesso existente, em determinadas horas de ponta, consegue chegar-se mais rápido e seguro a Coimbra..

-    Não se pode ignorar um nó de primordial importância nas Termas das Caldas da Felgueira, uma das mais importantes estâncias Termais do País que, ao ser preterido pela outra solução, coloca em causa o seu futuro e merecido desenvolvimento e, de forma definitiva fecha a porta à oferta termal que este Concelho pode oferecer como cartaz de qualidade.

-    O traçado a norte do Concelho (solução 2) com nó na zona do cruzamento de Vilar Seco, distancia ainda mais os acessos que deveriam preferencialmente passar entre as duas freguesias de Canas de Senhorim e Nelas, visto que a proximidade desta solução com Mangualde que, já servido com fortes ligações rodoviárias, distancia ainda mais a ligação de todas as Freguesias de Nelas com Viseu.

-    O Concelho de Mangualde já servido pela A25 em grande parte da sua extensão, com o IC12 a terminar na Cidade e com a estrada que liga em apenas 5 minutos as Termas de Alcafache com a Zona Industrial de Viseu, a solução 2 só duplicaria vias de acesso nesse Concelho em detrimento do nosso.

-    A solução 1 – a nascente de Canas de Senhorim é, sem dúvida, a que mais benefícios traz ao Concelho porque serve igualmente as duas maiores Vilas, não as dividindo mas sim criando uma sintonia perfeita entre todas as Freguesias deste Concelho e o seu consequente desenvolvimento, não causando qualquer constrangimento à Zona Industrial 1 pois fica servida com o IC12, que Nelas já está a preparar a sua alternativa com a construção da variante que serve a Vila e a referida Z I 1, não se podendo descurar que este nó (Nelas IC37) serve de forma directa a Zona Industrial 2 com empresas de grandes dimensões aí instaladas e a Zona Industrial de Canas de Senhorim, consubstanciando as suas consequentes expansões.

Perante o exposto, solicitamos e esperamos que prevaleça o bom-senso, na defesa do interesse dos habitantes deste Concelho e de toda esta Região, em detrimento de alguns interesses meramente pessoais e pontuais que, ao tentarem “condicionar” o poder político, não podem nem se devem sobrepor ao superior interesse do bem comum e ao desenvolvimento sustentado e equilibrado das populações.

Por último, e por considerarmos politicamente inaceitável a posição tomada pela Câmara Municipal de Nelas neste processo a favor da Solução 2 – ocultando dos Munícipes do sul do Concelho as suas escolhas que prejudicam de forma irremediável o estratégico sector do Turismo Termal nas Caldas da Felgueira e o desenvolvimento de Canas de Senhorim – os membros da Assembleia de Freguesia tudo farão para esclarecer a população sobre as responsabilidades politicas da Vereação por esta escolha, alertando as forças vivas da freguesia de Canas de Senhorim, freguesias e concelhos vizinhos (Carregal do Sal e Oliveira do Hospital) para o erro histórico e claramente divisionista que este executivo camarário se prepara para (re) confirmar a exemplo do que já havia feito em 2008. Apelamos também à população, na melhor tradição reivindicativa da Freguesia, para que participe activamente na consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental e, sobretudo, que faça sentir o seu desagrado, de forma veemente, à Presidente da Câmara Municipal em quem recentemente depositou a sua confiança politica.

Por isso reiteramos o nosso voto na Solução 1, por ser a única que desenvolve de forma igualitária todo este Concelho e esta Região, acabando com o flagelo da penosa estrada que ao longo de décadas nos liga à nossa Capital do Distrito.

Texto http://canascim.org/

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