Canas OnLine

A Vila de Canas de Senhorim é uma terra tipicamente beirã. Situada entre a Serra da Estrela e a Serra do Caramulo é ladeada pelos rios Mondego e Dão. A sua história remonta a tempos milenares, conforme documentam os diversos vestígios pré-históricos e romanos existentes. Foi-lhe concedida carta de foral em 1196 e em 30 de Março de 1514 o rei D. Manuel I confirma o privilégio através de novo foral, o qual confere à vila o estatuto de concelho. Em 1866 é extinto o concelho, circunstância nunca aceite pela população que ao longo do tempo tem lutado pela sua restauração.

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Data e HoraSexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012

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400 anos
a rivalizar por aí

As candidaturas à Junta

Como era de esperar, com a iminência das autárquicas agitou-se a blogosfera canense. Alguns bloguistas resistiram à tentação do entusiasmo circunstancial que o processo político das autárquicas canenses gera, outros, (re)nasceram, convictos de que esta plataforma virtual poderia catapultar as suas convicções para o terreno. Tudo legítimo, se exceptuarmos 90% das intervenções dos comentadores, que de política pouco ou nada falaram, limitando-se a denegrir candidatos e candidaturas. Mas isso era espectável, se atendermos ao prenúncio embrionário de alguns temas de campanha, aparentemente inocentes, mas estrategicamente concebidos como arma de combate político.
Falemos então de política, isto é das eleições para a Junta de Freguesia:
O Bloco de Esquerda absteve-se de participar, podendo deduzir-se dessa ausência um sinal de solidariedade com o Movimento - o mesmo não aconteceu com as outras forças políticas –, a CDU apresentou-se timidamente, à revelia de compromissos assumidos com o Movimento noutros tempos, e o PS, de forma envergonhada, veio palpar o pulso aos canenses, atirando para a frente uma candidata testa de ferro sem fôlego para estas andanças.
A surpresa apareceu pela voz de Ana Mafalda, cabeça de lista da candidatura CIM (Cidadãos Independentes pela Mudança). Num crescendo de entusiasmo, nascido porventura nestas páginas virtuais, a candidatura CIM apresentou-se ao eleitorado com gente jovem, uma campanha dinâmica e um discurso de mudança. Parecia assim a candidatura mais bem colocada para disputar a junta a um MRCCS travestido de azul-laranja.
Se excluirmos a génese municipalista que o Movimento mantém no fundo na gaveta, pouco ou nada distinguia as ideias destas duas candidaturas. Aliás, a “mudança” que Ana Mafalda propunha pareceu esgotar-se na faixa etária dos elementos da sua equipa, ainda assim, uma aposta promissora, esta de trazer gente nova para os meandros da política local. Arredado confortavelmente da agenda política o estigma da criação do concelho, os dois projectos em nada ou quase nada diferiam, fosse na essência ou nas prioridades, isto é, comungavam a mesma intenção, a de pressionar a câmara de Asnelas em termos de investimento e desenvolvimento da freguesia de Canas. Como o desafio dos canenses não é “o que fazer” mas sim “como fazer”, Luís Pinheiro, com provas dadas, saiu, nesta relação, em vantagem e estrategicamente melhor posicionado. A haver diferenças seria quanto ao método, designadamente o compromisso que Ana Mafalda assumiu em marcar presença na Assembleia Municipal, por oposição a Luís Pinheiro que desconsidera a participação nesse fórum, alegando que tal disponibilidade não tem qualquer resultado prático. Por outro lado, a relação privilegiada e “colorida” de Luís Pinheiro e Isaura Pedro, ainda que desconfortável para certos sectores da sociedade canense, constitui uma vantagem para Canas, assim se cumpram os compromissos formais ou de bastidores que todos desconfiamos existirem. E isto, o povo soube avaliar, escolheu para a Junta quem lhe pareceu mais capaz de influenciar Isaura Pedro e escolheu para a Câmara Isaura Pedro para que se deixasse influenciar.
Mas os canenses não isentaram a lista CIM de responsabilidades políticas. Os votos obtidos conferem-lhe a obrigação de desempenhar o papel de oposição no seio da Junta, circunstância que por certo Ana Mafalda não abdicará, até porque não deixará de cobrar as promessas que Luís Pinheiro fez e que todos gostaríamos de ver cumpridas (Casa da Cultura, Parque Industrial, etc.). Luís Pinheiro e o Movimento têm mais quatro anos para demonstrar do que são capazes e que poder de influência têm perante o consulado social-democrata residente em Asnelas.

A 01 de Julho de 2003 Canas renascia

A 01 de Julho de 2003 Canas viveu uma alegria inesquecível, quando a AR aprovou o diploma da criação do concelho. Passados seis anos e após o inusitado veto do então PR, Jorge Sampaio, Canas ainda não reencontrou um rumo bem definido na luta pela restauração do concelho.

Com o levantamento do boicote eleitoral e a constituição de listas para formalizar as candidaturas à JF, voltaram as divisões internas e um mau estar generalizado, uma inevitabilidade bem aproveitada pela actual presidente da câmara de Asnelas, Isaura Pedro, que vê assim o seu discurso político unificador facilitado.

Em última análise as divergências internas desgastam os canenses, desacreditam o processo reivindicativo e comprometem as nossas aspirações. Só uma liderança forte dentro do Movimento, equidistante dos partidos e das forças políticas internas, voltada portanto para o exterior, poderia eventualmente relançar Canas no projecto municipalista.

De qualquer das maneiras essa liderança seria para já uma reserva, uma instância apartidária que representaria os interesses da comunidade no contexto da emancipação, e que aproveitasse todas as oportunidades para exercer pressão junto do poder instituído, fosse ele qual fosse. E digo reserva porque as tendências e circunstâncias políticas nos são de todo desfavoráveis, mesmo que o PSD ganhe as legislativas e Isaura Pedro perca para Adelino Amaral (pouco provável) o momento de crise que atravessamos, os novos protagonistas da política nacional e o abandono da revisão administrativa do país, deixam adivinhar muito pouco espaço de manobra aos canenses que ainda pelejam.

Penso que seria bom para todos que de uma vez se limpassem as águas, que o Movimento canalizasse as suas energias para o que efectivamente está talhado, a restauração do concelho, actuando fora do plano interno, e que o espaço da política local fosse ocupado pelos partidos e pelos cidadãos que reconhecem nestas instâncias algum espaço de reivindicação ao nível do investimento e das infraestruturas.

Os responsáveis do Movimento sabem que as circunstâncias não são as de 2005, e sujeitam-se a que a evidência lhes seja imposta nas urnas pelos canenses. Seria ultrajante para todos aqueles que com o seu trabalho e determinação levaram o Movimento tão perto dos seus intentos (como aconteceu a 1 de Julho de 2003) verem-se agora desautorizados pela própria população que os apoiou.

Já o disse em tempos e volto a repeti-lo agora, o MRCCS não se deve sujeitar a plebiscitos noutro contexto que não seja o da sua própria razão de existir.

Eleições autárquicas, guerras do alecrim e manjerona

É pena que se empregue tanta "energia" em processos eleitorais inócuos, estranhos às nossas pretensões, e se fraqueje no processo de luta pela devolução do nosso município. É bem mais apetecível o envolvimento em projectos políticos a curto prazo, onde os resultados pessoais possam acontecer a breve trecho, mesmo que desviantes do ideal comum da autonomia municipal, do que abraçar causas que pelos desafios que implicam não trazem uma compensação imediata. Até porque a luta em causa é desgastante, já leva muitos anos e provavelmente ainda consumirá muitos mais.
Não questiono a legitimidade de quem se candidata a lugares elegíveis (ou não) à Câmara de Asnelas, muito menos de quem se organize em listas para a Junta de Freguesia. Em democracia é sempre salutar haver cidadãos prontos a assumir responsabilidades políticas. O que me causa algum dissabor é que, na ânsia de ocupar esses lugares se usem de todos os meios e artifícios, a maior parte deles demagógicos e manipuladores, quando não ofensivos e abusivos.
Somos uma comunidade pequena, conhecemo-nos quase todos desde miúdos, tomamos café juntos, temos em comum essa identidade fantástica que é ser canense e sentir a nossa terra palpitar ao ritmo do coração, e é exactamente por isto que não concebo que a política nos divida, que coloque canenses contra canenses, que gratuitamente se questione o bom nome deste ou daquele ou que “disfarçadamente” a calúnia se instale em jeito de vantagem política, ainda por cima num processo eleitoral ao qual deveríamos pura e simplesmente virar as costas.
Não é à toa que se lançam “casos repescados” na ordem do dia, aparentemente sob a capa de assuntos de interesse cultural, mas lançando a propósito deles a mácula política. De resto a caixa de comentários do próprio b’MCNS tem sido veículo dessas insinuações, visando alvos bem determinados na senda da política interna. Todos sabemos que esta táctica é primária e que só os mais ingénuos caem na esparrela. O exercício de uma campanha política que enverede pela negativa, isto é, que crie casos políticos mesquinhos para difamar e daí obter vantagem não indicia nada de bom acaso os seus protagonistas alcancem o poder, sejam quem forem e de que lado estiverem.
Agora que já se notam movimentações internas e externas a propósito das eleições que irão ter lugar este ano, importa relembrar todos os canenses que aquelas não são as nossas eleições, que aquele não é o nosso município, que aquela não é a nossa luta. Travem-na se quiserem, é um direito que assiste a qualquer um, mas de forma sensata, sem o “fraticismo” verificado noutros tempos de má memória. Guardem a energia para o que realmente vale a pena, a devolução do Município de Canas de Senhorim.

Pesadelo

O comunicado da Junta de Freguesia é um autêntico pesadelo e confirma as preocupações dos canenses. Podemos até extrair dele outro significado do que a simples constatação dos factos nele contidos. O comunicado assume abertamente uma posição oficial de reprovação, e, julgo poder afirmar, mais do que informativo, o documento parece configurar um ultimato à presidente de Asnelas, do género: “Faça alguma coisa Sra. Presidente, senão diga-nos lá como vamos apoiá-la nas próximas eleições”.
 Ora, ainda que o comunicado sirva “romanticamente” essa intenção, parece evidente que qualquer apoio a Isaura Pedro está definitivamente comprometido. Por mais obras que se venham a fazer já nenhuma compensará as opções rodoviárias recentemente preteridas e a ausência de intervenções há muito reclamadas. Os canenses já deram para este peditório e daí não obtiveram qualquer benefício, afinal a câmara não é nossa, nem ela (a câmara) se revela preocupada em sê-lo, seja quem for o seu timoneiro, ou candidato a timoneiro. Claro que, perante a acção governativa de Isaura Pedro em relação a Canas, outra coisa não seria de esperar da Junta que não salvar a honra, admitindo publicamente o descalabro. A Junta (e não só, não podemos esquecer que o MRCCS é o suporte político da lista mandatada) perderia a relativa credibilidade política que ainda reúne se calasse a evidência.
Já aqui manifestei a minha completa indiferença relativamente a estes cenários, se a Câmara de Asnelas está virada de costas para nós porque haveremos nós de lhe dar o flanco!? Também não me surpreende a falta de tacto político de Isaura Pedro, talvez confiante na possível reverência partidária da Junta e do Movimento ao PSD. O que me ocorre perante os factos oficialmente confirmados no comunicado é que os canenses não têm qualquer espaço de manobra neste contexto autárquico. Impõe-se portanto retomar com urgência a ideia “sempre viva” de Canas a concelho. E já agora, como diz o Frankie, com elevação e inteligência.

Urgeiriça forever

Sejamos justos. Se frequentemente e com razão damos azo à nossa indignação perante a negligência, a falta de investimento e a displicência que grassa em Canas de Senhorim, não podemos, por outro lado, deixar de assinalar com agrado todo o processo de recuperação ambiental que tem vindo a ser levado a cabo na Urgeiriça.
Barragem Velha, Barragem Nova, Valinhos, Zona Industrial, Zona envolvente, tudo se conjuga para que a Urgeiriça volte a ser o lugar atractivo que já foi e a recuperar completamente das mazelas que a exploração descuidada do Urânio deixou.
Podemos dizer que todo este processo constituía obrigação do estado, o qual, ao longo de anos de exploração, arrecadou lucros incalculáveis, constituindo tal recuperação uma pequena parcela da que nos assiste por direito; podemos dizer que todas as obras juntas não pagam o sofrimento, a contaminação ambiental e as mortes implícitas que daí derivaram; podemos até continuar a reclamar mais justiça para os ex-trabalhadores das minas e a contestar a decisão que entrega o antigo campo de futebol dos “Urânios” à EDM (Empresa de Desenvolvimento Mineiro), o que não podemos é deixar de reconhecer a obra feita e a que está em curso ou negar que, nesta área específica, os fundos do FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional) chegaram a Canas de Senhorim, mais concretamente à Urgeiriça.
O “site” da EDM em tempos apontava para um investimento de cerca de 20 milhões de euros (actualmente não presta essa informação), dos quais uma parte significativa já foi consignada. Desconheço o(s) protocolo(s) efectuado(s) pela EDM com a Câmara de Asnelas, e lamento não ter a edilidade oportunamente consultado os associados da Casa do Pessoal da Urgeiriça que certamente lhe dariam conta do interesse em manter o campo de futebol, espaço afecto (e afectivo) à Casa do Pessoal e aos ex-trabalhadores. Se assim fosse, talvez as coisas tivessem sido diferentes, ou não, porque é sabido que a EDM através da sua associada EDMI (Empresa de Projectos Imobiliários) vislumbra recuperar parte do investimento da “holding” naquele espaço (e noutros). Espero que, pelo menos, tenham o bom senso de realizar projectos imobiliários adequados e articulados com a simpática arquitectura do bairro dos mineiros, privilegiando a natureza, o ambiente e os espaços verdes.
Quanto aos Valinhos, será com certeza um prazer para todos os canenses poderem dispor de um parque como o idealizado, isto se for dinamizado de uma forma sustentável e a Câmara colaborar na sua manutenção.
Temos de volta, aparentemente, e salvaguardadas as circunstâncias, a Urgeiriça dos anos 60, local que à altura e juntamente com o Caramulo eram das zonas mais aprazíveis da Beira Alta. Fico contente por isso, como diria o outro, já fui muito feliz na Urgeiriça.
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