Águas termais na Urgeiriça

As minas de urânio da Urgeiriça comprometeram aquilo que poderia ser uma estação termal à semelhança das Caldas da Felgueira. A captação das águas está actualmente selada, encontrando-se junto da piscina do Hotel da Urgeiriça.
As águas estão indicadas para “Astenias, artralgias, hipertensão e doenças de pele” (Contreiras 1951) - infertilidade e impotência (uso popular). Analisada em 1920 por Lepierre a água foi classificada de hipossalina, silicatada (30% da mineralização), levemente bicarbonatada cálcica, cloretada e sulfatada magnésica, muito radioactiva da emanação de sais de rádio. Na mesma ocasião o eng. Júlio Silva Pinto apresentou a memória descritiva para o pedido de concessão, onde caracteriza a região: “o granito, de granulação grosseira que constitui o solo da região, é cortado numa extensa área por filões de pegmatite com mineralização de urânio […] aproximadamente a 300 m a norte encontra-se o grande jazigo urano-radífero da Urgeiriça.
Foram condedidos vários alvarás de exploração (1922, 1933 e 1948), porém a exploração da água para fins medicinais nunca se concretizou, isto porque na área concessionada se encontravam também as minas de urânio e o vale da Ribeira de Patanha servisse como local mais prático de esgoto de águas mineiras.
Nos anos 80 por razões económicas relacionadas com o preço do urânio nos mercados internacionais, a exploração das minas da Urgeiriça começou a ser feita pelo processo de lexivação, que, grosso modo, consiste em encher de ácido sulfúrico as galerias donde se quer extrair o minério; este reage com ácido que depois é bombeado, sofrendo um processo de electrólise para separar o minério do ácido. Este ácido inutilizado era depois depositado em represas de “águas ácidas”, mais uma vez junto da Ribeira de Patanha. Estas águas ácidas constituiram um grave problema ambiental, tanto as retidas em represas como as que possivelmente ficaram nas galerias da mina, que desce a uma profundidade de mais de 600m.
Texto adaptado de http://www.aguas.ics.ul.pt/viseu_urgeirica.htm
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A exposição “Geografias Vivas”, do Arquitecto Gonçalo Byrne, é inaugurada na Galeria Municipal de Arte de Abrantes, dia 15 de Janeiro (sexta-feira), às 18h00 e ficará patente ao público até 5 de Fevereiro.
