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A Vila de Canas de Senhorim é uma terra tipicamente beirã. Situada entre a Serra da Estrela e a Serra do Caramulo é ladeada pelos rios Mondego e Dão. A sua história remonta a tempos milenares, conforme documentam os diversos vestígios pré-históricos e romanos existentes. Foi-lhe concedida carta de foral em 1196 e em 30 de Março de 1514 o rei D. Manuel I confirma o privilégio através de novo foral, o qual confere à vila o estatuto de concelho. Em 1866 é extinto o concelho, circunstância nunca aceite pela população que ao longo do tempo tem lutado pela sua restauração. |
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a rivalizar por aí
ENU, anos 70
Águas termais na Urgeiriça

As minas de urânio da Urgeiriça comprometeram aquilo que poderia ser uma estação termal à semelhança das Caldas da Felgueira. A captação das águas está actualmente selada, encontrando-se junto da piscina do Hotel da Urgeiriça.
As águas estão indicadas para “Astenias, artralgias, hipertensão e doenças de pele” (Contreiras 1951) - infertilidade e impotência (uso popular). Analisada em 1920 por Lepierre a água foi classificada de hipossalina, silicatada (30% da mineralização), levemente bicarbonatada cálcica, cloretada e sulfatada magnésica, muito radioactiva da emanação de sais de rádio. Na mesma ocasião o eng. Júlio Silva Pinto apresentou a memória descritiva para o pedido de concessão, onde caracteriza a região: “o granito, de granulação grosseira que constitui o solo da região, é cortado numa extensa área por filões de pegmatite com mineralização de urânio […] aproximadamente a 300 m a norte encontra-se o grande jazigo urano-radífero da Urgeiriça.
Foram condedidos vários alvarás de exploração (1922, 1933 e 1948), porém a exploração da água para fins medicinais nunca se concretizou, isto porque na área concessionada se encontravam também as minas de urânio e o vale da Ribeira de Patanha servisse como local mais prático de esgoto de águas mineiras.
Nos anos 80 por razões económicas relacionadas com o preço do urânio nos mercados internacionais, a exploração das minas da Urgeiriça começou a ser feita pelo processo de lexivação, que, grosso modo, consiste em encher de ácido sulfúrico as galerias donde se quer extrair o minério; este reage com ácido que depois é bombeado, sofrendo um processo de electrólise para separar o minério do ácido. Este ácido inutilizado era depois depositado em represas de “águas ácidas”, mais uma vez junto da Ribeira de Patanha. Estas águas ácidas constituiram um grave problema ambiental, tanto as retidas em represas como as que possivelmente ficaram nas galerias da mina, que desce a uma profundidade de mais de 600m.
Texto adaptado de http://www.aguas.ics.ul.pt/viseu_urgeirica.htm
Hotel da Urgeiriça, 80 anos

1930 - 2010
Cada hotel tem vida própria e os seus segredos. A Urgeiriça não escapa à regra.
A história é insólita. Em 1930, Charles Harbord, um oficial superior do exército inglês comprou uma grande propriedade e ali mandou construir uma mensão. Passados cinco anos transforma a casa numa instância de repouso e de férias, a que chamou "English Hotel Urgeiriça". O hotel ganha fama e continua a crescer. Pouco tempo mais tarde , Mrs. Phfillys Graham, uma inglesa residente no Porto e cliente habitual do hotel, torna-se sócia de Charles Harbord.
Alguma figuras ilustres ficaram ali hospedadas, como foi o caso da jornalista e escritora francesa Christine Garnier, autora do livro "Férias com Salazar", o Marechal Craveiro Lopes, o Rei Humberto de Itália, Sá Carneiro, Primeiro Ministro de Portugal, o actor João Villaret e o Primeiro Ministro de Inglaterra, Sir Anthony Eden em lua de mel com sua esposa, Clarisse Eden, sobrinha de Winston Churchil, entre muitos outras.
Gonçalo Byrne

Galeria Municipal de Arte de Abrantes
Exposição “Geografias Vivas”, do Arquitecto Gonçalo Byrne
A exposição “Geografias Vivas”, do Arquitecto Gonçalo Byrne, é inaugurada na Galeria Municipal de Arte de Abrantes, dia 15 de Janeiro (sexta-feira), às 18h00 e ficará patente ao público até 5 de Fevereiro.
A seguir à inauguração (19h00), Gonçalo Byrne dará uma Conferência aberta ao público, na Biblioteca Municipal António Botto, cujo objectivo é dar a conhecer os projectos/obras patentes na exposição.
Várias vezes premiado a nível nacional e internacional – Prémio Valnor 2005 é apenas um exemplo -, Gonçalo Byrne é autor de uma vasta obra. A sua produção tem mostrado particular relevo nos planos patrimonial e cultural. Professor catedrático, é autor de grandes projectos de arquitectura como o Museu do Mosteiro de Alcobaça e reconversão da envolvente próxima, Centro de controlo de tráfego marítimo do Porto de Lisboa, Edifício Governamental para Sede de Província em Lovaina (Bélgica), reconversão do quarteirão da Império (Chiado,Lisboa), Teatro de Faro, entre muito outros espalhados por Portugal e pelo estrangeiro. Actualmente, desenvolve projectos significativos tais como o da Pousada de Estoi, no Algarve, a Pousada de Viseu, Complexo Imobiliário Estoril-Sol ou o Laboratório Central da EPAL, em Lisboa.
Na área do planeamento urbano realiza, entre outros, os Planos de Pormenor para a área envolvente ao Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, para a Alta Universitária, em Coimbra, para a Cava de Viriato, no âmbito do Programa Polis, em Viseu, bem como o Plano da Vila de Trancoso, no âmbito do Programa das Aldeias Históricas de Portugal.
Esta exposição é organizada pela Câmara de Abrantes em parceria com o Núcleo do Médio Tejo da Ordem dos Arquitectos.
A Galeria Municipal de Arte está aberta ao público de terça a sábado das 10h00 às 12h30 e das 14 às 18h30.
Gonçalo Byrne em entrevista ao Correio da Manhã:
É de Lisboa?
Sou praticamente de Lisboa, mas sou um lisboeta de adopção. Até aos vinte e tal anos vivi no campo.
Isso é um privilégio.
Sem dúvida. Embora tenha feito o liceu na cidade, nasci num sítio lindíssimo na Beira Alta, chamado Urgeiriça. Conhece?
Não, não conheço.
Tinha umas minas, já estão fechadas há anos. Mas de certeza que conhece um sítio, onde fiz a escola primária, chamado Canas de Senhorim. E Urgeiriça, a dois quilómetros, tinha umas minas de Urânio. Nós não sabemos, mas Portugal é dos países com maior riqueza de urânio da Europa ocidental. Tirando vento e a água, é o único combustível energético que temos à fartazana. E que não podemos usar porque somos um país não nuclear! Mas compramos a electricidade à França e Espanha, produzida em centrais nucleares!
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