Canas OnLine
Início arrow Localidades
Data e HoraTerça-feira, 06 de Janeiro de 2009

Utilizador






Esqueceu a senha?
Sem conta? Criar Conta!

Rss Feeds

Estatísticas

Membros: 16
Notícias: 75
Favoritos web: 71
Visitas: 69819

Centauro Romano
Logótipo do Canas Online

Centauro Romano

O símbolo associado ao logótipo do Canas Online foi inspirado numa peça romana que Horácio Peixoto recolheu na Quinta do Fojo, em Canas de Senhorim. Trata-se de um elemento terminal de um objecto de culto, uma pátera em bronze, taça cerimonial usada em sacrifícios nos tempos antigos. Representa um Centauro e constitui um dos poucos exemplares encontrados em território português.


Curiosidades

Besencla
Ara votiva

O Concelho de Cannas
1706

Socidade
15 de Julho

Carta de Couto
D. Sancho I

O Pelourinho

Lenda do Pai Mouro
(Lugar do Paimouro)

A história do burro Prim

Lenda da Zefa da Feira

A Cova dos Franceses
Vale Madeiros


Regional

Requalificação da Capela de Santa Bárbara - Urgeiriça


 

 

A Capela de Santa Bárbara, na Urgeiriça, reabriu ao culto. A cerimónia ocorreu no dia 7 de Dezembro de 2008 com a presença do Bispo D. António Marcelino.

Inauguração da Capela de Santa Bárbara - Urgeiriça

1959-1960 (?)

O edifício da actual Capela de Santa Barbara foi construida em 1951, servindo então como cozinha e sala de estudos dos mineiros. Em 1959 passou a ser lugar de culto, ano do qual se presume datarem estas fotos. No ano de 2002 foi cedida pela ENU á Fábrica da Igreja Paroquial de Canas de Senhorim.

Retrato de António Minhoto

 
António é o rosto dos antigos trabalhadores do urânio
 
Às sete da manhã, uma hora mais tarde na época baixa, o dia está a começar para António Minhoto. Em poucos minutos percorre de carro os escassos quilómetros que separam a sua casa, à saída de Nelas, do Quiosque Sombrinha, um café-pastelaria nas termas de Caldas da Felgueira.

 

O caminho é sempre a descer até à margem da ribeira do Pantanha, a um pulo do Mondego, muitas vezes mergulhada em espesso nevoeiro. Mas isso pouco lhe importa, pois Minhoto não é homem para se preocupar com detalhes. São muitas as horas do seu dia de trabalho, preenchidas a atender clientes e a gerir o negócio, que explora desde 1990 com a mulher. "Foi a única saída que encontrei depois de ter sido obrigado a aceitar o despedimento da Empresa Nacional de Urânio [ENU] em 1989. É o meu ganha-pão para sustentar a família com menos dificuldades", explica.


Nada do que ficou dito o distingue especialmente de tantos outros pequenos empresários. Mas António Minhoto, de 56 anos, nascido em Nelas, casado e pai de duas filhas já adultas, é um empresário diferente. Começou a trabalhar muito cedo, foi a maior parte da vida um "trabalhador indiferenciado" - a expressão é sua - e é hoje um homem bem-sucedido com uma actividade absorvente.
 
 
No entanto, isso não o faz esquecer a situação dos antigos companheiros de trabalho na mineração. Ele tem sido o rosto mais visível de uma luta que travam há vários anos para ver reconhecidos direitos que consideram legítimos e um acompanhamento médico permanente - esta reivindicação já foi atendida pelo Ministério da Saúde -, a par da exigência de recuperação ambiental de todas as minas abandonadas quando a exploração de urânio terminou em Portugal.
 

 Um homem de causas

O último episódio deste processo, a que António Minhoto se tem dedicado incansavelmente, decorre hoje em Nisa, onde a Comissão de ex-Trabalhadores da ENU promove uma tribuna cívica para "julgar" as consequências da exploração de urânio em Portugal.

A intervenção cívica ocupa um lugar relevante no currículo de António Minhoto, que se define como "um homem de causas". Fez parte da Comissão de Trabalhadores da ENU e foi delegado sindical, integrou a comissão de segurança da empresa e foi presidente da respectiva casa de pessoal. Envolveu-se na causa pela criação do concelho de Canas de Senhorim e esteve ao lado dos que se opuseram ao encerramento do Centro de Saúde de Nelas. Depois do 25 de Abril, militou na UDP e no Bloco de Esquerda. Hoje diz-se partidariamente descomprometido.

Já depois do encerramento da ENU, cria em 2002 a associação Ambiente em Zonas Uraníferas. A partir dessa data a intervenção do antigo trabalhador do urânio torna-se mais sistemática e persistente, trazendo para as páginas dos jornais e ecrãs das televisões a realidade complexa, e por vezes dramática, dos ex-camaradas.

A combatividade de que Minhoto dá provas na intervenção cívica manifestou-se muito cedo na sua vida. Filho de uma numerosa família - oito irmãos - de trabalhadores rurais muito pobres, teve de começar aos 12 anos a ajudar os seus. "O meu primeiro emprego foi numa empresa vinícola de Nelas. Ganhava 35 escudos por mês [cerca de 18 cêntimos de euro] a acartar madeira às costas. Os meus problemas de coluna começaram aí", recorda.

 "Como uma facada"

António Minhoto foi ganhar mais dez escudos noutra empresa de vinhos, mas continuou a engraxar sapatos junto à Pensão Mangas, em Nelas. Em 1971 trocou tudo isso pelas Minas da Panasqueira. Resistiu um ano a viver em camarata e mudou de cenário - deste vez a Linha do Oeste, onde participou nos trabalhos de limpeza de via.

Aos 20 anos vem a tropa e o conhecimento dos que contribuíram para a sua politização. Só o pedido insistente da mãe o impediu de desertar, acabando com a especialidade de motorista em Luanda, onde assiste à queda do regime salazarista-caetanista em 1974. Entra para os quadros da ENU em 1976, onde faz de tudo nos 13 anos seguintes.

A saída da empresa foi difícil. "Nos primeiros anos nem conseguia vir aqui", diz com um gesto largo para designar o local de trabalho na Urgeiriça, a casa no bairro operário onde viveu nove anos, a antiga cantina, a casa do pessoal. "Chocava-me ver as coisas degradarem-se, era como uma facada. Agora já estou vacinado".

O seu percurso não deixa ninguém indiferente. Os que não partilham as suas ideias reconhecem-lhe as qualidades de "lutador". É essa a opinião de Luís Ribeiro, membro da Comissão Concelhia de Nelas do PSD.

Adelino Borges, presidente da concelhia socialista, reconhece ter "alguma admiração e amizade" por ele: "A sua qualidade mais positiva é o espírito de militância e a forma como defende as suas opiniões." Francisco Paula, administrador de uma cadeia local de supermercados, conhece Minhoto há 30 anos: "Admiro a sua persistência e a capacidade de mobilização dos colegas e dos media."

Os que lhe estão próximos não poupam elogios. Joaquim Silva, administrador de uma empresa comercial, andou com Minhoto na escola: "Fez um grande trabalho no concelho e se o pessoal da Urgeiriça tem alguma coisa é porque ele trabalhou para isso." João Marques, segundo-comandante dos bombeiros de Canas de Senhorim e antigo trabalhador da ENU, recorda um episódio elucidativo da sua coragem e capacidade de liderança: "Alguém tentou furar uma greve e o Minhoto desligou a máquina. Foi punido com 15 dias de suspensão e muitos trabalhadores quotizaram-se para lhe pagar os dias de salário."

****

Texto de (excertos) - Carlos Pessoa Jornal Público (19-10-2008)
Reportagem fotográfica - efeneto

Fonte - Urgeiriça em Peso

Na primeira pessoa

Um dia destes, escapando-me do sol inclemente e dos fedorentos contentores colocados junto à minha casa (nem sei se lhe posso chamar assim pois começo a interrogar-me como vou acabar de a pagar!) efectuei, em vez da pouco convidativa e contra-indicada caminhada, um pequeno passeio pelo Bairro da Urgeiriça, usufruindo a fresca sombra proporcionada pelos frondosos plátanos e tílias dispersos pelas bermas das ruas e jardins.
Já no fim, depois de revisitar o depósito e forno comunitário, sentei-me no muro que contorna o velhinho e de novo abandonado campo de futebol. Ali, à minha frente, a baliza norte, tinha um encanto especial. Era nela que com os colegas realizávamos os treinos de finalização (o muro livrava-nos de ir buscar as bolas à horta do Dias, como era na do lado oposto). Era junto a ela – primeiro feita de madeira em quina viva e depois em ferro redondo- que tirávamos todas as fotografias!
Desfolhando mentalmente o meu livro de memórias, recordei particularmente dois golos que nela se registaram e como nunca mais vi: - Um do velho Portugal contra a “Lufapo”, de Coimbra, num voo rente ao chão, em que, depois de forte cabeçada, ele e bola só pararam quando a rede da baliza os impediu de prosseguir e baterem na barreira; outro do Pirolito contra a Previdência de Viseu, em que num lançamento lateral ele de costas e ainda distante da baliza indica com os olhos onde o colega deveria colocar a bola e repentinamente, sem a deixar cair, em rotação completa, faz um remate espectacular que resultou num golo que deixou todos perplexos.
Enlevado, não me apercebi da aproximação de um contemporâneo que parecendo adivinhar os meus pensamentos, friamente me aconselha: “ Recorda os bons tempos pois daqui a pouco este espaço será transformado. Têm andado por aqui arquitectos e topógrafos e deve estar a ser preparado algum projecto…”.
Triste fim para um espaço de tanta glória (não só do pessoal das minas mas também dos fornos e do desportivo)!
Sem rodeios, se os terrenos fossem meus, teria sempre que admitir a rua rentabilização. Mas, com a crise instalada no sector da construção civil, (lembro que os espaços para preservação da memória estão definidos e alguns já em fase adiantada de execução) pensaria duas vezes antes de gastar fortunas em projectos que tal crise condenaria ao fracasso e inviabilizaria qualquer retorno.
Mas os terrenos são da EDM, esta é maioritariamente do Estado Português e este somos todos nós. E (como disse o Dr. Ginestal e, honra lhe seja feita, sempre o confirmou) tendo esse Estado uma dívida de gratidão para esta terra porque todos nós contribuímos com os nossos impostos para a construção de um país socialmente mais justo e com o nosso trabalho lhe proporcionámos a obtenção avultados proventos, então, porque não dar à terra aquele insignificante hectare de terreno?
Sem dúvida que, para ele, haverá projectos bem mais úteis.
Deixo aqui o meu projecto. Como é gratuito, não liguem à escala nem critiquem os traços. Não sou especialista nem tenho grandes ferramentas! E será sempre para ficar disponível para toda a população.
Mas o que eu gostaria mesmo era daqui a uns tempos poder dizer ao senhor Portugal que, finalmente, um pouco do seu esforço tinha sido devolvido às pessoas que ele tanto estima.
Mais: Gostaria de pedir ao Pirolito para manter a garra que o tem mantido entre nós, na sua luta titânica contra a doença, para no dia em que o campo nos seja devolvido voltar-mos a fazer uma salada de tomate e atum, como tantas vezes fazíamos antes dos treinos.
**
Gentilimente oferecido por:
João Marques
Jornal Canas de Senhorim
**

Urgeiriça forever

Sejamos justos. Se frequentemente e com razão damos azo à nossa indignação perante a negligência, a falta de investimento e a displicência que grassa em Canas de Senhorim, não podemos, por outro lado, deixar de assinalar com agrado todo o processo de recuperação ambiental que tem vindo a ser levado a cabo na Urgeiriça.
Barragem Velha, Barragem Nova, Valinhos, Zona Industrial, Zona envolvente, tudo se conjuga para que a Urgeiriça volte a ser o lugar atractivo que já foi e a recuperar completamente das mazelas que a exploração descuidada do Urânio deixou.
Podemos dizer que todo este processo constituía obrigação do estado, o qual, ao longo de anos de exploração, arrecadou lucros incalculáveis, constituindo tal recuperação uma pequena parcela da que nos assiste por direito; podemos dizer que todas as obras juntas não pagam o sofrimento, a contaminação ambiental e as mortes implícitas que daí derivaram; podemos até continuar a reclamar mais justiça para os ex-trabalhadores das minas e a contestar a decisão que entrega o antigo campo de futebol dos “Urânios” à EDM (Empresa de Desenvolvimento Mineiro), o que não podemos é deixar de reconhecer a obra feita e a que está em curso ou negar que, nesta área específica, os fundos do FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional) chegaram a Canas de Senhorim, mais concretamente à Urgeiriça.
O “site” da EDM em tempos apontava para um investimento de cerca de 20 milhões de euros (actualmente não presta essa informação), dos quais uma parte significativa já foi consignada. Desconheço o(s) protocolo(s) efectuado(s) pela EDM com a Câmara de Asnelas, e lamento não ter a edilidade oportunamente consultado os associados da Casa do Pessoal da Urgeiriça que certamente lhe dariam conta do interesse em manter o campo de futebol, espaço afecto (e afectivo) à Casa do Pessoal e aos ex-trabalhadores. Se assim fosse, talvez as coisas tivessem sido diferentes, ou não, porque é sabido que a EDM através da sua associada EDMI (Empresa de Projectos Imobiliários) vislumbra recuperar parte do investimento da “holding” naquele espaço (e noutros). Espero que, pelo menos, tenham o bom senso de realizar projectos imobiliários adequados e articulados com a simpática arquitectura do bairro dos mineiros, privilegiando a natureza, o ambiente e os espaços verdes.
Quanto aos Valinhos, será com certeza um prazer para todos os canenses poderem dispor de um parque como o idealizado, isto se for dinamizado de uma forma sustentável e a Câmara colaborar na sua manutenção.
Temos de volta, aparentemente, e salvaguardadas as circunstâncias, a Urgeiriça dos anos 60, local que à altura e juntamente com o Caramulo eram das zonas mais aprazíveis da Beira Alta. Fico contente por isso, como diria o outro, já fui muito feliz na Urgeiriça.
Página anterior« »Página principal
EditorialCanas em MovimentoCarnavalViagem MedievalOnde ficarOnde comerVisiteSlide ShowEndereços úteisLinksInternetContacte-nosProcurar