Canas OnLine

A Vila de Canas de Senhorim é uma terra tipicamente beirã. Situada entre a Serra da Estrela e a Serra do Caramulo é ladeada pelos rios Mondego e Dão. A sua história remonta a tempos milenares, conforme documentam os diversos vestígios pré-históricos e romanos existentes. Foi-lhe concedida carta de foral em 1196 e em 30 de Março de 1514 o rei D. Manuel I confirma o privilégio através de novo foral, o qual confere à vila o estatuto de concelho. Em 1866 é extinto o concelho, circunstância nunca aceite pela população que ao longo do tempo tem lutado pela sua restauração >>>

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Data e HoraSábado, 31 de Julho de 2010

Rosas do Mondego - Vale de Madeiros

DAR E RECEBER HISTÓRIA
 
 
“Isto não passa de folclore”, ou é “folclore e nada mais”, são frases escutadas com frequência. Neste mês de Abril fomos ouvir a Senhora Sandra Cristina Abrantes, Directora do Rancho Folclórico Rosas do Mondego de Vale de Madeiros e uma das dançarinas a Menina Margarida Henriques, vale a pena atentar nas respostas dadas.Jornal C S - O Rancho Rosas do Mondego, quando tinha na sua Direcção o Sr. Henrique, tinha como principal objectivo manter um certo espírito revivalista - porque procurava lembrar tradições, a par de uma preocupação em congregar as pessoas de Vale de Madeiros em torno da iniciativa. Depois, no tempo do Sr. Dr. Anselmo, a preocupação era sobretudo a de fazer alguma recriação histórica e cultural sobre o passado das formas de etnografia ligadas aos trabalhos e ao lazer de um mundo rural que já não existe. Qual é a filosofia do Rancho, hoje?
Sandra Abrantes – A filosofia do rancho é motivar a comunidade em geral, para a realidade das vidas dos nossos avós ou talvez bisavós, desde os meios de subsistência, da época que representamos até as classes sociais, de mostrar a cultura desde o tempo, uma realidade que nos esforçamos principalmente de transmitir aos jovens, para tal é muito importante a experiencia da vida dos mais velhos, o próprio conhecimento de causa, o nosso objectivo é informar e transmitir o valor das nossos origens, das nossas raízes, e canalizar esses conhecimentos principalmente para junto dos jovens, não como uma matéria que se decora para um teste de avaliação, e que depois se esquece, mas como um laço de conhecimento que se adquire quando vestimos a camisola do folclore, que se tem gosto e orgulho em demonstrar a quem nos quiser ver e ouvir, jovens estes que, hoje em dia gastam a maior parte dos tempos livres, nos computadores e a conversarem através de maquinas, tenho para mim que futuramente será necessário as escolas incluam nos projectos escolares, aulas de ambiente social, para que aprendam a socializarem se, entre as diferentes fachas etárias, não é que eu seja contra as novas tecnologias, mas é um facto que existe um exagero nas horas que passam envolta na mesma.

Jornal C S - Qual a importância da existência de um grupo de folclore junto das comunidades locais?
Sandra Abrantes – Parte da resposta já referi, a outra vertente é que no que diz respeito principalmente, a aquando das nossas actuações fora do concelho, como quando fomos a Espanha, ou vamos ao Sul ou ao norte do País, onde as diferenças culturais e etnográficas são mais previsíveis, é no fundo um passaporte dos nossos valores da nossa cultura, o dar e receber historia, a nossa historia e a dos lugares que visitamos, coisa que por exemplo é impossível de idealizar nos torneios de futebol.


Jornal C S – Na grande maioria dos casos o folclore não é propriamente a “musicalidade” da actual juventude. O que motiva as pessoas, nomeadamente os mais novos, a aderirem à iniciativa?
Sandra Abrantes – Acho que principalmente a divulgação por parte dos jovens que já cá andam, como costumo dizer, dos que já nasceram neste mundo, que os pais e os avós j´q são há muitos anos elementos deste Rancho, os miúdos acabam por vir na curiosidade, pelo que escutam dos colegas na escola, ou nos encontros familiares, e na verdade é que na maioria das vezes eles gostam e ficam, a música da moda acaba por ser indiferente, o mais importante é o espírito de grupo e de companheirismo que felizmente se vive nesta colectividade.

Jornal C S - Alguma vez sentiram descriminação ou falta de reconhecimento por parte de organismos ou entidades?
Sandra Abrantes – Eu ousaria dizer que a nossa luta constante, é exactamente em mostrarmos e demonstrarmos o nosso valor, as nossas necessidades junto das entidades e dos organismos, não só dos locais como dos regionais, como é o caso da ADD e do INATEL, que há anos que não nos atribuem nem um cêntimo, mas é obvio que a nossa insistência é mais frequente junto das entidades locais, até porque se justifica, seria mais fácil dividir as verbas do nosso estado por meia dúzia de colectividades do que por dezenas das mesmas, o que na realidade não acontece, nunca ninguém nos justificou ou porquê, e no nosso ponte de vista ao contrario do que nos é respondido, deveria ser obrigação das entidades locais apoiar e financiar as necessidades e os eventos dos grupos folclóricos, já somos poucos os grupos folclóricos do concelho e o único da freguesia e não vejo nem interesse, nem disponibilidade das entidades locais em ajudar a manter em funções este género de projectos.

Jornal C S - Como acha que as Associações culturais são tratadas pelos poderes local e regional e que tem a dizer quanto à diferença entre o que vos é patrocinado e o que á patrocinado, por exemplo, ao futebol.
Sandra Abrantes – Sinceramente, na nossa opinião as Associações Culturais, estão a cada ano que passa a sofrer a uma velocidade super veloz, e em vários aspectos, com o desinteresse das entidades tanto locais como regionais. E ao sofrimento que me refiro é no que diz respeito ás sentidas carências nos edifícios sedes das mesmas, na recusa de verbas para a realização de eventos, e principalmente para a a substituição e renovação de trajes, vamos organizar rifas, e o sempre apoio de firmas, lojas e empresas que apesar da crise, sempre nos têm apoiado quando realizamos o nosso festival anual de folclore, a quem aproveito para deixar o nosso muito obrigado, apesar das dificuldades financeiras de tudo e de todos, existem meia dúzia de portas que sempre se mantiveram abertas para que consigamos levar a cabo este nosso invento, a todos VÓS o nosso muitíssimo obrigado.
Agora comparando com o futebol, eu ousaria dizer que, existe uma diferença de um, para muitos mil euros, chega a ser desmotivante, pior, revoltante, eu passo a explicar, um grupo de futebol que tenho duas equipas dos pequeninos, das ditas escolinhas, actualmente recebe da Câmara Municipal de Nelas dez mil euros por cada grupo, dos seniores recebe um montante ainda superior, ou seja, anualmente os subsídios atribuídos a uma equipa de futebol será tudo para cima de trinta mil euros. Nos últimos anos tenho visto sedes dos grupos de futebol a serem recuperados e remodelados, os campos de futebol, e os balneários dos mesmos a serem modernizados, que todos os grupos de futebol têm uma carrinha de nove lugares, e muito bem, será um sinónimo de que as verbas estão a ser bem aplicadas, a pergunta que eu faço e constantemente é, se as verbas vindas do estado para distribuir pelo desporto serão assim de um montante tão distinto, do que vem predestinado para a Cultura do Concelho?
É que há já quatro anos que mendigo uma verba de sete mil euros para uma carrinha e em vão, há mais de quatro anos que imploro por uma substituição do velhinho painel de losalite que serve de cobertura da nossa sede e em vão, há mais de quatro anos que imploro por um subsidio para a substituição dos nossos velhinhos trajes (com mais de vinte e cinco anos ) e em vão, é que ao contrario do que as “más línguas” insistentes em especular o Rancho Folclórico Recreativo e Cultural Rosas do Mondego de Vale de Madeiros sobrevive com um subsidio único da Câmara Municipal de nelas no valor de mil e quinhentos euros, valor este que nem sequer é suficiente para pagar as facturas da EDP, posso provar o que estou a afirmar a quem duvidar, para além deste subsidio temos, a quase sempre disponibilidade do autocarro da Câmara, só para locais dentro do País, e da parte gráfica dos programas dos eventos que também são realizados na Câmara, perante esta comparação, que em tudo o que afirmei é da mais pura verdade, mas que fica sujeita a apreciação dos leitores, eu concluo que a Cultura do Concelho de Nelas está limitada ás feiras Medievais, aos festivais gastronómicos e às festas do Município, eventos organizados pela Junta de Freguesia e pela Câmara Municipal, porque o que nós recebemos, é lamentavelmente uns trocos.

Jornais de C S - Como resolvem o problema da formação musical dos tocadores (uma vez que os mais antigos tocadores do rancho já faleceram) e dos cantores?
Sandra Abrantes – É complicado, felizmente já no tempo do Doutor Anselmo, que será para sempre imortalizado entre nós e a quem homenageio com esta entrevista, porque para além de ser um excelente musico, era uma pessoa justa e que sempre lutou contra a descriminação e por apelar junto das entidades locais para que dessem mais valor ao folclore, mas como dizia, já nesse tempo tínhamos dois acordeonistas, após a perda do Dr Anselmo, o Senhor Orlando (o outro acordeonista) permaneceu junto de nós, as vezes com esforços redobrados pata conciliar os horários de trabalho com os dos ensaios e os das actuações, mas que nunca nos faltou, quanto aos senhores das cordas (violas e cavaquinhos) temos connosco um filho da terra, e dois senhores de Nelas um deles também já do tempo do Dr., ambos conciliam as nossas actuações com as do outro Rancho e tudo se resolve, os outros tocadores são curiosos que aprenderam com os mais antigos os ritmos dos bombos, pandeiretas e ferrinhos, quanto a vozes, por incrível que pareça as duas principais são as mesmas da fundação do Rancho, e com o coro contamos com nove vozes.
Hoje em dia, é muito difícil encontrar tocadores de acordeão e dos instrumentos de cordas, mas o que veio realmente piorar esta procura foi a moda de pagar aos tocadores, ou seja no folclore passou a haver interesses financeiros, nós temos um lema, a remunerarmos seria justo remunerar todos os elementos desde dançarinos, a todos os tocadores aos figurantes e ao porta-bandeira, como é impossível assim ser, no Rancho de Vale de Madeiros, apela-se à curiosidade e ao gosto pelo folclore e todos são tratados e cativados por igual.
Jornais de C S - Quais são os planos do Rancho para perdurar: apostar em iniciativas híbridas, participação em actividades locais / regionais de divulgação, etc?
Sandra Abrantes – O Rancho de Vale de Madeiros, não tem problemas de falta de convites para divulgarmos o que de melhor sabemos fazer (levar o nosso folclore aonde nos queiram ver e ouvir), principalmente em todos os eventos locais, também não temos problemas de falta de tocadores, ou de dançarinos, ou de falta de qualquer elemento componente do grupo, nós precisamos é de que nos valorizem, é de que as entidades locais de virem para as nossas carências, mas que olhem com olhos de quem definitivamente quer solucionar as nossas dificuldades e as carências da nossa sede.

Jornal C S - como é feita a recolha dos temas e a escolha dos trajes e se há o cuidado de preservar as suas origens. Isto porque tenho visto (tal como na actual feira medieval) dançantes com belos relógios suíços a dançar modas dos tempos dos bisavôs (quando quase todos se regulavam pelo sol)
Sandra Abrantes – Eu vou aproveitar esta pergunta para explicar algumas das normas que os grupos folclóricos que são federados têm que obedecer. As meninas e mulheres, não se podem maquilhar, não podem usar bijutarias, nem unhas pintadas nem cabelos soltos, ou fora dos lenços, nem relógio de pulso, nem as modernas fitinhas de tecido no pulso, os meninos e os senhores não podem usar relógios de pulso, nem brincos, nem actuar sem chapéu ou boina Espanhola, nem com as mangas arregaçadas acima do cotovelo, e sempre, mas sempre, antes de entrar em palco, eu mesmo faço questão de fazer “a ronda” às vezes até se fazem de esquecidos, mas quase sempre cumprem o exigido, é obvio que pode haver um descuido, como acontece com as pastilhas elásticas que insistem em mascar durante a actuação, mas sempre que dou conta escutam mais um raspanete.
No que diz respeito ao uso de bons relógios na feira medieval, nós até não nos importamos de infringir as regras e usar esses bons relógios se fossemos tão bem pagos quanto eles são, porque à uns anos atrás eu tive acesso às tabelas de preços dos figurantes da feira e acreditem que são pagos ousaria eu dizer a peso de ouro. Quanto à recolha dos trajes e dos temas esse mérito é dirigido a quando da fundação do rancho, e posso dizer que foi um trabalho muito bem feito, actualmente temos feito um trabalho de pesquisa através da Internet, junto de outros grupos folclóricos da região, porque entrou muita gente para o Rancho inclusive crianças e tivemos de fazer trajes novos, e em cooperação com os mesmos é mais fácil cumprir os requisitos exigidos.

Jornal de C S - O grupo já esteve no estrangeiro? Em que países e qual a “agenda” para este ano em relação a espectáculos?
Sandra Abrantes – Já tivemos três vezes em Espanha, em Cidade Rodrigo, Salamanca e Valência, presentemente é impensável retomarmos um compromisso de levarmos o nosso folclore a Espanha, como já disse a Câmara apenas nos disponibiliza transporte para lugares dentro do País e com as verbas tão curtas é impossível alugar um autocarro que já da última vez nos custou à volta de setecentos euros. A nível de curriculum orgulhamos das três vezes que já tivemos em dois canais de televisão, sendo uma num programa da manha do Canal 1, e as outras duas vezes num programa da RTP Internacional, porque da segunda vez fomos receber o prémio de melhor Grupo Folclórico que esteve presente nesse programa no ano de 2002. Quanto á agenda do corrente ano retomamos as nossas actuações no próximo dia 2 de Maio, vamos até Lisboa, depois em Lamego, Lagares da Beira, vamos realizar na nossa sede o nosso, Sarau Comemorativo do XXVI Aniversário dia 22 de Maio, gostaríamos de levar a cabo mais um ou outro projecto em Junho, que se não tivermos luz verde das entidades locais infelizmente não vai passar do papel, no dia 8 de Agosto vamos realizar o nosso Festival Anual de Folclore, temos duas actuações nas Caldas da Felgueira no projecto de animação termal, e contamos com os já habituais convites das associações do concelho e para a animação das festas dos Santos Padroeiros, infelizmente ainda temos outros projectos de actividades que gostaríamos de levar a cabo durante o Inverno, mas unicamente porque é impossível, derivado ao facto de chover e do frio que faz dentro do nosso pavilhão. O ano anterior fizemos dezanove actuações e o nosso objectivo é com certeza aumentar esse valor numérico a cada ano que passa.

Jornal de C S - O que considera que seria um ano próspero para a Associação: que realizações, que planos cumpridos…
Sandra Abrantes – As nossas realizações passam, pela realização de um sonho meu, um sonho nosso, porque eu represento, mas o Grupo Folclórico é um todo, desde dirigentes, dançarinos, tocadores, cantadores, porta-bandeira, figurantes etnográficos, todos juntos é que conseguimos formar um grupo e apresentar o folclore da nossa região. O nosso maior sonho, é no fundo o que já anteriormente disse, que as entidades locais valorizem o Folclore, que nos valorizem, que se façam as obras de recuperação da nossa sede, que financiem a substituição dos nossos velhinhos trajes, que finalmente saia o prometido subsidio para a carrinha de nove lugares, seria a melhor das gratificações por todo o trabalho que dedicamos a esta Associação, e que nos ajudem a financiar os projectos de animações culturais que não saem do papel por falta de verbas. Só assim conseguiremos também realizar todos os nossos projectos, com melhores condições, e em melhores condições.

Jornal de C S - Para terminar gostaria que deixa-se aqui uma mensagem aos jovens para aderirem ao Folclore.
Sandra Abrantes – Sim, os jovens que não julguem o Folclore como uma “seca”, para além de ser muito divertido, não tirem conclusões sem experimentarem, venham visitar-nos sempre que quiserem, as nossas portas estão abertas todos os ensaios aos sábados às 21 horas, se tiverem duvidas perguntem aios vossos colegas, na escola por exemplo eles podem descrever o quanto se divertem nos ensaios e nas actuações, por outro lado todos nós temos um passado, e só conhecendo o nosso passado estamos preparados para receber o futuro. Eu queria aproveitar esta oportunidade para agradecer a todos os que estão de braços abertos para ajudar a realizar os nossos eventos, aos pais dos jovens que às vezes estão até bem tarde e preocupados à espera dos seus filhos, por todos os fins-de-semana que mal os vêem e que têm de preparar os trajes de um dia para o outro, os mesmos pais dos jovens elementos que contribuem sempre que podem para o lanche dos grupos convidados. A todos os pais dos jovens elementos do nosso Rancho o meu muito obrigado, o meu obrigado também a todos os elementos que fazem uma ginástica constante para conjugar os ensaios, as actuações com os horários laborais, a todos obrigado por gostarem de Folclore e de apesar das dificuldades me incentivarem sempre e me ajudarem a não desistir.

Jornal CS - Como se chama e há quanto tempo anda no rancho Rosas do Mondego?
Guida Henriques - Chamo-me Margarida Henriques e vai fazer quatro anos em Junho que entrei para o Rancho Rosas do Mondego.

Jornal CS – Todos sabem que um Rancho Folclórico não é bem a “onda musical” da actual juventude ou pelo menos da maioria. Qual a razão da sua entrada para o rancho e já agora dê-nos os seus gostos musicais.
Guida Henriques - Entrei para o Rancho por curiosidade, os meus tios e os meus primos pertenciam ao mesmo, e convidaram-me para assistir. Fui assistir e acabei por começar a dançar e a interessar-me por lá estar. Os meus gostos musicais são um bocadinho diferentes do que ouço lá, gosto por exemplo de Muse, Coldplay, Mettalica, Nirvana, entre outros.


Jornal CS – Qual o seu cargo no rancho e se foi fácil a adaptação e a aprendizagem das “ modas”?
Guida Henriques - Em relação ao cargo que ocupo, sou apenas uma dançarina, apesar de todos nós ajudarmos a Sandra. Já a dançar sou a Pastora, no início tive algumas dificuldades em aprender a dançar algumas modas, mas com o passar do tempo e com a ajuda do meu par consegui aprender todas as danças, sendo agora um dos pares principais do Rancho.

Jornal CS - Qual a opinião que tem em relação ao grupo?
Guida Henriques - Em relação ao grupo que temos posso dizer que somos um grupo muito unido. Estamos juntos em tudo, para o bem e para o mal. Lá criei um grupo de amigos com quem posso contar sempre. Lá também estão os meus melhores amigos e sempre que nos juntamos é uma festa.

Jornal CS – Confesso que sou um pouco leigo em relação às tradições dos Ranchos Folclóricos, mas julgo que têm “baptismo” dentro do grupo. Como foi o seu e qual o significado que teve para uma jovem como você?
Guida Henriques - No tempo em que eu entrei não se realizou o tal Baptismo, já não é algo que façamos.


Jornal CS – Quer deixar aqui um apelo aos jovens para que sigam o seu exemplo e se inscrevam neste tipo de música tradicional e cultural?
Guida Henriques - Acho que quem se quiser inscrever o deve fazer, pois não vamos ser olhados de lado por fazermos aquilo de que gostamos. Neste caso, ali somos todos iguais, não há diferenças e para além de tudo divertimo-nos e temos que fazer isso enquanto somos jovens, porque depois, já não vale a pena.

©efeneto

artigo publicado no Jornal Canas de Senhorim via blog Canas em Peso

Sport Vale de Madeiros e Benfica

 

 


 

http://svmbfutebol.blogspot.com/

Desde Agosto de 2008 o Sport Vale de Madeiros e Benfica conta com dois espaços na Net, o blogue do SVMB em http://svmbfutebol.blogspot.com/ e o site oficial do clube em http://svmbclube.com.sapo.pt. Administrados e desenvolvidos por Daniel Monteiro preenchem uma lacuna que já se fazia sentir no espaço “internáutico”. Os pergaminhos do clube estão certamente bem entregues e a simpática localidade de Vale de Madeiros de parabéns. Felicidades para os projectos.

 

 

Vale de Madeiros, essa bela localidade

 

Vamos lá ganhar apetite para o jantar. Foi assim que começou o passeio a Vale de Madeiros.
O percurso é campestre, ladeado ora por campos agrícolas ora por agradáveis pinhais. Ao longe, a solidez da Serra da Estrela sob os últimos raios de sol desvenda sombras subtis, contornos singulares dignos de apreciar. A espaços o caminho é flanqueado por ostensivas moradias de inspiração imperial, clássicas no traçado, com colunas, capitéis e arcos, mas modernas na construção, sinais de um novo-riquismo emergente. O cão São Bernardo dá um ar da sua graça ao ver passar os intrusos. Com a indolência que lhe é característica arrasta-se pelo extenso relvado ajardinado, solta o vozeirão em dois breves latidos e recosta-se indiferente. Um cão proporcional  à casa, comentamos. Melhor para ele, a serra deve-lhe reconfortar a memória genética, não é como alguns seus congéneres que a única imagem de neve que vislumbram é a do poster suíço na parede da sala, adquirido por 5 euros no Continente da Amadora.
Estamos numa boa época. O rebanho anda atarefado na pastagem, acautelando a míngua que o rigoroso Inverno anuncia. Desta azáfama há-de nascer o famoso queijo da serra. O campo produz fartura, de tal maneira que o fastio já não dá vazão aos frutos que se acumulam no chão. Maçãs, pêssegos, laranjas, marmelos, uvas, abóboras, tudo jaz ao desbarato para inveja do turista de ocasião.
Das hortas brotam todo o género de legumes, couves rechonchudas, portuguesas e galegas, alfaces, espinafres, tomates, leiras de nabiças. É um prazer ver esta terra generosa cumprir a sua dádiva sazonal.
Chegámos à aldeia propriamente dita. Vale de Madeiros é aquela típica aldeia da Beira, casas de granito irmanadas, varandas plantadas de flores, ruas estreitas em piso de paralelos. É bonita, limpa e muito arrumadinha. Já foi dona das águas que deram fama às Termas da Felgueira, facto ainda hoje controverso quanto  à divisão administrativa das Caldas da Felgueira. Neste caso não se pode dizer que são águas-passadas, pois Canas de Senhorim nunca digeriu a ganância territorial asnelense. Parece que se vão mudando os marcos conforme as conveniências, ai D. Sancho, D. Sancho , que tanta falta cá fazes para repor a verdade histórica, mas adiante que Vale de Madeiros é nossa (até ver!)…

 


As pessoas são simpáticas, metem-se connosco e posam sorridentes para a fotografia. Deviam ir era por este campo fora ver a cova, diz-nos uma senhora, naquele jeito estridente tão peculiar nas mulheres da beira. Estas mulheres são de força e falam alto. Não se deixam intimidar por citadinos que vêm visitar a sua aldeia. Então e o Convento das Freiras, para que lado é que fica, pergunto eu. Não, disso só lá há duas pedras sem jeito nenhum, vão mas é à cova que vale a pena. Já é tarde, vai ter que ficar para a próxima. Pois é pena, arremata.
Esta coisa de convidar o pessoal para a cova ficou-lhes das invasões francesas, pensei eu trocista, sabedor da história dos soldados de Napoleão que foram ludibriados por esta gente e se precipitaram abismo abaixo para gáudio da população. Agora é presença obrigatória para visitante! Qual capela, qual Quinta do Queijo, qual quê! Vão mas é à cova ver de que massa somos feitos. Mulheres valentes, gente capaz.


Um olhar atento retém uma ou outra curiosidade, como a cruz dos templários que encima o vértice do telhado de uma antiga capela; o detalhe de um varandim onde os gatos acomodam tranquilamente a preguiça; um largo soalheiro no termo da aldeia, orgulhoso do seu humilde cruzeiro; o milho a secar na eira depois de joeirado; os restos ferrugentos da bomba de água. Tudo agradavelmente bucólico.
Aqui e ali, pequenos gestos domésticos denunciam a pacatez rural das suas gentes. O tempo na aldeia parece que corre mais lento, e o mais interessante é que nos contagia, envolve-nos e acalma-nos. Um passeio destes é uma terapia de sucesso garantido para quem sofre da vertigem da cidade. E isto da vertigem não é nenhuma piada à Cova dos Franceses…


Já é tarde. São seis horas. As pessoas regressam dos campos com produtos hortícolas para a janta. O burro puxa a carroça carregada. Sabe o caminho de cor a custo de tanta viagem, e esta, que o traz de volta ao curral e à manjedoura acelera-lhe a marcha.
Também para nós é hora de jantar. Estugamos o passo à vinda, faz-se tarde e temos à espera uma esmerada açorda de marisco.

eb1-vale-madeiros.blogspot.com

S. Nicolau de Vale de Madeiros


A igreja da nossa terra é feita de granito, restaurada pouco tempo, é a igreja de S. Nicolau, padroeiro da aldeia. A festa de S. Nicolau é no dia seis de Dezembro. É tradição os mordomos lançarem da torre do sino castanhas cruas para as pessoas apanharem
in http://www.eb1-vale-madeiros.rcts.pt/nossaterra.htm

Portfólio Digital
http://www.eb1-vale-madeiros.blogspot.com/

Penedo da Penha[I]


Vista para o Rio Mondego


Vista para a Serra da Estrela _Penedo da Penha _Vale de Madeiros


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